Brasil

"O país está hoje à deriva, sem propósito e sem projeto"


Vice-presidente do IDV, entidade que reúne as maiores redes de varejo, o empresário Flávio Rocha pede a renúncia de Dilma em benefício do futuro do Brasil


  Por Karina Lignelli 20 de Março de 2016 às 02:28

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


"O comércio deve estar no centro da recuperação econômica, pois é o maior empregador do Brasil - atrás apenas do poder público", disse Marcelo Maia, secretário de Comércio e Serviços do MInistério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior no 4o.Fórum Nacional do Varejo, Consumo e Shopping Centers, realizado no Guarujá, em São Paulo.

Para que isso possa se materializar, em meio à grave recessão econômica, que ceifa empresas e empregos, o empresário Flávio Rocha, presidente da Riachuelo apontou um atalho: a imediata renúncia da presidente Dilma Rousseff.

Foi este o teor do documento divulgado por Rocha no evento promovido pelo Lide (Grupo de Líderes Empresariais), na condição de vice-presidente do Instituto de Desenvolvimento do Varejo (IDV), que reúne 70 das maiores redes do setor.

O documento alerta que o país não pode perder as conquistas de uma década de crescimento do varejo, quando milhões de potenciais consumidores ascenderam ao mercado de consumo, e o setor se expandia muito acima do PIB, por conta da crise e do impasse político.

"A melhor forma de o Brasil recuperar sua capacidade de crescimento é a renúncia da presidente Dilma Rousseff para acelerar a solução deste impasse em benefício do futuro do país”, afirma a nota.

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“Hoje, estamos amargando o fechamento de 100 mil lojas no país. É como se, em 2015, todos os shopping centers tivessem fechado suas portas”, disse Rocha. "É hora de virar a página, e começar uma vida nova respaldada pelas urnas para tirar o Brasil dessa enrascada.” 

De acordo com o vice-presidente do IDV, o boicote à atuação do ex-ministro da Fazenda, Joaquim Levy no interior do próprio governo, fez com que fosse perdido um momento crítico para que o país recuperasse a competitividade. "O país está hoje à deriva, sem propósito e sem projeto".

Já a presidente do IDV, a empresária Luiza Trajano, sócia do Magazine Luiza, preferiu não se posicionar pessoalmente a respeito do pedido de renúncia, nem do processo de impeachment em curso no Congresso.

Disse apenas, a propósito da recessão, que o maior desafio para o varejo foi se adaptar à queda de consumo após dez anos de bonança.

“As empresas entraram neste ano com pé no chão, apertando custos, fazendo mais com menos e se voltando para o consumidor. Esse vai ser o mote”, disse..

Questionado sobre o desempenho da Riachuelo, já que, na metade de 2015 afirmou que "não mexeria uma vírgula” no plano de expansão da rede (de abrir 40 lojas), Rocha disse que foram investidos R$ 200 milhões, destinados principalmente à abertura do maior centro de distribuição da América Latina.

Mas do total de lojas previstas, foram abertas apenas 35. Também não houve demissão, nem fechamento de lojas. Quanto ao investimento inicialmente previsto de R$ 500 milhões, os planos mudaram. 

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“Nesse ciclo de queda na livre na economia, que pode demorar ate 2018, a tônica é preservar o caixa”, afirma Rocha.

FOTO: Divulgação