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"São Paulo não é terra sem lei"


A afirmação é do secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Mágino Alves Barbosa Filho (foto). Ele apresentou um balanço de seus quase dois meses no cargo na ACSP


  Por Wladimir Miranda 11 de Julho de 2016 às 20:37

  | Repórter vmiranda@dcomercio.com.br


Mesmo reconhecendo que o desemprego colabora e muito para o aumento da criminalidade, o novo secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Mágino Alves Barbosa Filho, avisou: “São Paulo não é uma terra sem lei”. Ele fez um balanço de seus quase dois meses de gestão à frente da pasta em evento na Associação Comercial de São Paulo (ACSP) nesta segunda-feira (11/07).  

“O desemprego aumenta o índice de roubos. Muitas vezes o cidadão de bem, que nunca havia praticado um delito, rouba por necessidade, em um ato de desespero. Isto ocorre, não é fantasia”, disse. 

O secretário garantiu que os investimentos em armamentos e aumento do efetivo estão sendo feitos para melhorar a segurança pública de São Paulo, apesar dos problemas econômicos do país.

O evento do qual o secretário participou foi presidido por Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).

Procurador de Justiça, Barbosa Filho assumiu a pasta em 17 de maio deste ano, ocupando o lugar de Alexandre de Moraes, que agora é Ministro da Justiça do presidente em exercício Michel Temer. .

A mesa foi composta também por Sérgio Turra Sobrane, atual secretário-adjunto da Secretaria de Segurança Pública, Roberto Schoueri, membro do Conselho Superior da ACSP e por Roberto Mateus Ordine, 1º vice-presidente da ACSP.

“A nossa secretaria comanda um efetivo de 132 mil homens, sendo 93 mil policiais militares, 35 mil policiais civis e 4,5 mil da polícia técnica e científica. Temos o efetivo mais bem treinado do Brasil.”

Mesmo sem dar números concretos, o secretário afirmou que a crise não impediu que o governo do Estado continuasse investindo em segurança.

“Com certeza, a Secretaria de Segurança Pública foi a que mais recebeu investimentos no Estado. O governo investiu mais em segurança do que nos outros setores. Só na compra de viaturas foram investidos R$ 164 milhões. Com isto, colaboramos para o crescimento da indústria automobilística”, disse.

Os estados do Rio de janeiro e Santa Catarina foram citados pelo secretário como exemplos de que a situação em São Paulo é melhor no que se refere à segurança pública.

“Houve um momento no qual as pessoas iam para Florianópolis, porque lá a situação da segurança era tranquila. Hoje, posso garantir que São Paulo é mais segura do que Florianópolis. Em relação ao Rio, não tenho dúvidas de que estamos bem melhores. Tanto é assim que São Paulo vai ajudar o Rio de Janeiro durante os Jogos Olímpicos”, afirma.

Além da aquisição de viaturas, São Paulo também está investindo em armamentos e em recursos humanos.

“A média de contratações, por concurso público, de policiais militares em São Paulo é de 6 mil homens e mulheres. Este ano, no primeiro semestre, já contratamos 5,8 mil policiais. Lembro que em muitos estados há muito tempo não se realizam concursos públicos para o aumento do efetivo”, afirma.

O secretário fez ressalvas ao sistema de policiamento formado por bases comunitárias.

“Eu prefiro o policiamento feito por policiais em carros e motos. Em uma base comunitária normalmente é necessária a presença de oito policiais. Eu penso que é mais eficiente que estes policiais circulem”, afirma.

Sobre os três grandes roubos a empresas de valores ocorridos em março (Campinas), abril (Santos), e na semana passada (Ribeirão Preto), atribuídos por delegados do Deic às ações do PCC (Primeiro Comando da Capital), e que renderam R$ 138 milhões aos criminosos, o secretário disse que não há nenhum dado concreto de que os atos foram praticados por este grupo. “Não há nada que prove que os atos foram praticados por alguma organização criminosa”, afirmou.

FOTO: Guto Camargo