Brasil

Protestos pelo impeachment começam nas capitais brasileiras


Manifestantes também apoiam a Operação Lava Jato e o fim do foro privilegiado em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Salvador


  Por Estadão Conteúdo 31 de Julho de 2016 às 12:26

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


A manifestação a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff em São Paulo, marcada para a Av. Paulista, começa a reunir pessoas na tarde deste domingo (31/07), segundo vídeo publicado pelo líder do movimento Vem Pra Rua, Rogerio Chequer, na página do movimento no Facebook.

O protesto foi marcado para as 14h e pretende fazer pressão para que o Senado confirme a saída da petista em votação prevista para o fim de agosto. "Estamos esperando por esse processo para desobstruir o Brasil, para trazer o emprego e a atividade econômica de volta", disse Chequer, no vídeo.

O líder do Vem Pra Rua, no entanto, fez questão de ressaltar que, mesmo após a saída de Dilma, o movimento continuará pressionando os políticos com outras reivindicações.

"É pra acabar com o foro privilegiado dos políticos, com esse viés do STF (Superior Tribunal Federal), pra mudar Renan Calheiros da presidência do Senado, pra limpar a política, é pela renovação", afirmou.

RIO DE JANEIRO

O protesto em Copacabana, pelo impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, terminou por volta das 13h30 deste domingo, depois de três horas. Ainda há um carro de som, em que manifestantes gritam palavras de ordem, mas o público já se dispersou. Os organizadores não deram uma estimativa de público, tampouco a Polícia Militar.

O público se concentrou em um trecho de cerca de 500 metros da pista da Avenida Atlântica, junto ao calçadão, entre os postos 4 e 5. A avaliação do Movimento Vem Pra Rua, que convocou o ato, foi de que a adesão "foi além da esperada".

"Estamos comemorando. As pessoas ainda estão mobilizadas. Achei que o clima de 'já ganhou' pudesse atrapalhar. Mandamos o nosso recado para a imprensa internacional: não toleramos mais a corrupção no Brasil" disse Adriana Balthazar, do Vem Pra Rua.

"Demos mais de 20 entrevistas para jornalistas da Nova Zelândia, Austrália, Holanda, China e Japão". Segundo Adriana, a presença dos jornalistas foi espontânea, estimulada pela presença internacional no Rio para a Olimpíada, que começa na próxima sexta-feira, 05 de agosto.

Turistas ouvidos pela reportagem não sabiam do que tratava a manifestação. "Não sei o que está acontecendo. Vi poucas notícias sobre a situação política no Brasil antes de vir", disse o engenheiro francês Guillaum La Pesq, de 26 anos, que veio para os Jogos.

"Estou explicando a ele que estas são pessoas que apoiam uma manobra política que vai contra mudanças sociais no país", contou a historiadora Aline Martins, de 28 anos, amiga do francês.

O diretor do Movimento Brasil Democrata, Casé Carvalho, fez discurso em que anunciou o recolhimento de assinaturas de brasileiros para pedir a "extinção do PT". Ele disse que a mobilização será feita no Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e outras cidades, no fim de agosto, passada a votação do impeachment no Senado.

"O PT não é um partido político, é uma facção criminosa, comparável ao Comando Vermelho. Temos de aproveitar a presença da imprensa internacional para mostrar que tudo está sendo feito de forma constitucional, já que a Dilma anda por ai dizendo que foi golpe", disse Carvalho.

BRASÍLIA

Terminou no início da tarde deste domingo (31/07) com a execução do Hino Nacional Brasileiro, a manifestação de grupos que pedem impeachment da presidente Dilma Rousseff, na Esplanada dos Ministérios.

Os organizadores, dos grupos Vem Pra Rua, Brasil Livre, Resistência Popular, Movimento Brasil de Alagoas, Limpa Brasil, Bloco pró-impeachment e Avança Brasil, esperavam contar com pelo menos 10.000 pessoas no protesto. Mas, segundo a Polícia Militar do Distrito Federal, eram cerca de 5.000 pessoas.

Durante o ato, que começou com concentração às 10 horas da manhã, os líderes de diferentes grupos pró-impeachment se revezavam no carro de som, fazendo discursos pelo afastamento definitivo de Dilma, contra a corrupção e em apoio à Operação Lava Jato

A maior parte das falas foi dividida entre pedidos para que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja convertido "de réu para prisioneiro" e tributos ao juiz Sergio Moro. 

Os manifestantes chegaram a cantar "Parabéns" e a desejar "muita saúde" para Moro, que faz aniversário nesta segunda-feira, 1º de agosto.

Foi simulado um cortejo e o enterro simbólico do governo Dilma. Ao longo do movimento, também foram feitos alertas ao presidente em exercício, Michel Temer. "Presidente Temer, tire os corruptos do seu governo", alertou, de cima do carro de som, Ricardo Noronha, porta-voz do movimento Limpa Brasil.

Com a aproximação da votação do processo de impeachment no Senado, os líderes orientaram os presentes a falar com os senadores ainda indecisos e a "encher" as caixas de e-mails dos parlamentares para que eles "não tenham dúvida" e "tirem definitivamente o PT do governo do Brasil."

Cartazes trazidos pelos manifestantes continham também críticas ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), por supostamente tentar deter a Lava Jato, e ao TSE que, segundo os manifestantes, não está comprometido em cassar a chapa Dilma-Temer. Outras causas, como a "Escola sem Partido", também marcaram presença.

Numa manhã ensolarada, o movimento foi pacífico e contou com a participação de famílias com crianças. A PM colocou 430 homens para fazer a segurança.

SALVADOR

A manifestação a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff ocorrida em Salvador, na Bahia, reuniu cerca de 500 pessoas neste domingo (31/07), informou a Agência Brasil. A estimativa é da Polícia Militar do Estado.

Os manifestantes, que se encontraram no Farol da Barra, pediram que o processo de afastamento da petista com mais rapidez.

O médico César Leite, líder do Movimento Vem Pra Rua Bahia, que organizou o ato, disse que a manifestação de hoje teve três pautas principais.

"Além de defendermos o processo de impeachment, prestamos apoio ao juiz Sérgio Moro com relação à Lava Jato, e ao Ministério Público Federal, principalmente com as dez medidas contra a corrupção", afirmou.

FOTO: Marcos Arcoverde / Estadão Conteúdo

Atualizado às 16h