Brasil

Série documental mostra como as favelas enfrentam a covid-19


Criada pelo jornalista Gustavo Girotto, a série ‘A tirania da minúscula coroa: Covid-19’ traz depoimentos de pessoas de diversas realidades sobre a pandemia


  Por Renato Carbonari Ibelli 01 de Junho de 2020 às 18:15

  | Editor ibelli.dc@gmail.com


Impor limites ao convívio tem se mostrado eficaz para diminuir a velocidade da contaminação pela covid-19. A experiência mundial mostra isso. Contudo, quando essa medida é adotada de forma homogênea, em uma realidade organizada em diferentes estratos, acaba se tornando inútil em grande parte.

Como o poder público pode pedir respeito ao isolamento social àqueles que por décadas foram socialmente ignorados? Ficar em casa, para muitos dos que vivem em comunidades e favelas, é ficar sem água, sem almoço, sem acesso ao básico para sobreviver.   

Os governos falharam com essa gente, e a pandemia de coronavírus serviu para mostrar que insistem em cometer os mesmos erros.

“Não há políticas específicas para as áreas de maior vulnerabilidade social. É como se 13 milhões de brasileiros (que moram em favelas) não existissem”, diz Gilson Roguigues, líder comunitário de Paraisópolis, a segunda maior comunidade de São Paulo.

Rodrigues é um dos entrevistados da série documental "A tirania da minúscula coroa: Covid-19", do jornalista Gustavo Girotto. O episódio trazido pelo Diário do Comércio intercala depoimentos de pessoas que enfrentam a pandemia em diferentes países com o drama vivido por aqueles que enfrentam a quarentena nas favelas brasileiras.

Sem condições de atender às recomendações de isolamento, o número de casos da covid-19 nas favelas está crescendo. Os moradores desses locais alertam para as consequências do descaso.

“Com a falta do poder público nas periferias, o contágio é inevitável. O mundo vai conhecer a maior carnificina dentro das comunidades”, alerta Gilmar Antônio Sousa, líder comunitário do distrito de Capão Redondo.

Quando o poder público não ocupa os espaços, é sabido que poderes paralelos, com as milícias e o tráfico, preenchem os vazios. Mas muitas ações locais positivas também ocorrem, estas, encabeçadas por grupos de moradores em sua maioria, como mostra o documentário.

Em Paraisópolis, não esperaram passivamente ações do governo. Os moradores juntaram recursos para alugar ambulância, distribuir marmitas, criar casa de acolhimento.

No Rio de Janeiro, no Complexo do Alemão, um aplicativo desenvolvido pelo jornal local, o Voz das Comunidades, informa diariamente os números do contágio, das mortes, de recuperados. No Alemão, os moradores criaram um gabinete de crise, que organiza a distribuição de cestas básica e álcool em gel.

Veja como os moradores de favelas estão lidando com a pandemia de coronavírus abaixo, no terceiro episódio da série 'A tirania da minúscula coroa: Covid-19'.