Brasil

Osmar Serraglio é o novo ministro da Justiça. Quem?


Em nomeação que poderia ter abrilhantado o governo com Carlos Velloso (ex-STF, que recusou o convite), Temer preferiu contentar a bancada federal do PMDB


  Por João Batista Natali 23 de Fevereiro de 2017 às 16:00

  | Ex-correspondente da Folha de S.Paulo em Paris, é autor "Jornalismo Internacional" (Contexto)


O deputado federal paranaense Osmar Serraglio (PMDB), 68 anos, será o novo ministro da Justiça, em substituição a Alexandre de Moraes, indicado para o Supremo Tribunal Federal (STF).

Com a escolha de Serraglio, o presidente Michel Temer procura sobretudo contentar a bancada do PMDB na Câmara dos Deputados, que se movimentava com um certo mau humor, em razão do pouco espaço que acreditava ter no governo.

Tal sentimento ganhou força quando, em substituição ao peemedebista Geddel Vieira Lima -  defenestrado em dezembro após usar o cargo em favor de um investimento imobiliário pessoal, em Salvador (BA) -, Temer o substitui na Secretaria de Governo pelo deputado federal Antônio Imbassahy, do PSDB.

Eleito pela primeira vez em 1999 e exercendo agora seu quinto mandato, Serraglio é um homem de confiança de Temer, que se projetou em 2005 como relator da CPI dos Correios, que deu origem às investigações sobre o Mensalão.

Na época um deputado pouco expressivo e em segundo mandato, Serraglio se tornou personagem de projeção nacional com o escândalo, revelado durante os trabalhos da comissão, que comprometia o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) na coleta de suborno de fornecedores dos Correios.

HOMEM DE CONFIANÇA DE CUNHA

Mais recentemente, Serraglio passou a ser identificado no Congresso como um dos homens de confiança do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ex-presidente da Câmara dos Deputados, cassado por seus pares em plenário e hoje preso em Curitiba.

Por influência de Cunha, tornou-se, em maio de 2016, presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.

Retribuiu o favor ao padrinho político ao manobrar, dois meses depois, para encerrar uma sessão que trataria da cassação de Cunha. Serraglio argumentou inexistirem “motivos aparentes” para a acusação de que Cunha mentiu ao afirmar não ter contas em bancos estrangeiros.

Na época, Serraglio deu declarações em favor de uma anistia na Comissão de Ética em favor do então presidente da Câmara. A proposta, caso tivesse prosperado, teria salvo o mandato de Cunha, já na época comprometido em outras investigações, como a Lava Jato.

Em abril do ano passado, em gesto de fidelidade simultânea a Cunha e a Temer, Serraglio fez parte do bloco do PMDB na Câmara que votou pelo impeachment de Dilma Rousseff.

No currículo de Serraglio há também a votação, em 29 de novembro último, da emenda substitutiva que modificou as 10 Medidas Anti-Corrupção, propostas pelo Ministério Público Federal e que chegaram ao Congresso com 2 milhões de assinaturas sob a forma de emenda popular.

Esse conjunto de atributos dá a Osmar Serraglio um perfil bem mais baixo que o merecido pelo Ministério da Justiça. Indagado sobre a Lava Jato nesta quinta pela repórter Andréia Sadi, ele respondeu: "É intocável. E uma questão judical."

Serraglio tem uma estatura incomparavelmente inferior à de Carlos Velloso, ex-ministro do STF que foi a primeira opção de Temer, mas que acabou rejeitando o convite para prosseguir em seu escritório de advocacia.

Com o PMDB “pacificado” pela entrada de Serraglio no ministério, Temer está à vontade para substituir José Serra, que se demitiu por razões de saúde nesta quarta-feira (22/02), por um nome de confiança do PSDB.

Nesta quinta (23/02), José Serra conversou com o senador Aécio Neves (PSDB-MG), presidente nacional do partido, para elaborar uma lista de opções a ser levada a Michel Temer.

 

FOTO: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil