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O que você precisa saber agora sobre a campanha presidencial


Na reta final, nenhum candidato tem a certeza de que se elegerá ao Planalto. Mas quatro deles (Ciro, Haddad, Alckmin e Marina) tentam prejudicar os adversários e destronar Bolsonaro


  Por João Batista Natali 12 de Setembro de 2018 às 11:05

  | Editor contribuinte natali@uol.com.br


Nesta quarta-feira (12/9), em contagem regressiva, faltam apenas 25 dias para o primeiro turno presidencial de 7 de outubro. E a única conclusão por enquanto possível é de que o jogo ainda não está jogado.

Temos em mãos um Datafolha e um Ibope com pesquisas posteriores ao início da propaganda eleitoral. E na próxima sexta (17/9), um novo Datafolha, desta vez incorporando a substituição de Lula por Fernando Haddad como candidato sacramentado do PT.

Uma primeira constatação. Jair Bolsonaro (PSL) só por um terremoto eleitoral deixará de chegar ao segundo turno. Pelo Datafolha, ele reúne 21% de votos convictos, mais 3% que o consideram “votável” e outros 3% que o enxergam com um alto potencial para votar.

Assim, se for beneficiado por circunstâncias amplamente favoráveis, o potencial de crescimento indicaria que ele poderá chegar a 27%.

Ao mesmo tempo, no entanto, apenas um terremoto de menor potência faria dele – é um quadro válido apenas para agora – o próximo presidente da República. E isso em razão de sua taxa de rejeição. Ela é de 47% para o Datafolha, e de 41% para o Ibope.

No segundo turno, o Datafolha revela que ele seria derrotado por três dos candidatos (Alckmin, Ciro e Marina) e empataria com Haddad.

De certo modo, o ex-capitão do Exército já queimou o principal cartucho que poderia turbinar sua candidatura, que foi o atentado, obviamente involuntário, que sofreu em Juiz de Fora.

Tornando-se vítima, ganhou de dois a quatro pontos nas intenções, dependendo do instituto.

Internado em São Paulo e imobilizado para participar de debates ou fazer campanha de rua, o militar da reserva tem a desvantagem de não poder ampliar seu eleitorado por meio do corpo-a-corpo. Mas tem como paralela vantagem o fato de não criar novas controvérsias com suas declarações impensadas.

O ENIGMA HADDAD X CIRO

Os historiadores poderão no futuro constatar que o maior adversário do ex-prefeito de São Paulo foi seu criador e padrinho político. Ao retardar ao máximo o momento de lançá-lo candidato, Lula diminuiu perigosamente o período durante o qual poderia ocorrer a transferência de votos.

O fato é que Fernando Haddad começa com um capital fixo de intenções relativamente pequeno – 9% para o Datafolha, 8% para o Ibope – e um alto potencial que o primeiro desses institutos calcula em mais 13%. Precisaria reunir circunstâncias muitíssimo favoráveis para incorporar a seu eleitorado os 19% de médio potencial.

Uma varinha de condão da mágica petista diria que Haddad pode garimpar à vontade no Nordeste – onde boa parte de seu recente crescimento se deve à adesão de eleitores de baixa renda.

Mas o obstáculo para que essa operação dê certo possui nome e sobrenome. Chama-se Ciro Gomes (PDT). O Datafolha constatou que ele tem o médio potencial maior entre os candidatos, com 28%. A isso se incorporam os 18% que representam a intenção já fechada de voto, o voto volúvel e o alto potencial para votar.

Em termos de planos de campanha, Ciro sabe que só chegará ao segundo turno se demolir impiedosamente a imagem de Haddad.

É o que ele já está fazendo, ao insistir, por exemplo, que, caso ele tivesse sido um bom prefeito para São Paulo, sua votação de 2016 não teria sido inferior à dos votos brancos e nulos.

A evocação da eleição municipal de há dois anos traz um outro argumento favorável a Ciro. Para evitar uma vitória tucana já no primeiro turno (e ela ocorreu), Haddad foi beneficiado pelo voto útil que desidratou a candidatura de Luíza Erundina (Psol).

Agora, no entanto, não há potencial de votos à esquerda para serem desde já transferidos para o PT. O psolista Guilherme Boulos oscila de 1% a 2% das intenções. É um capital desprezível.

Estamos então no seguinte pé: Haddad apenas crescerá no pouco tempo que lhe resta se conseguir conter o crescimento de Ciro Gomes. E vice-versa.

GERALDO ALCKMIN E MARINA

A candidatura tucana, apesar de fragilizada pelas duas primeiras pesquisas (9% no Ibope, 10% no Datafolha), ainda não é um caso perdido.

O ex-governador de São Paulo iniciou a atual etapa de campanha atirando simultaneamente em Bolsonaro e no PT.

Dá a entender que o suposto protesto contra a política, que o ex-capitão representa, seria o caminho mais curto para a volta dos petistas ao poder, já que, no segundo turno, o candidato a quem Fernando Haddad mais facilmente derrotaria seria Jair Bolsonaro.

A questão, para Alckmin, é traduzir suas propostas – a campanha dele é por enquanto a mais consistente – em crescimento eleitoral.

Bem mais que a decepção pelas percentagens ainda baixas, os estrategistas tucanos registraram, com otimismo, que Alckmin voltou a crescer em São Paulo, um Estado no qual precisará necessariamente vencer e no qual havia sido ultrapassado por Bolsonaro.

O ex-governador paulista deverá necessariamente pensar em plantar na cabeça do eleitor de Marina Silva (Rede) a semente do voto útil.

A candidata caiu cinco pontos, pelo Datafolha (16% para 11%) e três pontos, pelo Ibope (de 12% para 9%).

É curioso que ela tenha uma rejeição de quase 30%. Alguns criticam sua postura pouco incisiva, uma certa delicadeza de espírito que a torna menos agressiva com relação aos adversários.

É provável, no entanto, que Marina esteja sendo ainda vítima da “desconstrução” de sua imagem, um pouco antes do primeiro turno da eleição presidencial de 2014.

Ameaçando a reeleição de Dilma Rousseff, a campanha petista desencadeou contra ela uma operação hedionda, na qual a associou aos interesses dos banqueiros e afirmou que, caso ela fosse eleita, a comida sumiria do prato dos mais pobres.