Brasil

The Economist prevê desastres econômico e político para o Brasil


Perda do grau de investimento, troca de ministro da Fazenda e o processo de impeachment impedem o avanço de reformas substanciais, de acordo com a revista britânica


  Por Estadão Conteúdo 30 de Dezembro de 2015 às 16:57

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


Como o Brasil será o primeiro da América do Sul a sediar uma Olimpíada, o país deveria entrar em 2016 com um humor "exuberante” - mas enfrenta um "desastre econômico e político", afirma a revista inglesa The Economist na principal reportagem de sua página na internet nesta quarta-feira (30/12), ilustrada com uma foto da presidente Dilma Rousseff.

De acordo com a publicação, o novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa pode conseguir realizar mais coisas na política econômica por ter apoio do PT, mas vê dificuldades no avanço de reformas mais substanciais em meio às discussões sobre o impeachment.

"Apenas escolhas duras podem colocar o Brasil de volta aos trilhos. Mas Dilma Rousseff não parece agora ter estômago para elas", diz aThe Economist na longa reportagem sobre o país, que recebeu o título "A queda do Brasil".

LEIA MAIS:Contas do governo continuarão no vermelho em 2016

A expectativa era de que o Brasil estivesse na vanguarda do forte crescimento dos emergentes. Mas, ao invés disso, tem que lidar com turbulências políticas e econômicas e "talvez com o retorno de uma inflação galopante".

O texto relata também uma série de eventos que ocorreram este mês no país - incluindo a saída do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e a perda do grau de investimento pela agência de classificação de risco Fitch, a segunda a retirar a nota após a Standard & Poor's, em setembro.

“Ao mesmo tempo, a coalizão do governo do Brasil tem sido desacreditada por um gigantesco escândalo de corrupção em torno da Petrobras", afirma o texto, destacando que Dilma enfrenta ainda a abertura de um processo de impeachment.

A revista destaca que a previsão é que a economia brasileira encolha entre 2,5% e 3% em 2016, seguindo uma recessão em 2016. Mesmo a Rússia, afetada pela queda livre dos preços do petróleo e sanções dos Estados Unidos e Europa, "deve ir melhor no ano que vem”, destaca a reportagem.

Assim como outros grandes países emergentes, o Brasil vem sendo afetado pela queda mundial dos preços das commodities, afirma a publicação inglesa.

LEIA MAIS:Brasil está desde julho sem crédito no exterior

Mas “Dilma conseguiu tornar as coisas ainda piores”, ao tomar medidas de estímulo à economia consideradas pela The Economist como extravagantes e imprudentes, que incluem corte de impostos para o setor empresarial.

"Gestores de crise do Brasil não têm o luxo de esperar por tempos melhores para começar a reforma", afirma a revista, destacando que a dívida bruta do país, que beira os 70% do Produto Interno Bruto (PIB), é alta para um país de renda média - e tem tendência de crescer mais, caso nada seja feito.

OTIMISMO DIFÍCIL

Para a publicação britânica, embora tenha participado do "desastroso" primeiro mandato de Dilma, o novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, pode ser capaz de realizar mais coisas na economia.

"Ele tem apoio político dentro do PT. Também tem poder de barganha, porque Dilma não pode se permitir perder outro ministro da Fazenda", afirma a reportagem.

Um dos primeiros testes do novo ministro será a capacidade de convencer o relutante Congresso a aprovar a CPMF, destaca a publicação.

Apesar das vantagens que Barbosa tem, a The Economist afirma que é "difícil se sentir otimista com as perspectivas de reforma" no Brasil neste momento: as discussões sobre o impeachment devem dominar a agenda política por meses, e o PT não tem apetite por "austeridade" na política econômica, conclui a reportagem.

Foto: Thinkstock