Brasil

Todas as atenções estão voltadas para o nome forte na economia


O otimismo do primeiro dia do governo Temer dá lugar à expectativa pelas medidas do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (foto)


  Por Renato Carbonari Ibelli 12 de Maio de 2016 às 20:35

  | Editor rcarbonari@dcomercio.com.br


Em um pronunciamento aguardado com ansiedade pelo mercado, o presidente interino Michel Temer oficializou sua equipe de governo, no início da noite desta quinta-feira (12/05). Foram 24 nomes, mas certamente os olhos do país estarão voltados com mais intensidade para um deles: Henrique Meirelles, que assume o ministério da Fazenda com o desafio de recuperar a economia brasileira.

A Meirelles caberá a tarefa de ajustar as contas do governo e restaurar a confiança dos investidores no país. Para tanto, o próprio ministro recém-empossado destaca que a prioridade é emplacar a reforma de Previdência, já que o déficit previdenciário é o principal responsável pelos problemas fiscais do governo. 

Engenheiro civil de formação, Meirelles descreveu recentemente sobre o tamanho do desafio que terá pela frente no governo Temer. Em evento realizado no Rio de Janeiro, Meirelles disse que o país encerrará 2016 com queda de 4% no Produto Interno Bruto (PIB). 

Para o longo prazo, Meirelles afirmou que, diante das atuais incertezas fiscais, o país terá crescimento de apenas 1% ao ano na próxima década.

Mas com as reformas Tributária e da Previdência, segundo ele, esse crescimento poderia chegar a 4% ao ano no período. 

Meirelles serviu de anteparo eficiente entre o governo Lula e o mercado financeiro lá atrás. Agora, à frente do ministério da Fazenda, terá de convencer governos estaduais a apoiarem a reestruturação dos meandros tributários do país e ajudar a emplacar medidas impopulares que mexeriam no formato atual das aposentadorias.

O atual ministro da Fazenda foi ex-presidente do Banco Central durante o governo Lula. Ele é lembrado por suas posições econômicas ortodoxas. É certo entre os analistas de mercado que Meirelles se concentrará em cortes no Orçamento Federal, na tentativa de ajustar as contas do governo.

Por isso, ele tem o aval do mercado financeiro. Durante o governo Lula, por exemplo, conseguiu colocar panos quentes no receio dos investidores de que o ex-presidente radicalizaria nas políticas fiscal e econômica. 

Em 2003, quando Meirelles assumiu o Banco Central, a inflação batia em 12,5% ao ano. Sua resposta foi elevar a taxa básica de juros - que chegou a 26,5% ao ano - para conter os preços, política que adotou por dois longos anos. Foi alvo de críticas de empresários e do próprio partido do então presidente da República, o PT, mas se manteve firme nas suas convicções. O resultado foi bem-sucedido: a inflação cedeu.

Em 2002, antes de embarcar no governo Lula, Meirelles foi eleito deputado federal pelo PSDB. Não assumiu o mandato e preferiu aceitar o cargo no BC. Desde então, sempre esteve bem cotado para compor o quadro político dos mais diversos candidatos à presidência da República. 

Foi sondado para assumir a vice-presidência na chapa que elegeu Dilma em 2010, posto que acabou preenchido por Temer.

QUEM É QUEM

Entre os ministros de Temer estão nomes que já ocuparam pastas importantes nos governos de Fernando Henrique Cardoso e de Lula. Também há nomes investigados na operação Lava Jato. Eles são Romero Jucá (PMDB-RR), ministro do Planejamento, desenvolvimento e Gestão; Henrique Eduardo Alves, ministro do Turismo e Gedel Vieira Lima (PMDB-BA),ministro-chefe da Secretaria de Governo .

Há também nomes que já compunham a equipe de Dilma. Caso de Gilberto Kassab, que passou da pasta de Cidades para o ministério de Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações. 

Kassab foi prefeito de São Paulo duas vezes, entre 2006 e 2012. No primeiro mandato, assumiu a prefeitura da capital paulista depois da renúncia de José Serra, de quem era vice-prefeito. Serra deixou o cargo para se candidatar ao governo do Estado. Kassab tem 55 anos e é formado em economia e em engenharia civil.

Em 2011, Kassab foi um dos fundadores do Partido Social Democrático (PSD), ao lado de dissidentes de partidos como o DEM (ao qual era filiado desde 1995), além de PSDB e PPS. Atualmente, é o presidente nacional do PSD.

Kassab iniciou a vida política aos 25 anos, no Fórum de Jovens Empreendedores da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Outro quadro que veio da gestão Dilma é Helder Barbalho, colocado à frente do ministério da Integração Nacional. Ele foi ministro dos Portos de Dilma. É filho do senador Jader Barbalho (PMDB) e da deputada federal Elcione Therezinha Zahluth. 

Helder é formado em administração pela Universidade da Amazônia e começou a carreira política em 2000, quando foi eleito o vereador mais votado de Ananindeua, na região metropolitana da capital paraense.

Outro nome conhecido é do ex-governador de São Paulo e ex-prefeito da capital José Serra (PSDB-SP). Ele assume o ministério das Relações Exteriores. Serra é um dos defensores da adesão do PSDB ao governo de Michel Temer e integrou o grupo que ajudou na criação do plano proposto por Temer para tirar o país da crise. 

Também já foi ministro do Planejamento e Orçamento e da Saúde no governo FHC. Foi candidato a presidente da República, sendo derrotado por Lula e Dilma. Atuava até então como senador, e como tal propôs a revogação da participação obrigatória da Petrobras na exploração do petróleo da camada do pré-sal. 

*Com Agências

FOTO: Agência Brasil