Brasil

Quem vai para o segundo turno? Veja as dúvidas


Primeira rodada de pesquisas com candidaturas já oficializadas aumentaram -em lugar de diminuir - as incertezas eleitorais. Sucessão de Temer será um jogo duro


  Por João Batista Natali 23 de Agosto de 2018 às 14:30

  | Editor contribuinte natali@uol.com.br


Existe uma única unanimidade com relação às eleições de 7 de outubro: nada ainda está decidido. Mas nesta quinta-feira (23/8), faltando apenas 45 dias para o primeiro turno, aqui vai um mapa das poucas certezas e muitas dúvidas.

1 – MARINA SILVA (Rede) – Ela ainda não é uma carta fora do baralho, por mais que, dentro de oito dias, passe a ter um tempo ridiculamente pequeno -menos de 25 segundos -no horário eleitoral. O Datafolha demonstrou que ela, em segundo lugar, depois de Bolsonaro, é quem mais herda o espólio de intenções de votos de Lula: 21%. O petista Haddad fica por enquanto com apenas 9%. Marina Silva é a candidata com penetração regional mais homogênea. Varia de 10% (Sul) a 23% (Norte), com quase um quarto das intenções no Sudeste, maior colégio eleitoral. Sua ruptura com o PT é levada a sério por empresários liberais, em razão da campanha hedionda que Dilma Rousseff moveu contra ela na campanha presidencial de 2014. Está bem nas redes sociais e tem boa penetração no eleitorado feminino.

 

 

2 – JAIR BOLSONARO (PSL) – Muitos analistas acreditam que o ex-capitão já atingiu seu pico. Sem Lula, o Datafolha lhe atribui a dianteira, com 22%, e o Ibope, com 20%. Atrai dois tipos de eleitores: os mais conservadores (segurança pública, costumes) e os que protestam contra o establishment político. Decidiu não participar dos debates pela TV, o que diminui seu tempo de exposição, já que seu horário na propaganda gratuita é pequeno. Apesar da influência do economista Paulo Guedes, seu peso entre os empresários já foi maior. Tem uma invejável penetração nas redes sociais. Carece de um apoio mais sólido no eleitorado feminino e de menor escolaridade.

 

 

 

 

3 – GERALDO ALCKMIN (PSDB) - Há duas correntes com relação às chances de ele chegar ao segundo turno. Os pessimistas notam sua baixa penetração em regiões como o Nordeste e Sul (5% e 6%, pelo Datafolha, 4% e 3%, pelo Ibope). Suas alianças regionais estão pouco motivadas. Mas os otimistas acreditam que esse quadro deverá melhorar com a propaganda na TV, onde ele terá bem mais tempo. Pesquisas qualitativas demonstram a desimportância das acusações de seu envolvimento em corrupção no Metrô e no Rodoanel. Tem para mostrar um bom saldo de feitos administrativos (segurança, educação, equilíbrio fiscal). Possui ainda a preferência do empresariado, por seu projeto de promover reformas.

 

 

 

4 – FERNANDO HADDAD (PT) – Enfraquecerá enquanto Lula insistir, apesar de preso, em se apresentar como candidato. Pelo Datafolha, tem apenas 6% em São Paulo e 3% no Rio e em Pernambuco. No Nordeste, os poucos que o conhecem o chamam, por homofonia, de “Andrade”. Herda menos intenções de voto de Lula que Marina e Ciro Gomes. Márcia Cavallari, diretora do Ibope, acredita que ele possa crescer 10 pontos. Como o instituto atribui a ele 4%, com a soma das duas porcentagens ele estaria fora do segundo turno. Mas pode crescer mais com o voto útil que desidrate o Psol e os partidos menores da esquerda. Como vantagens, terá um bom tempo de propaganda na TV e conta com uma parcela da classe média que continua a acreditar no PT e é dona de uma retórica do medo (fim dos programas sociais ou perda de novos direitos). Entre os potencialmente viáveis, tem o menor apoio no meio empresarial.

 

 

 

5 – CIRO GOMES (PDT) – Seu grande trunfo é o Nordeste, onde, pelo Ibope, ele tem 43% das intenções. Sua maior desvantagem é a de não ter alianças com outros partidos que garantam mais tempo de TV. Pelo Datafolha, ele chega às 9% de intenções com o aporte de uma parcela (13% do bolo original) dos que prefeririam Lula. O Ibope dá a ele 10%.Se permanecer nesse patamar, o ex-governador do Ceará não chega ao segundo turno. Pode alçar alguns degraus com a promessa de financiar as dívidas dos 63 milhões negativados pelo SPC. Uma promessa que tem pouco a ver com a esquerda que o apoia. O Datafolha lhe dá 9% no Sudeste e 8% no Sul, o que é pouco. Tem policiado a língua e evitado declarações que possam afundar sua candidatura, como já ocorreu no passado.

 

 

 

6 – ÁLVARO DIAS (Podemos) – É, por enquanto, o maior dos nanicos, sem margem de crescimento à vista. Tem 4% pelo Datafolha e 11% (possibilidade de escolher mais de um candidato) pelo Ibope.

 

Em dezembro, um instituto atribuiu a ele 33,5% de intenções, mas no Paraná, Estado que o elegeu governador e agora senador. Suas propostas são sedutoras (“refundar o Brasil” com a reforma do Estado), mas o que atrai eleitores é seu apego à Lava Jato e o projeto de institucionalizá-la como mecanismo de combate à corrupção.

 

FOTOMONTAGEM: Guto Camargo (imagens do Thinkstock)