Brasil

Obrigado, Neymar


Com gols de Neymar e Firmino, o Brasil derrotou o México e está nas quartas de final da Copa da Rússia. Sexta-feira, às 15hs, enfrenta a Bélgica que, de virada, eliminou o Japão também nesta segunda-feira, por 3 a 2


  Por Wladimir Miranda 02 de Julho de 2018 às 13:28

  | Repórter vmiranda@dcomercio.com.br


O astro brasileiro, muito criticado nas primeiras partidas, brilhou na vitória brasileira sobre o México por 2 a 0. Fez um gol e deu passe para outro. Casemiro, suspenso, está fora da próxima partida, que será na próxima sexta-feira (6/7), às 15hs, contra a Bélgica, que venceu o Japão por 3 a 2, nesta segunda-feira, 2/07.

O México iniciou a partida atacando o Brasil. No melhor estilo do técnico Juan Carlos Osorio, jogava com muita velocidade, utilizando principalmente o lado esquerdo de seu ataque, com Vela. Fagner, indeciso, dava muito espaço para o mexicano.

Até os 25 minutos, o México foi melhor, mas não conseguiu criar grandes chances para marcar.

O Brasil, quando conseguia sair da marcação do adversário, chegava também pelo lado esquerdo de seu ataque, com Neymar. O destaque da Seleção Brasileira sofria faltas seguidas e não reclamava. Não encenava, como costuma fazer.

Mas, Neymar encontrava um obstáculo conhecido: o goleiro Ochoa que, como no empate sem gols na Copa de 2014, no Brasil, fazia grandes defesas. Como a que praticou aos 32 minutos, em chute de Gabriel Jesus.

O maior problema do Brasil eram os lançamentos longos do time mexicano, que invariavelmente buscavam as duas extremas. Filipe Luís, na esquerda, dava conta de seu oponente. O problema era do lado direito da defesa brasileira. Fagner perdia a disputa para Vela, chegava sempre atrasado na marcação.

Após o intervalo, um Brasil arrasador. Fagner passou a marcar Vela mais de perto. O perigoso atacante mexicano não tinha mais campo livre para atormentar a defesa brasileira.

LEIA MAIS: A Copa do Mundo vem aí: prepare sua empresa

Neymar, que já havia mostrado evolução no aspecto emocional contra a Sérvia, fez o primeiro gol brasileiro, aos cinco minutos. Ele começou a jogada.

De calcanhar, achou Willian livre. O atacante do Chelsea foi à linha de fundo e cruzou rasteiro para a área. Neymar, com os cravos da chuteira, superou Ochoa.

Não só pelo gol que fez, mas pela postura em campo, não se deixando levar pela violência mexicana em alguns lances, Neymar provou que, quando quer e quando consegue manter o equilíbrio emocional, é um jogador acima da média, um craque, um fora de série do futebol atual.

No final do jogo foi eleito o melhor da partida pela Fifa.

Aos 43 minutos, mais uma vez o talento dele apareceu no gramado. Ele cruzou e Roberto Firmino, que havia entrado no lugar de Phillippe Coutinho, definiu a partida e a classificação brasileira para as quartas-de-final, em Kazan, contra o vencedor de Bélgica e Japão, que jogam na tarde desta segunda-feira, 2/07.

Para esta partida, o desfalque brasileiro será Casemiro, que recebeu o segundo cartão amarelo e está suspenso.

O Brasil foi um time consistente. A melhora em relação à estréia é evidente. O time readquire a confiança exibida durante as eliminatórias Sul-Americanas, quando brilhou e conseguiu a classificação para a Copa da Rússia.

RETROSPECTO

Em mundiais, o Brasil tem um retrospecto favorável contra os mexicanos. Foram quatro jogos, com três vitórias brasileiras e um empate.

Em 1950, o Brasil venceu por 4 x 0; na copa seguinte, em 1954, outra goleada, desta vez por 5 x 0; em 1962, Brasil, 2 x 0; E em 2014, no Brasil, graças ao goleiro Ochoa, goleiro titular na partida desta segunda-feira, que fez grandes defesas, houve empate sem gols.

Ochoa segue como titular do México, mas a grande atração dos adversários é o técnico colombiano Juan Carlos Osorio.

Tido como um estrategista, Osorio foi treinador do São Paulo, em 2015. Foi muito elogiado por quem trabalhou com ele. Rogério Ceni, que era o goleiro da equipe tricolor na época, elogia muito o técnico colombiano.

“É um dos melhores técnicos que conheci em minha carreira”, costuma dizer o ex-goleiro são-paulino, hoje treinador do Fortaleza, da Série B do Campeonato Brasileiro.

Osorio rescindiu o contrato com o São Paulo para dirigir o México. Deixou por aqui a fama de estudioso, mas contra ele pesam muitas críticas em relação às mudanças constantes na escalação da equipe.

Sua passagem pelo futebol brasileiro ficou marcada também por gostar de mandar bilhetinhos para os seus comandados durante as partidas.

Leva para a beirada do gramado duas canetas: Uma vermelha, que usa para escrever os bilhetes apontando os erros que os jogadores estão cometendo em campo. E a azul, para escrever os elogios.

* Wladimir Miranda trabalhou de 1982 a 2003 como jornalista esportivo. Cobriu as copas de 1990, na Itália, e de 1998, na França, além de inúmeros torneios internacionais, como a Copa Libertadores da América, Copa América e Mundial Interclubes. Foi repórter nas editorias de esportes da Gazeta Esportiva, Diário Popular, Agência Estado e Jornal da Tarde. É colaborador nas jornadas esprotivas das rádios Globo e CBN AM. É autor da biografia Artilheiro indomável, as incríveis histórias de Serginho Chulapa, publicado pela Publisher, na terceira edição.

 

FOTO:Divulgação/FIFA