Brasil

Policial que agrediu comerciante pode perder a aposentadoria


O investigador José Camilo Leonel pediu o benefício antes de ser julgado pelo crime. Mas perderá se for indiciado, segundo a Secretaria de Segurança Pública


  Por Karina Lignelli 06 de Abril de 2016 às 19:08

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


Apesar do anúncio da conquista da aposentadoria na última semana, o investigador José Camilo Leonel, que agrediu o comerciante iraniano Navid Rasolifard Saysan em sua loja de tapetes nos Jardins, em janeiro, pode perder o direito ao benefício. Leonel pediu a aposentadoria antes de ser julgado pelos crimes de injúria, constrangimento ilegal, falsidade ideológica e corrupção passiva.

De acordo com a advogada Maria José de Souza Ferreira, que representa o comerciante, o investigador realmente conseguiu o afastamento remunerado e, a princípio, receberá o salário integralmente.

“Mas, se ele for condenado criminalmente, perderá o direito. Está previsto em lei”, afirma.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP) informa que a aposentadoria acontece à revelia da Polícia Civil, pois atende aos requisitos da legislação.

“A Corregedoria da Polícia Civil informa que o processo administrativo está em andamento e poderá resultar na cassação da aposentadoria”, diz o comunicado.

A advogada, que está em processo de distribuição das ações cíveis – inclusive contra a cliente Iolanda Delce dos Santos, pivô da agressão -, esclarece ainda que o inquérito está no fórum criminal, apenas aguardando denúncia da promotoria.

“Quanto ao processo administrativo, não temos acesso, já que ele é sigiloso pois envolve funcionário público”, afirma a advogada, que acredita ainda que há elementos para atribuir também ao investigador crimes de tortura e abuso.

MEMÓRIA
O investigador José Camilo Leonel foi flagrado por câmeras de segurança da loja agredindo o comerciante em 21 de janeiro.

O fato foi desencadeado pela venda de um tapete de R$ 5 mil à estudante de direito Iolanda Delce dos Santos, que desistiu da compra cerca de um mês depois e não obteve o ressarcimento que queria.

A estudante então chamou o investigador, que nas imagens das câmeras de segurança da loja de Navid aparece dando socos e apontando a arma para o comerciante. Também convocou policiais do GOE (Grupo de Operações Especiais) para intimidá-lo com um fuzil.

Apesar de negarem que se conheciam, um outro vídeo mostra que, pouco antes da agressão, o investigador e a estudante haviam se encontrado em um restaurante a poucos quarteirões da loja de tapetes.

A nota da SSP-SP informa ainda que o inquérito policial foi relatado para a Justiça no mês passado, com o indiciamento do investigador por injúria, constrangimento ilegal, falsidade ideológica e corrupção passiva.

“A estudante também foi indiciada por constrangimento ilegal, falsidade ideológica e exercício arbitrário das próprias razões (tentar fazer justiça com as próprias mãos)”, conclui o comunicado.

Foto: Estadão Conteúdo