Brasil

Sem Lula, Datafolha revela que Bolsonaro não ganha no segundo turno


Com a possível impugnação do candidato do PT, as intenções de voto dele se dividiriam entre Marina Silva, Ciro Gomes e Luciano Huck. O tucano Geraldo Alckmim, diz a pesquisa, ainda não decolou


  Por João Batista Natali 31 de Janeiro de 2018 às 10:45

  | Editor contribuinte natali@uol.com.br


Sem a candidatura de Lula, o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) encabeça as intenções de voto para o primeiro turno da eleição presidencial de outubro. Para o segundo turno, no entanto, ele perde fôlego e não conseguiria se reeleger.

Essa é uma das revelações da nova pesquisa do Datafolha, divulgada nesta quarta-feira (31/01). A pesquisa também informa que Bolsonaro deixou de crescer, provavelmente pelas revelações de formação de um patrimônio imobiliário incompatível com seus vencimentos de parlamentar e militar da reserva.

A pesquisa, realizada nos dois primeiros dias desta semana com 2.826 eleitores de 174 municípios, ainda traz quatro alternativas de chapa com o nome de Lula, já que ele -condenado em segunda instância em Porto Alegre (24/01) - torna-se inelegível apenas após decisão da Justiça Eleitoral.

O ex-presidente, nos cenários apresentados ao eleitor, ainda encabeça a votação, mas oscilou para baixo, perdendo de um a dois pontos.

Quando seu nome não consta mais das opções, há uma pulverização de intenções de voto, que não beneficiam de maneira categórica nenhum dos demais concorrentes.

É assim que Marina Silva (Rede) receberia 15% das intenções hoje pertencentes a Lula, Ciro Gomes (PDT) ficaria com 14%, Luciano Huck (sem partido) teria 8% desse espólio, e até Jair Bolsonaro, com 7% levaria alguma coisa.

Sem Lula, Bolsonaro lidera para o primeiro turno, com uma varliação de 18% a 20%, dependendo das opções. Em segundo lugar, viriam Marina Silva (Rede), com 13% a 16% ou Ciro Gomes (PDT), com 12% a 13%. Geraldo Alckmin (PMDB) estaria em terceiro, com 11%.

Ainda com relação a Lula, subiu de 48% para 53% a proporção de eleitores que não votariam em nenhum outro nome indicado por ele. No polo oposto, só 27% afirmam que votariam num candidato que ele indicasse. 

O ex-governador da Bahia, Jaques Wagner, alternativa petista que o Datafolha submeteu aos entrevistados, tem apenas 2% das intenções de voto, nos cenários em que Lula não é mais candidato.

A VOLTA DE LUCIANO HUCK

Embora tenha afirmado que desistiu da sucessão presidencial, o empresário e apresentador de TV Luciano Huck (sem partido) é uma das surpresas dessa última pesquisa.

Na alternativa em que Lula é candidato e seu nome foi colocado como opção, ele aparece com 6%, exatamente a mesma porcentagem que Alckmin e Ciro Gomes. Quando Lula não é mais candidato, Huck sobe para 8%.

Tais percentuais expressam um importante potencial. Huck não está em campanha, mas seu nome é associado ao sucesso empresarial e a algo eleitoralmente novo.

Outro dado importante está na irrelevância do campo liberal e de centro-direita. Além da não decolagem de Geraldo Alckmin com relação às pesquisas anteriores, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), continua patinando com 1% das intenções.

É a mesma pífia intenção de voto que aparece para Paulo Rabello de Castro (PSC), o atual presidente do BNDES.

João Doria (PSDB), quando aparece como candidato ao lado de Lula, tem 4%. Sem Lula, tem um ponto a mais. João Amoêdo (Partido Novo) também surge com 1%, numa pesquisa em que outro possível candidato liberal, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) não foi levado em conta pelo Datafolha.

ANEMIA NO CAMPO DA EXTREMA-ESQUERDA

Independentemente da aparição ou não de Lula entre as opções do primeiro turno, chama a atenção a inexpressividade dos demais nomes da esquerda.

Guilherme Boulos, líder do MTST e possível candidato do Psol, não pontua e aparece com 0%. Manuela D´Avila (PC do B), etaciona em 1%, em todos os cenários em que seu nome aparece quando Lula é uma opção. Sem Lula, ela sobe para 2% ou 3%.

Considerado de centro-esquerda, ao lado de Ciro Gomes, o ex-governador paranaense Álvaro Dias (Podemos) tem entre 3% e 4% quando Lula é candidato, e 5% ou %, quando Lula não é mais.

Fernando Collor de Mello (PTC), que anunciou recentemente sua candidatura - na tentativa de reviver o cenário de 1989, quando foi eleito para sofrer impeachment ao final do segundo ano de mandato - aparece com no máximo 3% das intenções.

Mas ele é o concorrente com uma taxa de rejeição (44%) proporcionamente maior ao da taxa de adesão ao seu nome.

FOTO: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo