Brasil

Operação Lava-Jato aprimorou combate à corrupção nas empresas


Para Caio Magri, diretor do Instituto Ethos, setor de infraestrutura foi atingido por um tsunami, mas há um lado positivo


  Por Estadão Conteúdo 13 de Dezembro de 2017 às 14:10

  | Agência de notícias do Grupo Estado


O setor de infraestrutura no Brasil foi atingido por um "tsunami" com a crise econômica que atingiu o País nos últimos anos e com os esquemas descobertos pela Operação Lava Jato, mas os eventos não são necessariamente negativos.

A afirmação foi feita por Caio Magri, diretor presidente do Instituto Ethos, na abertura do "Fórum Estadão - Infraestrutura: Investimentos e geração de empregos", realizado nesta quarta-feira (13/12), em São Paulo.

Na sua avaliação, o ajuste pode se provar "positivo do ponto de vista de gerar oportunidades e construir novos processos", além de promover maior transparência entre as relações público-privadas.

"Neste momento, temos grandes desafios. É necessário rever, revisitar, proporcionar uma profunda autocrítica de como podemos criar uma nova relação público-privada, baseada na integridade e transparência", disse Magri.

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A repercussão gerada pela crise econômica e investigações anticorrupção, como a Operação Lava Jato, impôs melhorias ao setor.

"Só é possível transformarmos as antigas práticas, antigos modelos de negócios, se houver um avanço setorial", disse Magri. "A boa notícia, que precisa ser comemorada, é de que as principais empresas do setor estão se transformando."

Segundo ele, os mecanismos internos de integridade das empresas evoluíram e adquiriram independência nas companhias. "As mudanças nas empresas são importantes, mas o mercado precisa mudar", reforçou.

O presidente do Ethos ainda completou que é preciso modificar também a integridade que rege as instituições brasileiras. De acordo com Magri, a criação de um novo modelo de relação público-privada baseada na integridade e transparência é um desafio para 2018 e fundamental nesse momento de retomada econômica. Magri também citou a questão política e eleitoral. "É preciso pensar em melhor escolha dos eleitos. Uma reforma política profunda ajudaria."

Além disso, Magri afirmou que o Ethos propõe a criação de um Plano Nacional de Integridade com três tipos de medidas: reformas institucionais, ações para agravar o custo da corrupção e de prevenção.

Ele citou, por exemplo, que são necessárias medidas para que o Estado responda por suas responsabilidades, de alteração do processo penal e revisão das normas de licitação e contas públicas, de regulamentação do lobby e de ampliação de estímulos à atividade empresarial.

IMAGEM: Thinkstock