Brasil

Vândalos picham o Pátio do Colégio


O ato de vandalismo, praticado por dois homens e uma mulher, aconteceu na madrugada desta terça-feira, 10/04, e foi flagrado por câmeras de segurança. A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) repudiou a violência praticada contra um dos símbolos da cidade


  Por Wladimir Miranda 10 de Abril de 2018 às 18:23

  | Repórter vmiranda@dcomercio.com.br


A fachada do Pátio do Colégio, no centro histórico de São Paulo, onde foi levantada a primeira construção da cidade, foi pichada na madrugada desta terça-feira, 10/04.

Três pichadores – dois homens e uma mulher -, conforme mostram câmeras de segurança do local, picharam a frase “Olhai por nois”(sic), assim mesmo, com um grotesco erro de português. A violência contra a obra apostólica pertencente à Companhia de Jesus, composta pelo Museu Anchieta, Auditório Manoel da Nóbrega, Galeria Tenerife, Praça Ilhas Canárias e Igreja Beato José de Anchieta, aconteceu à 1h25min.

As imagens mostram os três pichadores chegando ao local. Eles vieram da Rua Roberto Simonsen, nas proximidades. Quando os pichadores chegaram, como as imagens mostram, havia cerca de 30 moradores em situação de rua dormindo no local.

Um dos moradores em situação de rua contou que dois dos homens surgiram com uma espécie de “bomba de borrifar veneno” e picharam o prédio.

Marco inicial do nascimento da cidade, o Pátio do Colégio foi escolhido para iniciar a catequização dos indígenas. Também foi sede do Governo paulista entre os anos de 1765 e 1912, depois que o Estado tomou posse do local.

Abrigou, em 1770, a sessão inaugural da Academia Paulista de Letras, a chamada “Academia dos felizes”.

Eduardo Odloak, prefeito Regional da Sé, afirmou que, se forem pegos, os pichadores serão detidos e multados em R$ 10 mil, cada um.

NOTA DE REPÚDIO

Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), manifestou indignação com a pichação da igreja do Pátio do Colégio, que representa não somente um bem religioso, mas um patrimônio histórico da cidade.

“Temos de ter uma política de tolerância zero em relação à pichação, com aplicação da lei. É inadmissível danificar propriedade particular ou bem público, ainda mais quando se trata de um patrimônio histórico e religioso como o Pátio do Colégio”.

CÂMERAS FLAGRAM AÇÃO DOS VÂNDALOS

A ACSP já entrou em contato com o padre Carlos Alberto Contieri, diretor do Pátio, para manifestar solidariedade e disposição para que a pichação seja removida o quanto antes.

O pátio contava com um posto policial fixo da PM. Em outubro de 2017 a ACSP enviou ofício à Secretaria de Segurança Pública solicitando o retorno do posto, mas a secretaria respondeu que não atenderá ao pedido.

Localizada em frente ao Pátio do Colégio, a Associação tem longo histórico de relação com esse importante marco da cidade. É o local onde a ACSP promove, por exemplo, as tradicionais Feira da Saúde e soltura dos balões.

PROVIDÊNCIAS

O padre Carlos Alberto Contieri, diretor do Pátio do Colégio, disse que a primeira providência foi abrir um Boletim de Ocorrência sobre o ato de vandalismo. “Este é um assunto que tem de ser analisado pelas autoridades policiais”.

Está marcada também uma reunião com a arquiteta que fará o restauro da fachada. “Vamos conversar com a arquiteta para ver qual é a melhor opção para que a fachada não perca o seu valor histórico”, disse ele.

Sobre a frase pichada, com teor religioso, o padre Contieri disse que foi um ato irracional e que “foi a primeira vez que o Pátio do Colégio sofreu um ato de vandalismo”.

Foto: Patrícia Baptista/ACSP e William Chaussê