Brasil

Não fizemos um combate inteligente à pandemia, afirma Dimas Covas


O presidente do Butantan diz que as medidas que buscaram controlar a circulação das pessoas no Brasil restringindo as atividades econômicas não foram efetivas


  Por Renato Carbonari Ibelli 14 de Junho de 2021 às 14:27

  | Editor ibelli.dc@gmail.com


Presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas afirmou que as medidas de isolamento social adotadas no país têm pouca efetividade na redução da transmissão do coronavírus.

“Ficamos reféns das restrições que nem sempre são efetivas. E agora enfrentamos o fenômeno da exaustão das pessoas, que estão cansadas de toda essa situação. Mesmo que haja orientação para ficar em casa, não há mais  obediência”, disse Covas em reunião do Conselho Político e Social, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Segundo ele, outras estratégias poderiam ter sido usadas, como o confinamento mais rígido da população (lockdown) por períodos curtos, como fizeram países da Europa, ou então a chamada vigilância epidemiológica ativa, usando a estrutura do SUS para buscar contaminados em campo e providenciar o isolamento.

Mas fomos por outro caminho. Por aqui se tentou controlar a circulação das pessoas restringindo as atividades econômicas. “Foi restrita a entrada nos shoppings a 30% da capacidade, mas filas se formaram do lado de fora”, exemplificou o presidente do Butantan. “Não temos um combate inteligente contra a pandemia.”

De acordo com Covas, com não foram adotadas medidas eficientes para controlar a transmissão do vírus no país, o correto é afirmar que ainda estamos sob a influência da primeira onda de contaminação, que teve seu pior momento em abril de 2021, com ameaça de falta de recursos hospitalares, como aconteceu no Amazonas, arrefeceu nas últimas quatro semanas, mas agora volta a subir.

“Os números mostram que haverá aumento dos casos de coronavírus nas próximas semanas”, afirmou.

A diferença agora é que o processo de vacinação da população parece ter engrenado, embora o presidente do Butantan seja cauteloso ao afirmar que as metas do governo federal serão atingidas.

Atualmente, 12% da população do país recebeu duas doses das vacinas contra a covid-19. A previsão do governo federal é que 180 milhões de doses cheguem até agosto. “Mesmo que essas doses cheguem, elas precisarão ser aplicadas, e até agora conseguimos vacinar no máximo 1,2 milhão de pessoas por dia”, disse Covas.

Para avançar no número de imunizações diárias, segundo o presidente do Butantan, seria preciso utilizar mais do que os postos oficiais de vacinação. “Será preciso buscar as clínicas privadas, as farmácias e outros caminhos. Do contrário, não será possível cumprir a meta de imunizar parte considerável da população até outubro”, afirmou.

Se as previsões do governo federal para o ritmo da vacinação não sofrerem alterações, Covas diz que a partir de outubro, mesmo que os casos de contaminação continuem elevados, a mortalidade e hospitalização devem diminuir.

Estudos feitos pelo Butantan no município de Serrana, no interior paulista, mostram que após vacinar 97% da população adulta com duas doses, a mortalidade local por covid-19 reduziu em 95% em todas as faixas etárias. Os casos com hospitalizações caíram 85% e casos sintomáticos em 80%.

TERCEIRA DOSE

Mesmo com a imunização da população, haverá a necessidade de uma dose de reforço, regra que valeria para todas as vacinas contra a covid-19. “Quem já tomou duas doses terá de tomar reforço anual. A imunidade cai com o tempo. Estamos trabalhando essa perspectiva”, disse o presidente do Butantan.

Além disso, Covas acredita que novas variantes do vírus continuarão a aparecer. Segundo ele, a cepa P1, originada em Manaus, já tem variações, chamadas de P1.2 e P1.3. “A ButanVac [vacina em estudo pelo Butantan] já prevê a necessidade de vacinação anual por esse motivo.”

Testes feitos com a ButanVac em animais mostram que ela tem maior poder para imunizar comparada às vacinas usadas atualmente. O Butantan tem capacidade para fabricar 40 milhões de doses dela, que, segundo Covas, tem custo de produção de 1 décimo dos demais imunizantes para covid-19.   

A previsão é que a ButanVac esteja liberada para estudos clínicos em outubro, mas não há certeza. “No Brasil temos barreiras que não existem em outros países. A barreira regulatória é a Anvisa, que não flexibiliza normas”, disse. 

IMAGEM: Governo SP/divulgação






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