Brasil

Moradores e comerciantes da Vila Maria dizem não à ciclofaixa


Devido aos problemas causados em outra rua do bairro, moradores e comerciantes da Maria Cândida, como Michel Wiazowski (foto), se uniram para dizer não à CET e impediram a implantação da faixa exclusiva para bicicletas


  Por Wladimir Miranda 05 de Setembro de 2016 às 10:40

  | Repórter vmiranda@dcomercio.com.br


A notícia de que a rua Maria Cândida, movimentada via comercial e residencial da Vila Maria, Zona Norte de São Paulo, passaria a ter uma ciclofaixa deixou comerciantes e moradores da região indignados.

Não foi necessário fazer pesquisa para constatar que a maioria era contra a implantação da faixa exclusiva para ciclistas.

Nada contra quem adora sair por aí em cima de uma bike, ou uma “magrela” como preferem os mais antigos.

O problema é que certamente iria ocorrer lá o que costuma acontecer em muitos outros lugares de São Paulo onde a ciclofaixa foi implantada: prejuízo para o comércio.

Algumas experiências com ciclofaixas na Vila Maria tinham sido um vexame. Basta perguntar na região sobre o que havia acontecido na Curuçá, outra rua de muito trânsito e um concorrido centro comercial do bairro.

Assim que o espaço dos ciclistas começou a funcionar, inúmeros estabelecimentos comerciais fecharam as portas.

Ficou claro que a ciclofaixa e o comércio não iriam conseguir conviver pacificamente. Os amantes das bicicletas venceram. A ciclofaixa ficou. Muitos comerciantes faliram.

Era preciso unir moradores e comerciantes para que não se repetisse na Maria Cândida o que tinha ocorrido na Curuçá.

Michel Wiazowski, diretor superintendente da Distrital Nordeste da Associação Comercial de São Paulo _ ACSP, e que também atua no Conselho de Segurança (Conseg) e no Conselho Participativo Municipal, órgão da subprefeitura , decidiu ser o porta-voz dos indignados.

Bastou uma reunião com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) para que a ideia de colocar a faixa exclusiva para bikes na Maria Cândida fosse esquecida.

“A reunião com a CET foi importante. Moradores e comerciantes da região mostraram que não queriam a ciclofaixa. O lazer não pode prejudicar os negócios”, afirma.

Michel é mestre em administração de empresas. Nascido e criado na região, é dono da Mega Food Refeições, especializada em montar restaurantes em empresas.

Michel também reclama da crise. Sua empresa, a Mega Food Refeições foi diretamente atingida pela onda de desemprego. Ele afirma não ter demitido nenhum de seus 40 funcionários.

Mas seus negócios foram prejudicados porque seus clientes começaram a dispensar funcionários. E então, o número de pedidos para instalação de restaurantes diminuiu sensivelmente. A Mega Food instala restaurantes em São Paulo e no Interior do estado.

“Precisamos urgentemente que a economia comece a caminhar bem”, diz.