Brasil

PF prende José Dirceu em Brasília na Operação Pixuleco


Prisão preventiva foi decretada pelo juiz Sérgio Moro. A PF incluiu a JD Assessoria e Consultoria em um grupo de 31 empresas suspeitas de promoverem operações de lavagem de dinheiro


  Por Estadão Conteúdo 03 de Agosto de 2015 às 09:57

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


O ex-ministro José Dirceu foi levado para a Superintendência da Policia Federal em Brasília. Depois de ter prisão preventiva decretada pelo juiz Sérgio Moro, que conduz a Operação Lava Jato na 1ª instância, o ex-ministro deixou sua casa na manhã desta segunda-feira, (3/08), levado por quatro agentes da Polícia Federal. Dois carros da PF deixaram a casa de Dirceu, no Lago Sul em Brasília, às 7h58.

O ex-ministro cumpria prisão em regime aberto após ter sido acusado no julgamento do mensalão. Ele foi levado à Superintendência da Polícia Federal em Brasília e aguarda definição do Supremo Tribunal Federal (STF) para que seja transferido para Curitiba, para onde estão sendo levados os demais presos da Lava Jato.

Como Dirceu cumpre pena por resultado de julgamento do STF, ele depende de autorização da Corte para ser transferido.

O ex-ministro deixou sua residência vestindo uma camisa azul, calça social e terno e não foi algemado. Ele aparentava tranquilidade e foi levado no banco de trás de uma caminhonete da PF. Dois carros caracterizados da Polícia entraram na garagem da casa do ex-ministro para levá-lo.

Dirceu está sob investigação por suposto recebimento de propinas disfarçadas na forma de consultorias, por meio de sua empresa JD assessoria, já desativada.

A Polícia Federal incluiu a JD Assessoria e Consultoria em um grupo de 31 empresas "suspeitas de promoverem operações de lavagem de dinheiro" em contratos das obras da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco - construção iniciada em 2007, que deveria custar R$ 4 bilhões e consumiu mais de R$ 23 bilhões da Petrobras.

O documento é o primeiro de uma série de perícias técnicas da Polícia Federal que apontam um porcentual de desvios na Petrobras de até 20% do valor de contratos. O porcentual é superior aos 3% apontados até aqui nas investigações da Operação Lava Jato, que incluía apenas a propina dos agentes públicos e políticos.

"Foi identificada movimentação financeira da ordem de R$ 71,4 milhões, tendo como origem Construções e Comércio Camargo Corrêa S/A e como destino as seguintes empresas, suspeitas de operarem lavagem de dinheiro: Costa Global Consultoria e Participações, JD Assessoria e Consultoria; Treviso do Brasil Empreendimentos e Piemonte Empreendimentos", registra o laudo 1342/2015 presente nos autos da Lava Jato.

O irmão do ex-ministro, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, também foi preso, em Ribeirão Preto (SP), em uma operação que não contou com os agentes da PF na cidade do interior paulista. Levado de carro para Guarulhos por agentes da operação Lava Jato, será encaminhado para Curitiba, onde se concentram as investigações da Operação Lava Jato.

OPERAÇÃO PIXULECO

A 17ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada nesta segunda-feiraque tem como alvo principal o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, foi batizada de Operação Pixuleco. O nome é uma referência ao termo usado pelo ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto para falar sobre o dinheiro cobrado de empreiteiras do cartel que atuava na Petrobrás.

São cumpridos desde as 6 horas três mandados de prisão preventiva, cinco de prisão temporária, 26 de busca e apreensão e seis de condução coercitiva. As ordens são do juiz federal Sérgio Moro, que conduz os processos da Lava Jato, em Curitiba, para onde serão levados os presos.

A força-tarefa da Lava Jato aponta que a JD Assessoria e Consultoria cumpria a mesma função das empresas de fachada do doleiro Alberto Youssef, alvo central da investigação sobre desvios, fraudes e corrupção na Petrobrás.

Elas emitiam notas fiscais para as maiores empreiteiras do País por assessorias e outros serviços fictícios. A JD também soltou notas fiscais por serviços que não teriam sido realizados, segundo suspeitam os investigadores.

FOTO: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo