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Moro diz que se afasta se houver irregularidade em sua conduta


O ministro, que esteve no Senado para explicar a troca de mensagens vazadas com promotores da Lava Jato, chamou de sensacionalismo as divulgações feitas pelo site The Intercept Brasil


  Por Estadão Conteúdo 19 de Junho de 2019 às 17:45

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, disse nesta quarta-feira, 19/06, que não tem "nenhum apego ao cargo" e que sairia dele se houvesse alguma irregularidade na sua conduta enquanto magistrado.

Moro fez a declaração durante audiência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado que analisa troca de mensagens vazadas com o promotor Deltan Dallagnol, chefe da Lava Jato.

Ao explicar as supostas mensagens trocadas com procuradores, o ministro declarou não estar com medo da revelação de novos conteúdos e minimizou o caso afirmando que há um "estardalhaço" e sensacionalismo em torno da divulgação.

"Não estou com medo, não. Dizem: 'Ah, tem muito mais coisa'. Divulguem tudo de uma vez. Daí a gente analisa, o Senado analisa, as pessoas analisam", declarou Moro.

Ele defendeu que o site The Intercept Brasil – que divulgou as mensagens - deveria submeter o conteúdo a uma autoridade independente, como o Supremo Tribunal Federal (STF).

Moro falou várias vezes que não tem dúvida da correção de seu trabalho quando era juiz da Lava Jato. Além disso, ele declarou que a troca de supostas mensagens entre magistrados e procuradores é normal e não pode ser vista como um crime.

"Isso é algo em que foi feito um estardalhaço, um sensacionalismo relativo a supostas mensagens que tratam de operações. São relativos a decisões já deferidas. Onde é que está o comprometimento da imparcialidade? É zero. Zero."

Moro defendeu que o The Intercept Brasil apresente a íntegra do conteúdo. “Aí a sociedade vai poder ver de pronto se houve alguma incorreção da minha parte, eu não tenho nenhum apego pelo cargo em si. Apresente tudo, vamos submeter isso ao escrutínio público. E se houve ali irregularidade da minha parte, eu saio, mas não houve, porque eu sempre agi com base na lei", disse o ministro.

A declaração foi dada em resposta aos questionamentos do senador petista Jaques Wagner, que perguntou a Moro se não seria de "bom tom" se afastar do cargo, mediante aos acontecimentos.

NÃO É PROBLEMA DO GOVERNO

O caso envolvendo supostas mensagens trocadas com procuradores da Lava Jato não é problema do governo Jair Bolsonaro, afirmou o ministro da Justiça e Segurança Pública.

"Esse não é um problema do governo", declarou. "Não é uma questão do governo, é uma questão do meu passado. Infelizmente, estou no governo e acaba de certa forma havendo essa transferência."

Moro classificou como gestos "que valem muitas palavras" as manifestações de apoio do presidente Jair Bolsonaro. Ele minimizou a fala de Bolsonaro quando o presidente afirmou que só confiava 100% no pai e na mãe.

"Não vejo nada de problema nesse tipo de manifestação", declarou o ministro. Bolsonaro, citou Moro, avaliou que não tem nada de ilícito no trabalho do ex-juiz da Lava Jato.

 

IMAGEM: Marcelo Camargo/Agência Brasil