Brasil

Para Goldfajn, Brasil vive recessão mais severa da história


O presidente do BC disse, nos Estados Unidos, que há um processo de desinflação em curso, e que o compromisso do governo é fazer reformas estruturais


  Por Agência Brasil 07 de Outubro de 2016 às 14:28

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


O Brasil está experimentando a recessão mais severa de sua história, disse Ilan Goldfajn, o presidente do Banco Central (BC), no Encontro Anual do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington, nos Estados Unidos, iniciado nesta quinta-feira (06/10).

De acordo com Goldfajn, no último ano e meio, o Produto Interno Bruto (PIB) caiu 7%, e a taxa de desemprego chegou a 12%, após ter ficado em 6% em 2013. 

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Ao mesmo tempo, a inflação atingiu 11% no final de 2015, e espera-se que termine 2016 levemente acima de 7%.

“Estes desenvolvimentos foram equivalentes a um choque de oferta, e os efeitos da desaceleração global foram ampliados pela adoção de políticas internas distorcidas. A economia brasileira sofreu uma crise de confiança gerada por problemas fiscais”, disse.

O presidente do BC  afirmou que a deterioração nas contas públicas levou as expectativas para a dívida bruta a 80% - alo em torno de 90% do PIB. 

“Adicionalmente, eventos políticos e não econômicos agravaram a falta de confiança. Mais recentemente, a incerteza política diminuiu e o novo governo está avançando em uma agenda de política econômica ampla.”

INFLAÇÃO

Como já havia dito há alguns dias, em audiência pública no Senado, o presidente do BC reforçou no Encontro que a evolução dos preços indica que está em curso um processo desinflacionário, mas ainda é incerta a velocidade dessa desinflação.

Ele reafirmou que o BC está comprometido a levar a inflação para a meta mantendo-a estável, o que ajudará na recuperação da confiança e do crescimento econômico. 

Goldfajn destacou que esse compromisso é para todo o período em que há meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional - o que inclui 2017. No próximo ano, o propósito do BC é fazer a inflação convergir para o centro da meta de 4,5%.

Segundo Goldfajn, a economia tem mostrado sinais de estabilização depois de contrair por seis trimestres e a confiança em recuperação já cresceu.

ESTRATÉGIA POLÍTICA

Goldfajn disse que o governo está seguindo uma estratégia política que já provou ser sucesso anos atrás, baseada em responsabilidade fiscal, metas de inflação e regime cambial flutuante (com taxas de câmbio definidas no mercado).

O presidente do BC destacou ainda que o governo atual tem forte compromisso com reformas estruturais que garantam a sustentabilidade da dívida pública ao longo do tempo. 

Ele citou a emenda constitucional que limita os gastos públicos, em análise pelo Congresso Nacional, e lembrou que o governo enviará uma proposta de reforma previdenciária aos parlamentares em breve.

“Além da política fiscal, a nova administração vai avançar em uma agenda ampla de reformas estruturais para aumentar a produtividade e o crescimento de longo prazo. A agenda inclui iniciativas para fomentar o investimento em infraestrutura, privatização e reforma trabalhista.”

FOTO: Marcelo Camargo/Agência Brasil 






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