Brasil

Sebrae traça o perfil da informalidade no país


A maioria dos informais trabalha por conta própria, tem baixa renda e baixa escolaridade. A boa notícia é que a formalização vem crescendo


  Por Redação DC 15 de Junho de 2021 às 15:03

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


Estudo feito pelo Sebrae compara o perfil dos empreendedores informais (sem CNPJ) com os formais (com CNPJ).

Os empreendedores formais são, em sua maioria, empregadores com média e alta renda, com média e alta escolaridade. Eles trabalham mais de 40 horas no negócio, têm mais de 2 anos de atividade, mais de 35 anos de idade, são majoritariamente brancos e atuam no ramo do comércio ou serviços.

Já os empreendedores informais são em sua maioria trabalhadores por conta própria, de baixa renda, baixa escolaridade e dedicam poucas horas ao negócio. Esse grupo tem pouco tempo na atividade, é composto principalmente de jovens com até 35 anos, negros e que atuam na agropecuária ou no setor da construção.

Os dados fazem parte do novo levantamento realizado pelo Sebrae a partir das informações da PNADC (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) do IBGE, que faz um retrato do empreendedorismo informal no país, de 2012 a 2020.

FORMALIZAÇÃO EM ALTA

A formalização dos empreendedores no país tem crescido, apesar da crise da covid-19. No quarto trimestre de 2019, portanto antes da pandemia, 30% dos empreendedores brasileiros possuíam CNPJ. No mesmo período de 2020, esse índice alcançou 32%.

De acordo com o estudo, essa expansão deve-se à contribuição dos segmentos mais vulneráveis da sociedade, formados pelos grupos de baixa renda, baixa escolaridade e, principalmente, dos que trabalham por conta própria - que saíram da informalidade.

Pelo levantamento, o número de donos de negócios, que inclui tanto os empregadores quanto os trabalhadores por conta própria, oscilou de acordo com a intensidade da pandemia.

No segundo trimestre de 2020, considerado pelo estudo o pior momento da crise, o país perdeu 3,4 milhões de negócios, que foram reduzidos de 29 milhões – do período pré-pandemia -, para 25,6 milhões.

Nesse período de agravamento da crise, os empresários sem instrução foram os mais afetados, sendo que 32% deles fecharam. Já entre os empreendedores com nível superior de escolaridade, a queda foi de apenas 3%.

Após essa queda, aos poucos o número de donos de negócios voltou a crescer, alcançando 27,2 milhões no quarto trimestre de 2020.

Nesse período de recuperação, segundo o estudo, as formalizações foram puxadas pelos empreendedores sem instrução, que cresceram 21% enquanto os de nível superior tiveram alta de 7%.

“A crise causada pela pandemia mostrou que os grupos mais vulneráveis foram os mais afetados, que incluem pessoas baixa escolaridade, jovens, negros, mulheres e os informais. No entanto também mostrou que foram os que mais mostraram força de recuperação, mesmo que de forma parcial. Esses grupos encontram o caminho da formalização como alternativa de trabalho e renda, principalmente ao se tornarem microempreendedores individuais, MEI”, diz o presidente do Sebrae, Carlos Melles.

 

IMAGEM: Fátima Fernandes/DC





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