Brasil

Romeu Zema, um varejista no governo mineiro


Estreante na política, ele comandou durante 26 anos as empresas da família e atualmente é membro do Conselho do Grupo Zema


  Por Estadão Conteúdo 28 de Outubro de 2018 às 20:01

  | Agência de notícias do Grupo Estado


O estreante na política Romeu Zema venceu o segundo turno para o governo de Minas Gerais, com 71,4% dos votos válidos. Com 77,14% das urnas apuradas, o ex-governador e senador Antonio Anastasia (PSDB) ficou em segundo lugar, com 28,6 dos votos válidos.

A vitória de Zema sobre um adversário bem mais conhecido confirma a surpresa do primeiro turno das eleições.

De perfil liberal, ele despontou em primeiro lugar na disputa, com 13 pontos percentuais de diferença, após aparecer em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto. Com o resultado, o atual governador, Fernando Pimentel (PT), não foi para o segundo turno.

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Fez campanha com base no discurso de renovação da política. Aproveitou a onda de apoio ao candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) a nível nacional e local.

Desde 1999, Zema era filiado ao PR, mas não se candidatou a nenhum cargo até este ano, quando se filiou ao partido Novo. O engenheiro e economista Paulo Brant será o vice-governador.

O programa de governo do candidato eleito prega redução de gastos públicos, privatização de empresas estatais e o fim de desonerações a setores específicos, além de ser contrário ao aumento de impostos e favorável ao que classifica como liberdade de empresas e das escolhas individuais. O futuro governador de Minas completou 54 anos neste domingo (28/10).

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Romeu Zema nasceu em Araxá, na região do Triângulo Mineiro, e é formado em administração de empresas pela Fundação Getúlio Vargas.

Em 1991, assumiu a gestão do Grupo Zema, empresa familiar que tem mais de 800 estabelecimentos em dez Estados brasileiros e que é composto por lojas de eletrodomésticos, distribuição de combustíveis, concessionárias e financeiras.

Comandou durante 26 anos as empresas da família e atualmente é membro do Conselho do grupo.

Em sua primeira participação em eleições, se candidatando pelo partido Novo ao governo mineiro, ele surpreendeu após sair de um patamar praticamente desconhecido e conseguir tirar o atual governador mineiro, Fernando Pimentel, do PT, do segundo turno.

Uma semana antes da votação do dia 7 de outubro, Zema ocupava a terceira colocação, com 10% das intenções de voto, mas terminou o primeiro turno na primeira colocação, com 42%, mais de 4 milhões de votos.

Por ser um novato na política, Zema procurou se colocar como alternativa "aos mesmos políticos de sempre" e se apresentou como gestor. Sua principal proposta é promover um enxugamento da máquina pública, com corte de cargos, secretarias e privilégios.

Liberal, ele também se mostrou favorável à privatização de empresas estatais, mas recuou e afirmou acreditar que as empresas devem se tornar "competitivas".

Além disso, ele assinou um compromisso, em cartório, de que só receberá o salário de governador após todos os servidores terem recebido os vencimentos.

O empresário também afirmou que pretende transformar o Palácio das Mangabeiras, residência oficial do governador, em um museu, mas não descarta a venda do local.

Sobre as áreas de saúde e segurança, em diversos momentos Zema alterou o plano de governo - e foi alvo de críticas de seu adversário no segundo turno, Antonio Anastasia, do PSDB.

O candidato do Novo disse ser favorável à utilização de parcerias com empresas de segurança privada na área rural e que pretende contar com instituições filantrópicas para finalizar a construção de hospitais.

 

FOTO: Partido Novo