Brasil

Netanyahu confirma mudança de embaixada do Brasil para Jerusalém


Decisão de Bolsonaro acende polêmica entre parlamentares de partidos ligados ao novo governo


  Por Agência Brasil 30 de Dezembro de 2018 às 18:44

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse neste domingo (30/12) que o presidente eleito Jair Bolsonaro garantiu a mudança da embaixada brasileira para Jerusalém.

A declaração foi feita durante um encontro com a comunidade judaica do Rio de Janeiro no Hotel Hilton em Copacabana. “Bolsonaro disse ‘eu vou mudar a embaixada para Jerusalém, não é uma questão de se, mas uma questão de quando’”, disse o primeiro-ministro. 

O governo israelense acredita que não haverá retaliação das nações árabes contra o Brasil devido à mudança do local da sede da embaixada brasileira.

Mais cedo, Netanyahu se encontrou com jornalistas brasileiros para um briefing de sua visita. Ele destacou que o Brasil é o principal foco de Israel neste momento e que é importante estreitar relações com o país. 

O primeiro-ministro disse que conversou com Bolsonaro sobre os benefícios que a tecnologia israelense pode trazer ao Brasil, principalmente nas áreas de agricultura, gestão hídrica e segurança.

Nos próximos meses especialistas israelenses estarão no Brasil para mapear as necessidades brasileiras e avaliar possibilidades de parceiras econômicas. 

Netanyahu destacou a forma amigável como foi recebido ontem (29/12) durante um passeio à praia de Copacabana. “Entre milhares de pessoas, uma pessoa gritou ‘free Palestine’ [liberte a Palestina], mas milhares de pessoas me aplaudiram”, disse.

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REAÇÕES

A intenção do presidente eleito, Jair Bolsonaro, de mudar a embaixada do Brasil em Israelde Tel-Aviv para Jerusalém gerou críticas entre parlamentares de partidos ligados ao novo governo.
 
Pelas redes sociais, políticos disseram que a medida pode trazer efeitos econômicos negativos para o País e fazer com que o Brasil se torne alvo de terrorismo. A mudança, por outro lado, foi apoiada por defensores de Bolsonaro, como o senador Magno Malta (PR-ES). 

"O Brasil está mexendo com uma bomba armada, além do que, o Brasil é signatário de um acordo na ONU que estabelece que a capital de Israel é Tel Aviv. Estamos chovendo no molhado", escreveu o deputado em sua conta no Twitter, em resposta ao senador Ciro Nogueira (PP-PI).

"Considero grave erro da diplomacia brasileira a opção por lado na disputa árabe-israelense. Temos histórico de boas relações multilaterais e dar prioridade a um país em detrimento de outros pode trazer prejuízos econômicos, além de risco de o Brasil virar foco do terrorismo", declarou Nogueira na mesma rede social, no sábado (29). 

A proposta de Bolsonaro também foi criticada pela deputada estadual eleita Janaina Paschoal (PSL-SP), integrante do partido do presidente eleito e a mais votada em São Paulo.
 
"Já tive oportunidade de dizer que transferir a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém é juridicamente justificável, na medida em que Israel é um Estado soberano. Porém, por razões diversas, fico feliz que o presidente eleito esteja repensando a ideia. Respeitosamente", disse Janaina, em referência a uma declaração feita pelo presidente eleito no início do mês, quando afirmou que sua equipe estava conversando sobre como tomar a melhor decisão. 

Em contrapartida às ponderações, o senador Magno Malta divulgou uma série de publicações apoiando a intenção de Bolsonaro.
 
Evangélico, Malta declarou que reconhecer Jerusalém como capital de Israel faz "justiça" ao país e é o cumprimento de uma profecia.
 
Em um dos vídeos publicados pelo parlamentar, Malta aparece ao lado de Bolsonaro em junho deste ano afirmando que a mudança seria efetivada por Bolsonaro se ele fosse eleito. Na sexta-feira (28), nos pronunciamentos públicos após encontro com Netanyahu, Bolsonaro não tocou no tema da embaixada.
 
*Com Estadão Conteúdo

FOTO: Tânia Rêgo/Agência Brasil