Brasil

Protesto do Passe Livre começa com bloqueio e bombas da polícia


A manifestação contra o aumento das tarifas do transporte público foi dispersada pela Polícia Militar (PM) por volta das 19h30 desta terça-feira, mesmo antes de começar a se deslocar em passeata


  Por Redação DC 12 de Janeiro de 2016 às 19:17

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


Manifestantes liderados pelo Movimento Passe Livre (MPL) iniciaram no fim da tarde desta terça-feira (12/01) o segundo ato de protesto contra o aumento do transporte coletivo público em São Paulo. Desde o dia 9 as passagens do metrô e trens estaduais e dos ônibus municipais passaram de R$ 3,50 para R$ 3,80. 

Os manifestantes, jovens na maioria, foram impedidos pela polícia de descer a avenida Rebouças, contidos entre a avenida Paulista e a Bela Cintra por um cordão de isolamento. Os movimentos organizados então tentaram descer a Consolação por volta das 19 horas. Não demorou muito para o confronto acontecer.

Policiais dispersaram os manifestantes com bombas de efeito moral, que se dividiram pelas ruas paralelas à avenida Paulista. Alguns mascarados atearam fogo em sacos de lixo, impedindo a passagem de veículos.

TAMBÉM DESTA VEZ O PROTESTO TEVE BARRICADAS DE FOGO/Estadão Conteúdo

A manifestação contra o aumento das tarifas do transporte público coletivo de São Paulo foi dispersada pela Polícia Militar (PM) por volta das 19h30 de hoje (12/01), mesmo antes de começar a se deslocar em passeata.

Desde as 17h, os manifestantes se concentravam na Praça do Ciclista, localizada na Avenida Paulista. Eles pretendiam seguir até o Largo da Batata, na zona oeste, passando pelas avenidas Rebouças e Faria Lima.

No entanto, o policiamento autorizou a manifestação a ser feita apenas em direção ao centro, passando pela Rua da Consolação até a Praça da República. De acordo com o comando da PM, não haveria negociação com os manifestantes para alteração do percurso definido pela corporação.

Por volta das 19h30, parte dos manifestantes tentou driblar o forte policiamento para seguir em direção ao Largo da Batata, correndo no sentido da Avenida Rebouças, momento em que a polícia começou a disparar bombas de gás lacrimogêneo, de efeito moral, e a bater com cassetetes nos manifestantes.

A polícia passou a disparar também contra a multidão que permanecia na Praça do Ciclista, o que gerou correria. Os ativistas ficaram encurralados, tendo de um lado policiais da Tropa de Choque disparando bombas e, de outro, um cordão de policiais que impedia a saída dos manifestantes da praça. A polícia chegou a atirar uma bomba na sacada de um apartamento na Avenida Paulista.

Assim como aconteceu na última manifestação, sexta-feira passada (8/1), após a ação da polícia, parte dos manifestantes passou a atirar objetos nos policiais, a destruir lixeiras e incendiar objetos na rua.

A ação da polícia de tentar definir o percurso que a manifestação deveria seguir não é comum nas manifestações do Movimento Passe Livre (MPL). Geralmente, os manifestantes fazem uma assembleia e definem o caminho a ser percorrido pela passeata. O percurso então é informado aos policiais, que passam a seguir os manifestantes na caminhada. No entanto, na manifestação de hoje, a polícia definiu uma única opção para que os ativistas fizessem o protesto: pela rua da Consolação, com destino à Praça da República.

PRISÕES

Até às 15h30 de hoje, Guilherme Perissé, advogado de três manifestantes presos sexta-feira, não tinha conseguido acesso aos autos do processo.

“O que me causa espécie é que havia um juiz para definir prisão às 4 horas da manhã [madrugada do sábado]. Não consigo falar com um juiz para analisar o caso deles. Consegui o número do processo deles só agora”, disse Parissé, no Fórum Criminal da Barra Funda. Ele faz parte do grupo Advogados Ativistas.

De acordo com as secretarias, “mais da metade dos usuários do sistema de transportes (53%) não será impactada pela mudança na tarifa unitária porque são beneficiários de gratuidades, usam bilhetes temporais que não terão aumento ou são trabalhadores que já pagam o limite legal de 6% do salário para o vale-transporte".

"MOVIMENTO PODE CRESCER"

Para Mário Constantino, engajado no Movimento Rua Juventude Anti-Capitalista, a mobilização de 2016 tem possibilidade de ganhar corpo. “Em 2015 as manifestações ocorreram em meio ao passe livre para estudantes e à construção de corredores de ônibus. Havia um cenário desfavorável para mobilizar as pessoas. Em 2016, a situação é diferente. O cenário não é tão desfavorável”, disse Constantino.

Segundo a Secretaria Municipal de Transportes, responsável pelos ônibus municipais, e a Secretaria Estadual dos Transportes Metropolitanos, responsável pelo transporte dos metrôs e trens estaduais, o reajuste ficou abaixo da inflação acumulada desde o último reajuste, em 6 de janeiro de 2015.

A inflação acumulada neste período foi de 10,49%, enquanto o aumento das tarifas foi estipulado em 8,57% para o bilhete unitário.

A tarifa de integração entre ônibus e trilhos [metrô e trens] passarão de R$ 5,45 para R$ 5,92. Já os bilhetes temporais 24 horas, madrugador, da hora, semanal e mensal terão seus preços mantidos.

De acordo com as secretarias, “mais da metade dos usuários do sistema de transportes (53%) não será impactada pela mudança na tarifa unitária porque são beneficiários de gratuidades, usam bilhetes temporais que não terão aumento ou são trabalhadores que já pagam o limite legal de 6% do salário para o vale-transporte".

FOTO: ESTADÃO CONTEÚDO

*Com informações da Agência Brasil







Publicidade




Publicidade






Publicidade