Brasil

PMEs criaram 90% das vagas de abril


Comércio e serviços criaram mais de 27 mil vagas formais em abril, de acordo com a FecomercioSP. Apesar do saldo positivo, o desempenho dos quatro primeiros meses de 2019 foi aquém do mesmo período de 2018


  Por Redação DC 07 de Junho de 2019 às 14:06

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


Depois de fechar mais de três mil empregos formais em março, o mercado de trabalho dos setores de comércio (varejista e atacadista) e serviços no Estado de São Paulo geraram 27,3 mil postos de trabalho em abril, resultado de 317,6 mil admissões contra 290,2 mil desligamentos.

Com esse desempenho, os grupos encerram o mês com um estoque ativo de 10.107.860 vínculos empregatícios. Os destaques desse aumento ficaram por conta dos setores de transporte, serviços de saúde e supermercados – atividades essenciais, que possuem maior estabilidade apesar do menor ritmo de crescimento da economia no País.

Os dados compõem as pesquisas de emprego no comércio varejista, atacadista e setor de serviços do Estado de São Paulo (PESPs Varejo, Atacado e Serviços), apuradas mensalmente pela A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) com base nos dados do Ministério do Trabalho, por meio do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), e pelo impacto do seu resultado no estoque estabelecido de trabalhadores no Estado de São Paulo, calculado com base na Relação Anual de Informações Sociais (Rais).

Segundo a FecomerciosSP, embora o mês de abril tenha fechado com saldo positivo, é importante lembrar que o desempenho dos quatro primeiros meses de 2019 foi aquém do mesmo período de 2018, em razão da queda de confiança do empresário diante do baixo crescimento da economia e da demora nas tramitações das reformas Tributária e da Previdência no Congresso.

Para a Entidade, os levantamentos dos próximos meses (maio, junho e julho) indicam bons desempenhos em comparação ao mesmo período do ano passado, pois naquela ocasião estava ocorrendo a greve dos caminhoneiros, que impactou de forma negativa o mercado de trabalho, principalmente o comércio. Assim, os saldos devem seguir positivos, mas ainda não haverá a recuperação total das vagas perdidas em anos anteriores.

DESTAQUE PME

De acordo com a assessoria econômica da Federação, as micros e pequenas empresas se destacaram na abertura de vagas no quadrimestre: 90% das contratações foram por estabelecimentos com até quatro funcionários.

A Entidade ressalta que, se o varejo, que nesse período perdeu mais de 27 mil empregos, fosse formado apenas pelos pequenos, teria o saldo positivo em 15,6 mil vagas.

Segundo a Entidade, o bom desempenho é justificado pelo fato de esses grupos não conseguirem reduzir o número de trabalhadores em época de crise, pois já operam com o quadro apertado, e quando a demanda aumenta, precisam imediatamente fazer novas contratações.

Além disso, muitos estão localizados em bairros e conseguem manter a fidelidade do cliente em tempos difíceis, por causa do tratamento próximo e personalizado, estratégia que os diferenciam dos grandes.

O crescimento desse segmento também se deu pela alta de microempreendedores individuais, pois muitos deles perderam seus empregos celetistas durante os anos de 2015 e 2016 e se viram obrigados a partir para o empreendedorismo, contratando até um funcionário para o seu negócio.

NOVAS MODALIDADES

Desde janeiro de 2019, a FecomercioSP também apura os dados das novas relações designadas pela Reforma Trabalhista, por intermédio da Lei n.º 13.467/2017.

Além do caráter estatístico, são informações importantes ao empresário, já que novas possibilidades das jornadas de trabalho e desligamentos por acordo são alguns dos principais pontos ocasionados pela reforma.

Em abril, foram registrados 4.264 desligamentos por acordo entre empregado e empregador, no qual, entre outras características, ressalta-se pagamento de metade da multa rescisória sobre o saldo do FGTS (20%), prevista no § 1º do art. 18 da Lei n.º 8.036/1990, e saque de até 80% do saldo do FGTS por parte do trabalhador. Esse número corresponde a 1,47% do total de desligamentos gerais no mês. O setor de serviços (-2.936) foi o que liderou, seguido de varejo (-1.038) e atacadista (-290).

Na modalidade intermitente, foram abertos 1.923 novos postos no Estado de São Paulo, provenientes de 3.051 admissões contra 1.128 desligamentos.

O setor de serviços criou 1.128 empregos formais, seguido por varejo, com 791 novos vínculos; e atacado, que abriu somente quatro vagas.

Considera-se como intermitente o contrato de trabalho não contínuo, e ocorre com alternância de períodos de prestação de serviços e de inatividade, determinados em horas, dias ou meses, independentemente do tipo de atividade do empregado e do empregador, exceto ocupações regidas por legislação própria.

Já o trabalho parcial, jornada cuja duração não excede 30 horas semanais (CLT, art. 58-A), registrou 742 vínculos em abril. O setor varejista foi o que gerou mais postos de trabalho desta vez (545); serviços abriu 193 vagas; e atacado criou apenas 4 empregos formais.

VAREJO

O mercado de trabalho formal do comércio varejista gerou 3.527 postos de trabalho com carteira assinada, resultado de 80.973 admissões contra 77.446 desligamentos.

Dessa forma, o setor encerrou o mês com um estoque ativo de 2.069.159 vínculos empregatícios – leve alta de 0,6% em relação ao mesmo período do ano passado. O saldo de abril de 2019 foi o melhor resultado para o mês desde 2013. No acumulado dos últimos 12 meses, 13.292 novas vagas foram criadas.

Das nove atividades analisadas, sete geraram vagas em abril, com destaque para supermercados (1.995 vínculos) e lojas de eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamento (1.046 vínculos). Em contrapartida, os segmentos de outras atividades (-489 vínculos) e lojas de móveis e decoração (-267 vínculos) eliminaram postos de trabalhos formais no período.

ATACADO

O comércio atacadista no Estado de São Paulo criou 867 postos de trabalho com carteira assinada em abril, foram 16.512 admissões contra 15.645 desligamentos.

Com isso, o setor encerrou o mês com um estoque ativo de 516.769 vínculos empregatícios – alta de 1,5% em relação ao mesmo período do ano passado. No acumulado de 12 meses, foram cridas 7.544 vagas.

Dos nove segmentos analisados, sete geraram vagas em abril, com destaque para papel, resíduos, sucatas e metais (237 vínculos) e máquinas de uso comercial e industrial (215 vínculos). Por outro lado, sofreram retração os grupos de outras atividades (-82 vínculos) e produtos químicos, metalúrgicos e agrícolas (-81 vínculos).

SERVIÇOS

O setor de serviços no Estado de São Paulo retomou o ritmo e puxou o saldo positivo de contratações em abril – foram criados 22.986 empregos formais, provenientes de 220.118 admissões contra 197.132 desligamentos.

Com esse desempenho, encerrou abril com um estoque ativo de 7.521.932 postos de trabalho, maior patamar desde junho de 2015 – alta de 1,6% em relação ao mesmo período do ano passado. Nos últimos 12 meses, o saldo também foi positivo, com 119.749 vínculos.

Os 12 grupos analisados apontaram mais admissões do que desligamentos em abril, com destaque para os segmentos de transporte e armazenagem (5.017 vagas) e serviços médicos, odontológicos e sociais (4.831 vagas).