Economia

2015 foi o pior ano das últimas duas décadas para a indústria


A queda real (descontada a inflação) no faturamento foi de 8,8% e o emprego no setor encolheu em 6,1%, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI)


  Por Agência Brasil 01 de Fevereiro de 2016 às 16:12

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


Para a indústria, 2015 terminou como o pior ano das últimas duas décadas. A avaliação é de Flávio Castelo Branco, gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que apresentou pesquisa de indicadores do setor.

Os dados mostram que o faturamento da indústria registrou queda de 8,8%, as horas trabalhadas apresentaram redução de 10,3% e o emprego no setor teve retração de 6,1%, em 2015, na comparação com o ano anterior.

De acordo com os dados da CNI, esta foi a segunda queda anual consecutiva no faturamento da indústria. Em 2014, houve retração de 1,8%.

A utilização da capacidade instalada ficou em 78,9%, 2,3 pontos percentuais abaixo da média registrada em 2014. Esse é o menor nível de utilização da capacidade instalada, na série histórica iniciada em 2003.

A massa salarial real caiu 6,2% e o rendimento médio real dos trabalhadores da indústria recuou 0,1%, em 2015 comparado com o ano anterior.

Rafael Vasconcelos, economista da CNI, explica que a queda do ano passado foi maior do que a registrada em 2009 (4,7%), período de crise econômica mundial.

Castelo Branco, destacou que o 2015 foi o pior para o setor, nas últimas décadas. “Os dados anuais são extremamente negativos”, destacou.

“A recessão é generalizada. Mas os dados do setor industrial têm ritmo de queda nas vendas, nas horas trabalhadas, no faturamento e no emprego mais intensos do que em outros segmentos”, disse.

Segundo Castelo Branco, a recessão é reflexo do quadro de incertezas da economia, relacionadas às dificuldades de ajuste fiscal e alta da inflação, que reduz o poder de compra da população.

“Não há expectativa de reversão no curto prazo. O consumo das famílias e os investimentos das empresas permanecem em queda”, afirmou.

Castelo Branco disse, entretanto, que uma “certa expectativa de reação” é esperada pelos segmentos exportadores. Mas essa reação pode levar entre seis meses a um ano para o segmento retomar as vendas ao exterior.

“O ritmo da atividade mundial é bem mais reduzido do que na década passada. Há desaceleração na China”, destacou.

“Dada a magnitude da nossa recessão, a saída pelas exportações em 2016 é insuficiente”, disse.

CRÉDITO

Para Castelo Branco, as medidas de estímulo ao crédito anunciadas semana passada pelo governo não são suficientes para melhorar as perspectivas para o setor.

“A melhora das condições de crédito tendem a minorar os efeitos dessa contratação. Mas as condições macroeconômicas, principalmente a questão fiscal, são predominantes. As empresas não veem uma retomada que os encorajem a tomar recursos de terceiros”, disse.

FOTO: Thinkstock

*Com informações de Estadão Conteúdo