Brasil

Sessão de 13 horas inicia a discussão sobre o impeachment


Entre os deputados que discursaram, 39 se posicionaram a favor e 21 contra. As discussões entraram na madrugada e se concentraram na legalidade dos argumentos do processo


  Por Estadão Conteúdo 09 de Abril de 2016 às 11:36

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


Após mais de 13 horas de sessão, a Comissão Especial do Impeachment na Câmara dos Deputados encerrou às 4h42 deste sábado a primeira fase da discussão do parecer favorável ao impedimento da presidente Dilma Rousseff. 

Ao todo, discursaram 61 dos 116 deputados que haviam se inscrito para falar. Entre eles, 40 se posicionaram a favor e 20 contra o impeachment. Houve ainda um indeciso: o deputado Bebeto (PSB-BA). Governistas e oposicionistas se alternaram em suas falas contra e a favor do impeachment.

Governistas ressaltaram que partidos da oposição também são acusados de corrupção e acusaram opositores de não aceitar perder as últimas eleições e querem tirar Dilma por meio de um "golpe". Focaram ainda na estratégia de 
lembrar que a linha de sucessão presidencial é integrada por membros investigados por corrupção, como o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), segundo na linha de sucessão.

Já a oposição centrou suas críticas em outras acusações e suspeitas contra o governo Dilma, algumas alheias ao parecer de Arantes, bem como contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao PT. Opositores apostaram também na estratégia de dizer que aqueles que votarem contra o impeachment estarão concordando com os crimes de responsabilidade a que a petista é acusada na representação.

Entre as principais legendas que compõem a comissão, o Partido da República (PR) foi o único em que nenhum representante discursou. Assim como PP e PSD, o PR tem negociado com o Palácio do Planalto mais espaço no governo em troca de apoio da bancada contra o impeachment. Tanto no PP quanto no PSD, apenas dois deputados discursam na sessão, todos a favor do afastamento da presidente Dilma Rousseff.

A sessão começou por volta das 15h30 de sexta-feira. Governo e oposição deixaram em segundo plano o teor do parecer do relator, deputado Jovair Arantes (PTB-GO), favorável ao impeachment, e focaram seus discursos nas críticas um ao outro.

FOGO AMIGO

O cansaço era visível nos rostos de deputados, assessores e jornalistas que participavam da sessão da comissão. Para tentar evitar que o plenário esvaziasse durante a sessão, os parlamentares se revezavam, principalmente os da oposição. 

Durante os discursos, o governo recebeu críticas até de deputados aliados do Palácio do Planalto. O líder do PMDB na Câmara, deputado Leonardo Picciani (RJ), afirmou estar convicto de que a presidente Dilma Rousseff não cometeu crime de responsabilidade que justifique seu afastamento, mas fez uma dura crítica à petista durante seu discurso.

Picciani afirmou que o Brasil chegou a atual situação porque o governo eleito "não teve a humildade de reconhecer que ganhou uma eleição dividida e de chamar o País a uma reconciliação. E quem perdeu não teve a resignação de aceitar o resultado e pensar no País - preferiu contestar e pensar apenas na sua ambição política".

PRÓXIMOS PASSOS

A discussão do parecer será retomada na segunda-feira, 11. Nessa fase, somente os líderes partidários poderão falar. A previsão é de que a votação aconteça no mesmo dia. Se aprovado, o parecer será publicado no Diário Oficial da Câmara. Após 48 horas da publicação, o presidente da Casa poderá levá-lo para votação em plenário.

Imagem: Agência Brasil






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