Brasil

PF prende líder do governo no Senado e banqueiro Esteves, do BTG


O senador Delcidio Amaral (PT-MS) tentou destruir provas contra ele e prejudicar as investigações. É a primeira vez que um senador é detido em pleno exercício do cargo


  Por Redação DC 25 de Novembro de 2015 às 09:50

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a Polícia Federal a deflagrar uma operação nesta quarta-feira, 25/11, que levou à prisão do senador Delcidio Amaral (PT-MS), investigado pela Operação Lava Jato. O parlamentar é acusado da tentativa de destruir provas contra ele e planejar a fuga de Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobrás.

Esta é a primeira vez que um senador com mandato em exercício é preso. A PF também fez busca e apreensão no gabinete do petista, no Senado, em Brasília, e nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Mato Grosso do Sul.

O STF tem agora 24 horas de prazo para encaminhar ao Senado as provas que reuniu contra Delcídio. A prisão deverá ser confirmada ou rejeitada  pelos demais senadores, em sessão para a qual não há prazo de convocação.

Com a prisão de Delcídio, a liderança do governo no Senado passa a ser exercida provisoriamente por Wellington Fagundes (PR-MT). Por mais que ele não seja petista, trata-se de um parlamentar de confiança do Planalto.

A prisão de Delcídio é grave por levar a Lava Jato para o entorno imediato de Dilma Rousseff. O senador preso, além de líder petista no Senado, era um dos mais próximos conselheiros da presidente, integrando o conselho político que se reune periodicamente no Planalto desde que o mandato presidencial passou a ser ameaçado de impeachment.

Além da prisão dele, a Polícia Federal prendeu também, no Rio, o banqueiro André Esteves, presidente do BTG Pactual, e Diogo Ferreira, chefe de gabinete da liderança do governo no Senado.

 

ESTEVES, DO BTG

As prisões foram autorizadas pelo STF e também têm como alvo empresários. A intervenção do Supremo, necessária na medida em que Delcídio exerce um mandato eletivo, não se caracteriza como uma fase da Lava Jato, operada em Curitiba, na 1ª instância da Justiça Federal.

Em reunião da Turma do Supremo Tribunal Federal que toma as decisões sobre a Operação Lava Jato, o ministro Teori Zavascki disse que o senador Delcídio Amaral (PT-MS) prometeu interceder junto a Corte para libertar o ex-diretor da área Internacional da Petrobras.

Ele relatou aos demais ministros que o senador ofereceu R$ 4 milhões e mais R$ 50 mil mensais a Cerveró, caso ele não aderisse à delação premiada. Delcídio conversou com o filho de Cerveró sobre um plano para fazê-lo sair do país, rumando para o Paraguai e em seguida para a Espanha, num jatinho Fanton 50 fretado. Serveró tem dupla nacionalidade e é também cidadão espanhol.

O senador estava certo de que o ex-diretor estaria de acordo com o projeto de fuga. Mas numa dessas conversas, num hotel de Brasília, o filho de Cerveró gravou a conversa, e a gravação foi entregue ao Ministério Público. A entrega da fita foi o gesto pelo qual Cerveró decidiu iniciar o processo de delação premiada.

O potencial de estragos da delação nas fileiras do governo e do PT e partidos aliados ainda não é conhecido, mas a suposição é de que será algo bombástico.  

Dulcídio também prometeu que mobilizaria suas supostas boas relações no STF para permitir que Cerveró não fosse libertado para com isso deixar clandestinamente o país.

O ministro Teori relatou ainda uma atuação concreta e intensa de Delcídio e André Esteves, presos nesta quarta-feira, 25, para evitar a delação de Cerveró. 

Nestor Cerveró está preso desde janeiro deste ano. Ele já foi condenado na Lava Jato por corrupção e lavagem de dinheiro.

Segundo Teori, a investigação mostra que Delcídio não medirá esforços para "embaraçar a Lava Jato". André Esteves teria, ainda, uma cópia da delação premiada de Nestor Cerveró. No depoimento, o ex-diretor narra crime de corrupção por Delcídio na compra da Refinaria de Pasadena, nos EUA.

O senador é suspeito de ter recebido R$ 1,5 milhão, parte da propina de US$ 15 milhões, paga pela empresa belga Astra à Petrobrás para que Pasadena fosse comprada, o que caracterizou um desastroso mau negócio. A informação está na delação premiada do lobista Fernando Baiano. Na época, o presidente do conselho de administração da estatal era Dilma Rousseff, que, no entanto, argumenta ter sido induzida a erro por estudos incompletos.

O banqueiro, segundo a gravação comprometedora a Dulcídio, seria o avalista da operação de suborno e de pagamento da mesada ao ex-diretor da Petrobras. Seria um "contrato", diz o senador, numa das gravações.

O senador foi preso no hotel Golden Tulip, onde mora em Brasília, mesmo local onde na terça-feira, 24, a PF prendeu o empresário José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Delcídio foi citado na delação do lobista Fernando Baiano, apontado pela Lava Jato como operador de propinas no esquema de corrupção instalado na Petrobras entre 2004 e 2014.

Quanto a André Esteves, outras informações que circulam em Brasília dão conta de seu envolvimento em operações nas quais a Petrobras sofreu forte prejuízo, parte dele no continente africano. Essas operações permitiram a arrecadação de fundos em seguida canalizados para os cofres eleitorais do Partido dos Trabalhadores.

*Com informações e fotos de Estadão Conteúdo





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