Brasil

País tem primeiro protesto nacional anti-Temer


Manifestações em São Paulo (foto) e outros 24 estados e no Distrito Federal contaram com participação de movimentos sociais, sindicais e políticos. CUT promete greve geral


  Por Estadão Conteúdo 11 de Junho de 2016 às 13:26

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


A primeira manifestação de caráter nacional contra o governo do presidente em exercício Michel Temer foi realizada ontem em 24 Estados e no Distrito Federal, com a presença de Lula e líderes petistas.

Os protestos foram organizados pelas frentes Brasil Popular e Povo sem Medo - que congregam entidades ligadas aos movimentos sociais e à defesa dos direitos dos trabalhadores - com a participação de representantes dos estudantes e da classe artística.

Em São Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou do protesto na avenida Paulista, onde quatro quarteirões foram fechados. Os organizadores estimaram um público de 100 mil pessoas. A Polícia Militar não informou o número aproximado de manifestantes.

Em um discurso de 35 minutos, com voz rouca, Lula defendeu o legado das administrações petistas, afirmando terem sido responsáveis pela "maior revolução social do País". Ele criticou a extinção de ministérios do governo Temer. "Era melhor ter tirado o Ministério da Fazenda ou do Planejamento do que os ministérios que cuidam dos pobres".

O ex-presidente provocou o presidente interino a deixar o cargo. Lula disse que não "fica bem" para ele gritar "Fora Temer", mas afirmou que o peemedebista "não agiu corretamente" ao assumir a presidência e exortou: "Temer, você é um constitucionalista. Permita que o povo retome o poder, participe das eleições em 2018."

O ex-presidente chegou a chorar ao lembrar das acusações das quais é alvo no âmbito da Operação Lava Jato. Disse que não perdoa quando alguém tenta incriminá-lo e que as denúncias são uma tentativa de manchar a sua imagem. "Quanto mais me provocam, mais corro o risco de ser candidato a presidente em 2018", declarou.

Além de Lula, estiveram presentes no ato em São Paulo o presidente nacional do PT, Rui Falcão, e as principais lideranças das centrais sindicais e movimentos sociais. "Se passar a pauta conservadora e a reforma da Previdência e trabalhista, vamos organizar a maior greve geral que esse País já viu", ressaltou o presidente da CUT, Vagner Freitas.

No Rio de Janeiro, os manifestantes se reuniram ao redor da Igreja da Candelária, no centro. Além de Temer, foram alvo do protesto Cunha e o deputado Pedro Paulo Carvalho Teixeira (PMDB-RJ), pré-candidato a prefeito do Rio e que, no ano passado, admitiu ter agredido a ex-mulher. A instituição não estimou o número de participantes. Organizadores calcularam em 800 o número de pessoas presentes.

No Sul, o frio de 8º C não impediu que cerca de mil manifestantes, segundo a Brigada Militar, protestassem contra o governo interino no centro de Porto Alegre. 

No Nordeste, o ex-ministro de Dilma Jaques Wagner (Casa Civil) e o ex-presidente da Petrobrás José Sérgio Gabrielli participaram do ato que terminou na praça Castro Alves. Em Teresina, os manifestantes se misturaram às pessoas que acompanhavam a tocha olímpica, tentando apagá-la, sob o grito de "Fora Temer" e "Por novas eleições".

Em Palmas e em Fortaleza, houve protestos contra a TV Globo. Na capital de Tocantins, foram arremessados ovos e tintas na fachada da afiliada. No Ceará, a recepção da TV Verdes Mares chegou a ser ocupada por manifestantes. 

Imagem: Agência Brasil