Brasil

Skaf projeta no Senado 58 votos a favor do impeachment e 20 contra


Presidente da Fiesp fez palestra na ACSP. Ao lado de Alencar Burti (foto), afirmou que Michel Temer criará clima de confiança para relançar economia, mas alertou contra tentação de aumentar impostos


  Por Redação DC 09 de Maio de 2016 às 18:39

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


Em palestra nesta segunda-feira (09/05) na ACSP (Associação Comercial de São Paulo), o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, fez a previsão de que na próxima quarta-feira o impeachment de Dilma Rousseff será aprovado por 58 ou 59 senadores.

Num plenário de 81 cadeiras e a possibilidade de duas ausências, a manutenção da presidente da República receberia apenas em torno de 20 votos.

Confirmando-se, o resultado não apenas afastaria Dilma por um prazo máximo de 180 dias, mas também anteciparia o resultado da segunda e definitiva votação no Senado. Para ser afastada de vez, seriam necessários dois terços dos votos, ou o apoio de 54 senadores.

O tema central da palestra de Skaf foi o que o Brasil espera depois do impeachment. Ele disse basicamente acreditar que o ainda vice-presidente da República Michel Temer, pelo simples fato de assumir o Executivo, poderá beneficiar o país por meio do ressurgimento do clima de confiança.

“A falta de confiança e a falta de credibilidade travam tudo”, afirmou. “O país parou. Com maior confiança, chegam empregos, volta-se a consumir e a roda da economia vai novamente girar.”

O dirigente também opinou sobre a fracassada manobra do presidente interino da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão, de barrar nesta segunda-feira o processo de impeachment.

“Foi um ato desrespeitoso. Foi um desrespeito com o trabalhador que está desempregado, um desrespeito com aqueles que querem mudanças.”

Também disse não acreditar que o curto caminho que resta até o impeachment possa ser interrompido por alguma decisão do Judiciário. Não há motivo ou interesse para esse tipo de interferência, afirmou.

“Se tem um time que está no chão, que está perdendo todas, tem que mudar o técnico.
Não há falta de confiança no país. Há falta de confiança no governo. Falta de credibilidade. Trava tudo.”

Skaf também abordou longamente o reequilíbrio das contas públicas, mas alertou para a necessidade de o novo governo não cair na tentação de trilhar o caminho mais fácil, com a criação de novos impostos ou a majoração dos impostos atuais.

“O governo tem que estar ciente de que, se quiser aumentar impostos, a batalha vai ser mais dura. O que nos interessa é que o governo seja mais eficiente, reduza seu tamanho.”

Afirmou ainda que aumentar a carga tributária seria sobrecarregar “as costas de quem está sem fôlego”.

Para o presidente da Fiesp, a reforma tributária não precisa necessariamente ser definida agora. “A situação fiscal é tão grave e delicada” que algum setor do governo poderia cair na tentação de aumentar imposto por ser um atalho mais curto.

A lógica, então, consiste em cortar gastos, mesmo porque a máquina governamental não tem demonstrado a capacidade de investir o volume de dinheiro ao qual está programado.

“No ano passado, só investiram 65%”da previsão. E, mesmo assim, investiram mal, com obras malfeitas e muita corrupção.”

Skaf acredita que um novo governo e o clima de confiança que seria criado poderiam fazer com que de R$ 30 bilhões a R$ 40 bilhões fossem repatriados, no caso dos brasileiros com depósitos não declarados no exterior.

Outro efeito da retomada da confiança estaria na “baixa dos juros de forma responsável”, com alívios imediatos nas finanças das empresas e na atração de investimentos externos.

O presidente da Fiesp faz um cálculo aproximado do tempo necessário para a retomada do crescimento. Depois da queda do PIB em 3,8% em 2015 e uma previsão inicial de até 4% neste ano, o impeachment terá como primeiro efeito reduzir o tamanho da queda em 2016.

Com isso, surgiriam condições para que em 2017 a economia registre um crescimento pequeno, mesmo assim com resultados positivos.

Seria um roteiro oposto ao que o Brasil vem vivendo. “O Brasil não merece estar na situação em que está. Não se aguenta tanta incompetência, tanta malandragem, tantas coisas ruins juntas.”

Em suma, o afastamento da atual presidente elimina o grande obstáculo político, a partir do qual a questão econômica pode ser tratada em novos termos.

Afinal, disse Skaf, contrariamente ao que pensava Dilma Rousseff, não é o governo que constrói a nação. Basta que o “governo não fique se metendo em tudo e, com isso, atrapalhe as coisas”.

FOTO: Danielle Pessanha/ACSP






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