Brasil

Receita Federal apreende 500 mil relógios contrabandeados


O alvo foi o shopping popular Korai, na região da 25 de março. A mercadoria apreendida é avaliada em R$ 50 milhões


  Por Wladimir Miranda 07 de Maio de 2019 às 17:18

  | Repórter vmiranda@dcomercio.com.br


A região da rua 25 de março voltou a ser alvo da Receita Federal nesta terça-feira, 7/05. Desta vez, a ação foi no shopping popular Korai, localizado na Barão de Duprat. No local, os agentes do fisco apreenderam relógios contrabandeados e falsificados em 123 lojas.

Batizada de Operação Chronos, a incursão da Receita estima que, até quinta-feira, 09/05, cerca de 500 mil relógios ilegais, no valor estimado de R$ 50 milhões, serão contabilizados como resultado da ação.

“São relógios fabricados fora do país. A maioria deles, pelo que constatamos, é de origem chinesa, com importação proibida. Estes relógios chegam ao país sem marcas, que são colocadas aqui”, disse Alan Towersey, auditor fiscal da Receita e comandante da blitz, que conta com 30 servidores, 20 carregadores e 30 guardas civis metropolitanos.

Trata-se da maior apreensão de relógios já feita no Brasil. A mercadoria vai para o depósito da Receita Federal. Os relógios que não tiverem a sua origem comprovada pelos comerciantes serão destruídos.

FÁBRICA DO CRIME

Além das lojas, o prédio funcionava como depósito e uma espécie de "fábrica": os clientes escolhiam o modelo de preferência e, na hora de pagar, qual seria a marca. "Eles colavam um adesivo com a marca que queriam", disse o secretário-executivo da Prefeitura Fábio Lepique, mostrando um selo da italiana Ferrari colado em seu relógio, um Apple Watch.

O comércio varejista, com escolha até da marca, como disse Lepique, era apenas um dos ramos. No atacado, os relógios eram vendidos para os Estados do Nordeste: o atacadista fazia a compra de dezenas ou até centenas de copiados de marcas como Rolex e Montblanc e os produtos eram enviados diretamente para o ônibus do sacoleiro, estacionado nas ruas do entorno, que de lá seguia para o restante do País. 

O prédio do shopping pertence ao empresário de ascendência chinesa Law Kim Chong. A Legislação prevê a lacração do complexo inteiro, uma vez que o shopping possuía só um alvará de funcionamento (e não para cada shopping).

Os envolvidos no comércio ilegal de relógios responderão, em liberdade, a processos administrativo e criminal.

Só as lojas que vendem relógios no shopping popular Korai foram alvo da Receita Federal e da GCM. Os demais estabelecimentos comerciais do shopping funcionaram normalmente durante a fiscalização.

A ação começou a ser planejada há três meses. Um escritório que representa fabricantes de relógio europeus contratou uma empresa de investigação particular paulista, que passou a colher provas na ação de falsificadores. Filmaram produtos, pessoas e locais. Depois, compartilharam as informações com a Prefeitura e a Receita Federal, que fizeram a blitz, depois de um planejamento que demorou três semanas. 

 

*Com Estadão Conteúdo

FOTO: Wladimir Miranda/Diário do Comércio