Brasil

Voluntários iniciam recuperação da fachada do Pátio do Colégio


Pelo menos 100 pessoas participam do mutirão de pintura, segundo a Companhia de Jesus, a responsável pelo prédio


  Por Agência Brasil 16 de Abril de 2018 às 14:59

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


Os trabalhos de recuperação da fachada do Pátio do Colégio, em São Paulo, pichada na madrugada do dia 10 de abril, foram iniciados nesta segunda-feira (16/04).

Segundo a Companhia de Jesus, responsável pelo prédio, pelos menos 100 voluntários participam do mutirão de pintura que deve durar uma semana.

Como se trata de uma reprodução da escola jesuíta original, refeita na década de 1970, não serão necessários cuidados especiais de restauração.

Serão encarados como patrimônio apenas os elementos arquitetônicos, como os frontões, o beiral de pedra, os azulejos e a parte de madeira das janelas.

O advogado Gustavo Luiz Costa, 29 anos, é um dos voluntários. “Quando eu vi a pichação, uma hora depois eu liguei aqui para o Pátio oferecendo ajuda, mas não só em meu nome, porque aqui no centro tem os jogadores de Pokémon Go, em média 200 jogadores, e o grupo todo se prontificou a ajudar”, disse ele, que foi liberado pelo chefe no escritório de advocacia para participar da ação.

O rapaz relatou que não tem experiência em pinturas, mas que recebeu as orientações das arquitetas responsáveis. “A gente precisa fazer acontecer. Só se lamentar não ajuda em nada”.

O VOLUNTÁRIO JOÃO DIAS É UM DOS PARTICIPANTES DA AÇÃO

O padre Carlos Alberto Contieri, diretor do Pátio do Colégio, conta que foram muitas as manifestações de solidariedade e, por isso, decidiram fazer a obra por meio de um mutirão. 

“Todo o trabalho é voluntário, absolutamente gratuito e todo o material que nós precisaremos, cujo levantamento está sendo feito, tem sido adquirido através da doação, seja da doação do material ou da doação financeira”, disse. Ele informou que o custo da obra ainda está sendo calculado.

A iniciativa contou com a colaboração de entidades civis, como a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e empresários. Uma empresa de pintura divulgou a doação por meio de um banner colocado na fachada, indicando o custo zero e divulgando telefone de contato.

A consultoria da arquiteta Ana Pecoraro, especializada em patrimônio histórico, também foi oferecida gratuitamente. Ela é responsável pela restauração da única peça original do conjunto arquitetônico, uma parede de taipa do século 16, que fica exposta no interior do prédio.

INVESTIGAÇÃO

Na sexta-feira (13/04), a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que foram interrogados dois dos três investigados pelo crime ambiental de pichação, onde foi escrito, em letras vermelhas, “olhai por nois” [sic].

DETALHE DO RESTAURO NO PRÉDIO

Durante o interrogatório, os investigados alegaram motivação ideológica para as pichações no Pátio do Colégio. Eles também assumiram a autoria de pichações do Monumento às Bandeiras e da Estátua de Borba Gato.

Sobre as motivações ideológicas, o diretor do Pátio do Colégio, padre Carlos Alberto Contieri, considera que há desconhecimento histórico, e que ele só pode dizer que está "baseada numa ideologia barata e na ignorância histórica total."

"Talvez quem faz esse tipo de afirmação precisaria olhar e aprofundar a própria visão e o seu conhecimento histórico", afirma. "Se eles soubessem que os jesuítas, por exemplo, no século 16, quando do início da colonização, foram os únicos que se levantaram para defender os índios e não permitir que os índios fossem escravizados pelos colonos”, relembrou o padre.

Ele criticou ainda que as pichações estavam sendo fotografas para venda na internet, segundo mostraram as investigações.

FOTOS: William Chaussê/Diário do Comércio