Brasil

"Não há crise que resista à união"


Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) diz que o associativismo é a solução para driblar os efeitos da recessão


  Por Karina Lignelli 07 de Dezembro de 2015 às 18:54

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


Se o cenário está complicado nesse final de 2015, o novo ano sinaliza boas notícias – pelo menos para quem é empreendedor e associativista. Afinal, “não há crise que resista à união”, afirma Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp). 

O ex-ministro Guilherme Afif Domingos, atual presidente do Sebrae, reforçou essas perspectivas positivas durante a Sessão Plenária Solene realizada nesta segunda-feira (07/12) durante as comemorações do aniversário de 121 anos da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). 

Nesta terça-feira (08/12), será entregue no Senado, com apoio da Frente Parlamentar da Micro e Pequena Empresa, o manifesto “Crescer sem Medo”, para acelerar a votação do PLC 125/2015 - que amplia os limites de mudança de patamar de faturamento para empresas optantes pelo Simples. 

Embutido no projeto está o Simples Social, que prevê que OSCs (Organizações da Sociedade Civil) possam optar pelo sistema  para também se valerem da redução da carga tributária.

Para Afif Domingos, o projeto deverá ser votado nos próximos dias: “Faremos uma reunião com o (senador) Renan Calheiros para colocar o PLC na pauta para ser aprovado. Talvez haja alguma alteração que faça o projeto voltar para a Câmara, mas a perspectiva é que consigamos ainda neste ano”.

MATRIZ

Outra novidade, já concreta, é que na quarta-feira (09/12), também será iniciado o projeto “Matriz”, que prevê a abertura de empresas na mesma hora. O fechamento, através do “Empresa Simples”, já está em vigor. 

De acordo Afif, o projeto “Matriz”, em andamento há dois anos e meio para formatar legislação e sistematização, começará a operar a partir de Brasília. O presidente da Frente Nacional dos Prefeitos apresentará a agenda de implantação do projeto para as principais cidades do país que aderirem à mudança de legislação. 

“Aliás, essa é a luta da ACSP desde o início, por desconectar a regularidade do imóvel da regularidade da empresa”, afirma, lembrando que a aprovação do Plano Diretor do município de São Paulo já contempla essa alteração. 

Outra novidade, que ainda está sendo desenhada, segundo ele, é a capacitação em empreendedorismo pelo Sebrae para imigrantes oriundos de países em conflito, como a Síria. “É gente preparada e qualificada para gerar emprego e renda – e que sabe que o Brasil é sinônimo de ‘oportunidade’”, destacou. 

PLENÁRIA REUNIU PRESIDENTE, VICE-PRESIDENTES E ASSOCIADOS NA SEDE DA ACSP. FOTO: FÁTIMA FERNANDES

A LUTA CONTINUA

Mesmo apontando as dificuldades do varejo em 2015, que segundo previsões deve fechar em queda mínima de 8%, Nelson Kheirallah, vice-presidente e coordenador do Conselho de Varejo da ACSP, mencionou as conquistas da entidade a favor do pequeno lojista nos últimos seis anos. 

Entre elas, o trabalho de negociação com empreendedores de shoppings, para evitar a sobreposição de empreendimentos em cidades menores, ou para pleitear em conjunto a diminuição de custos operacionais desses lojistas dentro de centros de compras.

“Se um trabalho como esse não for feito em um cenário como o atual, ao menos 10 mil lojas menores fecharão ao longo do ano que vem. Nos primeiros meses do ano as coisas não vão melhorar, e apertar os custos tem sido a única maneira de sobreviver.”

No que diz respeito ao comércio externo, Roberto Ticoulat, vice-presidente da ACSP e coordenador da área na entidade, disse que a participação do Brasil só não ultrapassa 1% por falta de política voltada à exportação. 

Mas lembrou dos acordos bilaterais com a Europa, que estão caminhando, da alta do câmbio e do superávit das contas internas em US$ 13,4 bilhões. “Se conseguirmos pelo menos dobrar essa participação, o PIB crescerá 10%”, diz.

Já Roberto Matheus Ordine, vice-presidente da ACSP, procurou passar uma mensagem de otimismo aos empresários presentes, lembrando de outras crises, já ultrapassadas.

Desde 2010, o varejo nacional tem sido um dos participantes centrais da NRF, uma das maiores feiras de varejo do mundo, realizada anualmente nos Estados Unidos. 

“Em grego, crise significa ‘purificação’. Os políticos passam, mas o país permanece. Por isso é preciso manter a esperança de um Brasil melhor, pois nós chegaremos lá”, disse Ordine. 

Mencionando a crise de pessimismo a qual o país atravessa, “mas com problemas absolutamente solucionáveis”, Afif Domingos convocou os empresários a não deixarem a bandeira cair. 

"O Brasil não pode ficar paralisado por uma discussão política", disse Afif Domingos ao se referir ao processo de impeachment. "Nosso ativo é maior que o passivo: é arregaçar as mangas e continuar a trabalhar, pois o trabalho sempre vence.”

Também participaram da Sessão Plenária da ACSP Marly Baruffaldi, presidente do Conselho da Mulher, e o bispo dom Fernando Figueiredo, da Diocese de Santo Amaro.

FOTOS: Fátima Fernandes e William Chaussê