Brasil

"Renúncia seria o melhor para o país e para a presidente"


É o que afirma Alencar Burti, presidente da FACESP e da ACSP, que neste domingo (13/03) participou, juntamente com milhares de empreendedores, da manifestação na Avenida Paulista


  Por Redação DC 13 de Março de 2016 às 17:30

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


O empresário Alencar Burti, presidente da Federação das Associações Comerciais de São Paulo (FACESP) e da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) declarava-se impressionado, na tarde deste domingo (13/03), com o massivo desfile de manifestantes que formavam a onda verde-amarela na Avenida Paulista.

"Com o movimento de nossa entidade esperávamos que atraísse entre dez mil e doze mil empreendedores", disse ele em frente ao Clube Homs, próximo à esquina com a Avenida Brigadeiro Luiz Antonio, onde foi montado um ponto de encontro para associados, que nos últimos dias foram convocados pelas entidades. Foi, segundo Burti, a maior manifestação de que a ACSP já se envolveu em seus 121 anos.

A FACESP, por seu lado, agrupa 120 mil empresas filiadas a mais de 400 entidades associativas espalhadas no Estado de São Paulo, que foram igualmente instadas a se engajar nas manifestações em suas respectivas cidades.

"Isso nos encanta porque quando há uma motivação, principalmente de empreendedores, o país acorda", afirmou. Para Burti, a lição que as ruas ensinam é que os políticos deveriam, a partir de agora, "pensar menos nos partidos e mais no país a fim de promover a necessária união neste momento grave."

ALENCAR BURTI (AO CENTRO): RENÚNCIA COMO SAÍDA HEROICA PARA A PRESIDENTE

Ante a expressiva manifestação popular, Burti entende que a presidente Dilma Rousseff deveria renunciar. "Seria a melhor solução para o país e para ela, que sairia engrandecida, em vez de banida", disse. A presidente, de acordo com o empresário, "deveria se livrar um pouco do mestre e procurar o direito que ela tem de uma saída heroica, pensando no Brasil e não somente no PT."

Roberto Ordine, primeiro vice-presidente da ACSP, lembrou que em sua longeva história a associação jamais deixou de participar de marchas cívicas e das lutas em defesa da liberdade, da livre iniciativa e, acima de tudo, da democracia.

ORDINE: LUTAS EM DEFESA DA DEMOCRACIA

"Para que possamos reconstruir o Brasil deixando um país melhor para as futuras gerações é que estamos aqui reunidos, desejando que este movimento abra os olhos da classe política e promova as reformas necessárias, sem as quais muitas empresas vão desaparecer."

Para Ordine, a corrupção não é privilégio do Brasil. "Mas ninguém poderia imaginar que ocorresse em uma dimensão que certamente não existe no mundo", disse. "Graças ao poder judiciário e, especialmente a este jovem juiz (Sergio Moro), agora temos a certeza de que serão colocados na cadeia aqueles que não merecem estar na rua."

Desde suas origens, a ACSP tem se posicionado como voz do empresariado. Quando a São Paulo de 1918 foi assolada pela chamada “gripe espanhola”, a Associação saiu em socorro à população, trabalhando para a criação de um hospital na cidade, a Policlínica.

De maneira semelhante, a entidade organizou frentes de assistência para garantir o abastecimento de alimento à população durante as revoluções de 1924 e 1932. Ainda que atuando como mediador, ao defender a anistia dos revoltosos, no movimento de 1924, José Carlos Macedo Soares, então presidente da entidade, foi detido pelo governo de Artur Bernardes e compelido em seguida a se exilar na Europa, de onde regressou em 1927.


 






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