Brasil

Por que estamos fora da Copa


Neymar, a estrela brasileira, fez muito menos do que pode fazer. Bem marcado, insistia em armar jogadas pelo meio. Erro, aliás, repetido por todos os jogadores do Brasil


  Por Wladimir Miranda 06 de Julho de 2018 às 17:25

  | Repórter vmiranda@dcomercio.com.br


Eliminado pela emergente Bélgica por 2 a 1, o Brasil fica fora do maior campeonato de futebol do mundo. As atenções dos brasileiros agora se voltam para as eleições do final do ano, que vão definir o futuro do país. É o evento que vai exigir atenção e, sobretudo, seriedade da população brasileira.

No jogo em que o time precisava de mais criatividade, de fatos novos para surpreender os adversários, Tite tinha poucas alternativas no banco de reservas.

Tite tem méritos pelo futebol que o time exibiu nas Eliminatórias Sul Americanas. O treinador assumiu uma seleção que vinha fazendo uma péssima campanha no torneio classificatório.

Com Dunga no comando, o Brasil capengava.Tite entrou e arrumou a equipe. Porém, o grande erro de Tite foi insistir com os mesmos jogadores que atuaram nas eliminatórias.

A Bélgica começou o jogo ostentando uma invencibilidade de 23 jogos. A última derrota foi em 2016, em um amistoso contra a Espanha.

Os belgas têm a melhor artilharia da competição: 14 gols, média de três por partida. O time fez ao menos três gols em seus últimos dez jogos.

E mais: No jogo contra o Japão, virou um placar desfavorável de 2 a 0 para 3 a 2.

Do meio para frente, a Bélgica impressiona. Tem a saída de bola de De Bruyne, a clarividência de Hazard, a objetividade de Mertens e coleção assustadora de gols de Lukaku.

Todos são jogadores acostumados às principais ligas europeias. E têm a experiência de uma Copa do Mundo nas chuteiras.

Com uma campanha assim, a Bélgica mostrou logo o que queria do jogo. Montou uma muralha no setor defensivo. O Brasil não conseguia colocar em prática uma de suas principais virtudes: as jogadas pelos lados, com Willian e Neymar.

Além disso, a seleção de Tite mostrava um problema. Marcelo era lento na recuperação. Foi pelo seu lado que os belgas criavam as melhores chances para maçar.

Marcelo saiu de campo no início da partida com a Sérvia. Dores na coluna o impediram de enfrentar o México. Filipe Luís atuou em seu lugar. Mesmo sem a volúpia ofensiva de Marcelo, Filipe cumpriu bem a sua tarefa.

Só que Tite optou pela volta de Marcelo. E o seu setor virou uma avenida para os atacantes belgas.

O primeiro gol da Bélgica veio aos 12 minutos. Após cobrança de escanteio, a bola resvalou no ombro de Fernandinho e entrou. O goleiro brasileiro Alisson ficou estático no gol. Tinha de ter saído para interceptar o cruzamento.

O Brasil chegou à área da Bélgica várias vezes. Mas era lento e confuso na conclusão da jogada. Com a bola, a Bélgica saía em velocidade, invertendo os lados das jogadas. Que acabavam sempre no lado esquerdo da defesa brasileira. Marcelo sempre chegava atrasado.

E foi assim que surgiu o segundo gol belga. Em rápido contra-ataque, De Bruyne chutou forte de fora da área, sem defesa para Alisson.

O Brasil só foi criar uma boa chance aos 36 minutos, com Phillippe Coutinho, para boa defesa do goleiro da Bélgica.

Neymar, a estrela brasileira, fez muito menos do que pode fazer. Bem marcado, insistia em armar jogadas pelo meio. Erro, aliás, repetido por todos os jogadores do Brasil.

A Seleção Brasileira foi armada por Tite para exercer uma forte marcação sobre o adversário e atacar com velocidade pelos lados. No primeiro tempo contra a Bélgica não conseguiu fazer isto.

Roberto Firmino voltou no lugar de Willian. O Brasil tentou pressionar, mas errava passes em demasia. Foram mais de 50 erros.

O gol de Renato Augusto, aos 30 minutos, após lançamento de Coutinho, não conseguiu mudar o cenário da partida.

Faltou ousadia ao técnico. Vinícius Júnior, vendido pelo Flamengo ao Real Madrid, e Rodrygo, revelação do Santos, também negociado com o Real, poderiam ser duas boas opções para dar mais força ofensiva ao time.

Agora, resta esperar a Copa do Catar, em 2022.

***

Nosso repórter Wladimir Miranda trabalhou de 1982 a 2003 como jornalista esportivo. Cobriu as copas de 1990, na Itália, e de 1998, na França, além de inúmeros torneios internacionais, como a Copa Libertadores da América, Copa América e Mundial Interclubes. Foi repórter nas editorias de esportes da Gazeta Esportiva, Diário Popular, Agência Estado e Jornal da Tarde. É colaborador nas jornadas esportivas das rádios Globo e CBN AM. É autor da biografia Artilheiro indomável, as incríveis histórias de Serginho Chulapa, publicado pela Publisher, na terceira edição.

FOTO: Fifa/Divulgação