Brasil

Setor da construção perdeu quase meio milhão de vagas em 2015


Com tantos postos de trabalho fechados o nível de emprego na construção recuou ao patamar de 2010. Já a indústria de máquinas e equipamentos projeta 20 mil demissões neste ano


  Por Estadão Conteúdo 27 de Janeiro de 2016 às 14:25

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


O setor da construção civil fechou 483 mil postos de trabalho em 2015, de acordo com pesquisa realizada pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), com base em informações do Ministério do Trabalho e do Emprego. 

Com esse resultado, o setor teve uma baixa de 14,56% nos empregos e encerrou o ano com 2,835 milhões de trabalhadores formais, retornando ao nível registrado de maio de 2010.

"Somente um esforço do Executivo e do Legislativo, com sinais inequívocos de seriedade fiscal e comprometimento com reformas, poderia começar a reverter este cenário, junto com medidas que estimulem o capital privado a investir na ampliação da infraestrutura", afirmou o vice-presidente de Economia do SindusCon-SP, Eduardo Zaidan.

O resultado do ano foi melhor que a estimativa publicada anteriormente pela entidade, de que a construção perderia quase 560 mil postos de trabalho no ano. Para o executivo, a "queda livre do emprego é o resultado mais eloquente da falta de confiança mínima" no setor.

Considerando apenas o mês de dezembro, houve queda de 3,98% no nível de emprego, na comparação com o mês anterior. Ao todo, foram fechados 117,629 mil postos de trabalho, considerando os fatores sazonais. 

Desconsiderando efeitos sazonais, o número de vagas fechadas em dezembro foi de 10,596 mil, correspondente a uma baixa de 0,36%.

Ao detalhar os números por segmento, a preparação de terrenos teve a maior retração, com queda de 5,41%, na base mensal. A atividade imobiliária veio em seguida, com perda de 4,53%, enquanto o setor de infraestrutura registrou baixa de 4,47%. 

No acumulado do ano, o segmento de infraestrutura apresentou a maior queda, de 14,52%, seguido pelo segmento imobiliário, com perda de 13,38%. Preparação de terrenos, no ano, teve queda de 10,38%.

A deterioração do mercado de trabalho afetou todas as regiões do Brasil, sendo que os piores resultados foram observados no Norte, com queda mensal de 6,45% e perda no ano de 17,31%. Em seguida, o emprego no Centro-Oeste registrou baixa de 5,40% em dezembro ante novembro e recuou 16,93% no acumulado de 2015.

MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS

Depois de fechar 45 mil postos de trabalho em 2015, a indústria brasileira de máquinas e equipamentos deve continuar demitindo em 2016. Segundo o diretor de Competitividade, Economia e Estatística da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Mário Bernardini, cerca de 20 mil vagas devem ser eliminadas neste ano. "O ajuste no emprego vai continuar porque ainda não foi totalmente ajustado", disse.

Com isso, estima Bernardini, o setor deve terminar o ano de 2016 com cerca de 100 mil empregos eliminados em um intervalo de três anos. "Nós lamentamos isso porque são empregos extremamente qualificados, pessoas que foram treinadas. E são empregos que não voltam porque, em um eventual aumento de demanda, nós vamos ter problemas para conseguir mão de obra qualificada", afirmou.

Segundo informou a Abimaq, o setor demitiu o mês de dezembro com 309 mil trabalhadores. Em 2015, o faturamento foi de R$ 84,873 bilhões em 2015, recuo de 14,4% ante o volume de 2014. Esta é a terceira queda anual seguida.

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