Brasil

Precisamos refundar o Brasil, afirma o senador Alvaro Dias


O pré-candidato à presidência da República (à dir.na foto) falou para uma plateia de empresários na Associação Comercial de São Paulo. A entidade conduz ciclo de debates com os presidenciáveis


  Por Renato Carbonari Ibelli 05 de Julho de 2018 às 14:23

  | Editor rcarbonari@dcomercio.com.br


O senador Alvaro Dias, do Podemos, participou do ciclo de debates com presidenciáveis promovido nesta quinta-feira, 5/07, pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP). O pré-candidato falou em “refundar o Brasil” por meio de reformas como a política, a tributária e a Previdenciária.

Dias aparece com 4% das intenções de voto segundo a última pesquisa feita pelo Datafolha, realizada em junho. Em sua exposição, falou que o presidente eleito precisa aproveitar os primeiros meses de governo - quando está blindado pelo apoio popular - para emplacar as reformas mais duras.

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Sua proposta de reforma política está alinhada àquela em debate no Congresso. Envolve a chamada cláusula de desempenho - um índice mínimo de votos por partido -para tentar barrar a proliferação de siglas. “O Brasil tem uma fábrica de siglas partidárias alimentadas pelo fundo partidário. Tem 35 partidos registrados e 73 na fila de espera”, comentou o pré-candidato.

No contexto da reforma da Previdência, o senador falou em acabar com os privilégios de políticos e demais autoridades. A ideia central seria impedir o acúmulo de benefícios e auxílios. “Temos de eliminar esses privilégios se quisermos fazer com uma reforma da Previdência”, afirmou.

Seria algo complexo de se realizar, visto que tais privilégios são garantias previstas na Constituição. Ou seja, qualquer mudança passaria necessariamente pelos próprios congressistas. Mas Dias descartou formas alternativas de promover essa mudança, como a convocação de uma Assembleia Constituinte.

“Essa mudança à Constituição tem de partir do presidente da República, com o apoio da população. O Congresso apoiaria porque os políticos entendem que estamos no fundo do poço, mesmo aqueles que se aproveitam desse sistema atual. Temos de fazer um grande pacto nacional de governabilidade”, disse o pré-candidato.

Vale lembrar que a Previdência responde por grande parte (cerca de 65%) das despesas públicas. Pela proposta do senador, o saneamento dos gastos públicos também passaria pela redução dos ministérios, que hoje são mais de 30.

“Precisamos de 15, no máximo. Temos ainda 146 empresas estatais dependuradas nos ministérios. Muitas criadas pelo governo do PT e que funcionam como cabide de emprego. Temos de privatizar quase todas essas estatais”, disse Dias.

Outra reforma considerada urgente pelo senador é a tributária. Para uma plateia majoritariamente composta por empresários, ele disse ser possível reduzir a carga de impostos sem grandes impactos na arrecadação.

Sua proposta é reduzir a tributação sobre o consumo, estimulando as vendas na ponta, e implantar uma tributação progressiva sobre a renda, cobrando mais de quem ganha mais.

A proposta recebeu apoio de seu anfitrião, o empresário Alencar Burti (à esq. na foto que abre esta reportagem), presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp). “É preciso prestar atenção ao que diz o candidato: que é possível diminuir impostos sem que o governo perca receita. Isso porque com menos impostos a economia gira em ritmo maior, mantendo o nível da arrecadação”, disse Burti.

Para o senador, o atual sistema tributário seria o responsável pelo que chamou de colapso da indústria nacional. “Na década de 1970, os manufaturados respondiam por 60% das nossas exportações e as commodities, 30%. Hoje inverteu, os manufaturados são apenas 38% das nossas vendas”, afirmou.

PLATEIA DE EMPRESÁRIOS COM O SENADOR ÁLVARO DIAS NA ACSP: PROPOSTAS PARA MELHORAR O BRASIL
 

Além da tributação menor, o senador abordou a necessidade de juros menores para alavancar a economia. Para o pré-candidato, o Banco Central precisa ter uma independência maior sobre o sistema financeiro. Ele busca inspiração na autoridade monetária portuguesa para sua proposta.

“Em Portugal, quem define a taxa do cartão de crédito e do cheque especial é o banco central. Aqui, quem dita as regras é o monopólio das quatro instituições que controlam o sistema financeiro”, disse.

Também citou como relevante a implementação do Cadastro Positivo para reduzir o risco para quem empresta dinheiro, o que permitiria reduzir o custo do crédito, uma vez que o fator risco tem peso na formação do spread bancário.

No campo da segurança pública, Dias comentou que estuda uma proposta de criação de uma frente latino-americana de combate à produção de drogas e ao tráfego.

“No Brasil, 80% dos assassinatos têm origem nas drogas. O País é passagem para o tráfego, pelas nossas fronteiras, que não são monitoradas. O exército prorrogou até 2035 a implantação de um sistema para vigiar nossas fronteiras por falta de recursos. Claro que há recursos, o problema é que desviam o dinheiro.”

Em sua fala na ACSP, o pré-candidato criticou os aventureiros da política, indiretamente se dirigindo ao deputado Jair Bolsonaro, que hoje lidera as pesquisas de intenção de votos à presidente da República. “Quem nunca foi cogitado para ser síndico do prédio, ou chamado a ser prefeito de sua cidade, não pode ter a pretensão de ser candidato a presidente em um país cheio de dificuldades”, afirmou Dias.  

O próximo presidenciável confirmado no ciclo de debates promovido pela ACSP é Guilherme Afif Domingos (PSD). Sua participação está marcada para 23/07.

FOTOS: William Chaussê/Diário do Comércio