Brasil

Mourão diz que 150 milhões serão vacinados até o final de 2021


Em palestra para empresários na Associação Comercial de São Paulo, o vice-presidente afirmou ainda que a Huawei precisa estar no páreo da implantação do 5G no país


  Por Renato Carbonari Ibelli 07 de Dezembro de 2020 às 14:07

  | Editor ibelli.dc@gmail.com


O vice-presidente da República Hamilton Mourão diz que o governo planeja vacinar 150 milhões de brasileiros até o final de 2021, ou seja, cerca de dois terços da população.

Sem mencionar qual seria a vacina – o governo federal ainda não fechou com nenhum laboratório -, o vice falou que “brevemente” as doses serão distribuídas em todo o território nacional.

Em palestra na Associação Comercial de São Paulo (ACSP), que completa nesta segunda-feira 126 anos, Mourão fez um balanço positivo das ações para controle da pandemia. “A curva da doença coube dentro do nosso sistema de saúde”, afirmou.

O recente aumento no número de casos da covid-19 no país foi atribuído pelo vice-presidente ao cansaço da população imersa em um longo período de isolamento. Também culpou as eleições municipais, que levaram mais gente para as ruas. “Não se trata de uma segunda onda, é um repique da primeira.”

Com relação aos problemas sociais que vieram com a doença, em especial o desemprego, Mourão afirmou que o auxílio emergencial cumpriu seu papel e que as discussões para prorrogar a medida para o início de 2021 ainda estão abertas. “Mas acho difícil [a continuidade do auxílio] por causa dos problemas fiscais.”

Os impactos econômicos da pandemia, para ele, também foram bem contornados. “Previam queda de 10% no PIB. Mas o governo injetou recursos, os bancos emprestaram com garantias do Tesouro Nacional, e assim reduzimos o problema a menos da metade.” Mourão espera que o PIB de 2020 feche com queda de 4,5%.

5G DA CHINESA HUAWEI

O vice-presidente vem adotando um tom mais moderado dentro do governo, especialmente em questões envolvendo parceiro comerciais.

O leilão de tecnologia 5G é um exemplo. Enquanto parte do governo quer impedir que a chinesa Huawei participe do leilão, Mourão vê a empresas como estratégica para o país.

“A Huawei possui 40% da infraestrutura já instalada no país para as tecnologias 3G e 4G. Se não for ela [a responsável pelo 5G], vai ficar mais caro, porque a tecnologia das outras empresas não conversa com a estrutura que já temos instalada”, afirmou.

Ele lembrou que, apesar de ser um leilão para frequência, a infraestrutura, como as torres, é fornecida pela empresa vencedora.

Além da Huawei, estão na disputa a Ericsson, Nokia e a Cisco. “Toda empresa que comprovar que respeita nossa soberania, a privacidade dos dados e tiver economicidade, poderá participar”, disse o vice.

O tom moderado de Mourão também destoa de parte do governo quando ele entra em temas da Amazônia, hoje foco de atritos internacionais.

Enquanto o Ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles trocava farpas com o presidente da Câmara Rodrigo Maia, Mourão comandava uma visita de diplomatas, entre eles os da Alemanha, França e Reino Unido, à Amazônia.

“O relacionamento ficou melhor, abrimos os canais de diálogo e assim julgo que teremos capacidade de melhorar os debates nos fóruns internacionais”, disse o vice.

A ideia da visita foi mostrar que o pais tem se empenhado em combater as ilegalidades envolvendo a biodiversidade da região. Segundo Mourão, na semana retrasada ele realizou uma videoconferência com um representante da União Europeia, algo que classifica como fruto dessa aproximação.

Ainda na questão ambiental, o vice reconhece que o desmatamento teve um pico ano passado, mas considera que o governo está resolvendo o problema. “Este ano ainda tivemos resultado negativo, mas desde julho temos tendência de queda. Em novembro registramos queda de 44% no desmatamento ante novembro de 2019”, disse.  “Considero isso uma resposta às pressões internacionais.”

Por outro lado, Mourão diz que os esforços do Brasil para preservar a região amazônica precisariam ter uma contrapartida. “É fundamental que o país receba recursos uma vez que tem gerado crédito, como os previstos pelo Acordo de Paris e os créditos de carbono”, afirmou.

Segundo o vice-presidente, o Brasil poderia receber US$ 10 bilhões por ano com esses acordos para empregar na Amazônia.

VIZINHOS PROBLEMÁTICOS

Quando fala sobre a América do Sul, Mourão é menos polido. Classificou a região como “um grupo de países periféricos” que ainda vivenciam insegurança política geradas pelo que chama de “tribalismo excessivo” e polarização.

Esses fatores, segundo ele, teriam desencadeado os protestos violentos no Chile, que desembocaram no plebiscito para uma nova Constituição. Também na troca de quatro presidentes no Peru no período de um único mandato. Ou na volta de Evo Morales à Bolívia após ser forçado a deixar o país que dirigiu por três mandatos consecutivos.

“Isso sem falar da ditadura da Venezuela, que é sustentada por Rússia, China e pelo narcotráfico”. Mourão viu fraude na recente eleição daquele país, que deu a Maduro vitória no parlamento. “Só teve 30% de participação popular. A Venezuela caminha para se tornar pária”, disse.

BRASIL

O “tribalismo” e polarização também afetam o Brasil, segundo o vice. O país também precisa enfrentar grandes problemas econômicos. “Dois dos pilares da nossa economia estão abalados: as contas públicas e a produtividade”, afirmou.

A reforma da Previdência, aprovada em 2019, segundo Mourão ajudou a controlar o déficit público. “Mas os R$ 800 bilhões que economizamos com a reforma foram gastos quando a pandemia chegou.”

O caminho agora, disse o vice, é seguir o mantra de Paulo Guedes, Ministro da Economia: “desvincular, desindexar e desobrigar”.

Esses são caminhos apontados no Pacto Federativo, que envolve medidas que permitiriam dar mais flexibilidade ao governo para fazer a gestão do orçamento. “O espaço do governo para ter despesas discricionárias, como investimentos, diminuiu muito. Se nada for feito, em dois anos não haverá mais condição de sustentar o governo”, disse Morão.

A PEC que trata do Pacto Federativo deve ser analisada em conjunto com a PEC Emergencial, que prevê gatilhos fiscais para impedir que o governo estoure o teto de gastos.

As privatizações também ajudariam a destravar a economia, apontou o vice-presidente. Mas o ritmo das vendas de estatais é decepcionante. “As privatizações estão paradas e isso é responsabilidade do nosso governo. Temos que trabalhar com clareza para avançar com elas”, disse.

Com relação à falta de produtividade, Mourão afirmou que esse é um problema da falta de investimento em infraestrutura. “O governo não tem dinheiro para investir, daí a importância das parcerias com o setor privado, por meio das PPIs.”

Para atrair investidores, é preciso um ambiente de estabilidade e segurança jurídica, o que, para o vice-presidente, depende da aprovação da reforma tributária.

 

IMAGEM: Daniela Ortiz/ACSP






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