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Pedro Parente deixa a presidência da Petrobras


Nos dois anos em que esteve à frente da Petrobras, Pedro Parente bancou medidas impopulares para sanear as contas da petroleira mais endividada do planeta


  Por Estadão Conteúdo 01 de Junho de 2018 às 11:36

  | Agência de notícias do Grupo Estado


Pedro Parente, presidente da Petrobras, pediu demissão do cargo nesta sexta-feira, 1/06. O comunicado foi feito em fato relevante divulgado ao mercado. Antes do pedido, Parente se reuniu com o presidente Michel Temer, no Palácio do Planalto. O encontro ocorreu após o governo lançar medidas com custo de R$ 13,5 bilhões para baixar o preço do diesel e ajudar a encerrar a greve dos caminhoneiros.

O comunicado da Petrobras informa que “a nomeação de um CEO interino será examinada pelo Conselho de Administração da Petrobras ao longo desta sexta. A composição dos demais membros da diretoria executiva da companhia não sofrerá qualquer alteração”.

Às 11h20, logo após o anúncio da demissão de Parente, a Bolsa de Valores de São Paulo registrou queda. Em aviso de fato relevante, a estatal informou que as negociações das ações PETR-N2 foram suspensas das 11h22 às 11h42, mas as operações já foram retomadas.

Por volta das 11h30 , o papel da companhia no exterior (ADR) perdia 15% em Nova York. Com o fim da suspensão das negociações dos papéis da Petrobras, as ações preferenciais (com prioridades na distribuição de dividendo) chegaram a cair 14,17% e os papéis ordinários (com direito a voto) caíam 13,65%. 

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Nos dois anos em que esteve à frente da Petrobras, Pedro Parente bancou medidas impopulares para sanear as contas da petroleira.

Além de implementar uma nova fórmula para reajuste dinâmico dos preços dos combustíveis, posicionou-se contra a política de conteúdo local, desagradando a indústria nacional, e levou adiante um ambicioso plano de desinvestimentos, que resultou em inúmeras disputas judiciais e precisou ser revisado por determinação do Tribunal de Contas da União. 

Parente teve o nome aprovado pelo Conselho de Administração da petroleira em 30 de maio de 2016, assumindo o cargo de presidente da companhia em seguida, em substituição a Aldemir Bendine.

Na época, um dos maiores temores do mercado era a forte concentração de vencimentos da dívida da companhia em um prazo de três anos, em um momento em que o caixa estava fragilizado pela política de controle de preços adotada no governo Dilma Rousseff e sofria com a queda do preço do petróleo.

Sob sua gestão, a Petrobras enxugou em mais de 15 mil pessoas o corpo de funcionários, por meio de duas rodadas do Plano de Demissão Voluntária (PDV).

A companhia arrecadou mais de US$ 17 bilhões com a venda de ativos, com destaque para as fatias do Campo de Roncador e Carcará e de uma parcela da BR Distribuidora.

O executivo ainda costurou um acordo de US$ 2,95 bilhões para encerrar a ação coletiva movida por investidores nos Estados Unidos. A proposta figurou entre as dez maiores já fechadas pela Justiça norte-americana em ações semelhantes nas últimas décadas.

Elogiada por especialistas e economistas, a repercussão positiva da administração de Parente no mercado financeiro fez o executivo ter seu nome cogitado para a liderança do Ministério da Fazenda, no lugar de Henrique Meirelles.

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Líder do PSDB na Câmara dos Deputados, o deputado federal Nilson Leitão lamentou a saída de Pedro Parente da presidência da Petrobras, após o pedido de demissão.

"Ele tinha uma ideia fixa de como recuperar a Petrobras depois da estatal ter ficado destruída com o governo Dilma, o que já estava acontecendo", disse o deputado. 

Leitão afirmou que Parente é um "grande executivo", que repercutia segurança na política da Petrobras perante o mercado.

"Todo esse episódio da greve dos caminhoneiros foi minando essa percepção de que a Petrobras tinha adquirido eficiência corporativa, com política independente de preços, mostrando independência em relação ao governo, e de que as estatais estavam melhorando a governança corporativa", avaliou o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otávio de Souza Leal. disse. "E a saída do Parente é o desfecho dessa história."

Para Leitão, a política de preços da Petrobras adotada por Parente foi necessária, sendo que a mudança em torno dos preços dos combustíveis deveria estar focada no problema tributário do Brasil. "A situação como está é muito mais pelos impostos do que pela política de preços da estatal", disse o parlamentar.

 

IMAGEM: José Cruz/Agência Brasil