Brasil

Normalização do abastecimento pode levar até 20 dias


É essa a previsão da Apas, associação que representa os supermercadistas paulistas. Na Ceagesp, volume comercializado caiu 46,5% em sete dias


  Por Karina Lignelli 28 de Maio de 2018 às 19:00

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


O consumidor sentiu na pele o impacto da greve dos caminhoneiros. Uma sondagem da Ticket, empresa do setor de benefícios de refeição, alimentação e transporte realizada no último fim de semana (26 e 27 de maio), aponta que 56% dos 5.046 entrevistados mencionaram a alta nos preços e dificuldade de encontrar verduras e legumes em supermercados, lanchonetes e restaurantes.

Um balanço da Ceagesp divulgado nesta segunda-feira (28/05) confirma: a comercialização caiu de 63,2 mil toneladas, volume registrado na semana anterior à greve, para 33.839 (-46,5%) –o que prejudicou principalmente o abastecimento de hortícolas (verduras e legumes). O fluxo financeiro também caiu 45,5%, de R$ 158 milhões para R$ 86 milhões.

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O levantamento, da seção de economia e desenvolvimento da Ceagesp também apontou que, somente nesta segunda, 90% do volume normalmente comercializado não chegou ao entreposto.

“A paralisação dos caminhoneiros impossibilitou a entrada e saída de mercadorias”, informou a companhia, em nota. A greve também prejudicou a cotação de preços, feita de acordo com a oferta.

Porém, o cenário parece mudar aos poucos: entidades que representam os caminhoneiros, como a Abcam, afirmaram nessa tarde de segunda-feira (28/05) que, de 70% a 80% da categoria já se desmobilizou, após o anúncio das propostas feitas pelo governo para encerrar a greve.

Mas, se a perspectiva é que a desmobilização se concretize até o fim da tarde desta terça-feira (29/05), associações que representam os supermercados, diretamente impactados pelo desabastecimento, afirmam que a  normalização da oferta de perecíveis, como verduras, legumes, frutas, carnes e ovos, pode levar de 10 a 20 dias, segundo estimativas da Associação Paulista de Supermercados (Apas).

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Em nota, a Apas informa que esses itens representam 36% do faturamento dos supermercados. De acordo com a entidade,as soluções propostas pelo governo devem ser suficientes para atender os pleitos dos transportadores, mas as incertezas quanto à adesão total dos caminhoneiros continua a prejudicar a oferta de produtos nas lojas de supermercados.

Na mesma linha, a Associação Brasileira de Supermercados) afirma que o setor tem sofrido mais com a falta de abastecimento de hortifrútis, açougue, laticínios e derivados.

"Os supermercados de todo o Brasil têm se esforçado para minimizar a falta de produtos em lojas, remanejando estoques e buscando fornecedores alternativos”, diz o comunicado. 

De acordo com a entidade, ainda que os estabelecimentos do setor operem com estoque médio em torno de 15 dias (de não-perecíveis), muitos já estão chegando próximos à metade. Também afirma que trabalha junto ao governo federal para que uma solução definitiva seja encontrada, já que o setor é essencial, por ser responsável pelo abastecimento de 90% dos alimentos no país. 

MOBILIDADE

Pela lente do consumidor, a sondagem da Ticket mosta ainda que ele sentiu que a dificuldade de abastecimento afetou pouco o funcionamento e a abertura de estabelecimentos nos últimos dias: apenas 28% encontraram estabelecimentos comerciais e restaurantes fechados por conta da paralisação. 

Por outro lado, 51,6% dos trabalhadores já estão procurando formas alternativas de se locomover sem a dependência do transporte público em meio à falta de combustível, que desapareceu devido ao movimento dos caminhoneiros. 

"Um ponto de atenção é o alto índice de respostas negativas, cerca de 74%, que mostra ausência de planos emergenciais das empresas em caso de prolongamento da crise de abastecimento", alerta Marília Rocca, diretora geral da Ticket. 

FOTO: Facebook/Ceagesp