Brasil

Moody’s: escândalos de corrupção prejudicam agenda de reformas


A agência de classificação de riscos acredita que, no curto prazo, as novas evidências trazidas pela Lava Jato irão influenciar negativamente os ativos financeiros


  Por Estadão Conteúdo 12 de Abril de 2017 às 16:34

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


A escalada do escândalo de corrupção investigado pela Operação Lava Jato, que culmina na autorização de abertura de inquéritos envolvendo uma ampla gama de políticos, entre eles autoridades do governo e parlamentares, deve dispersar a agenda de mudanças estruturais defendidas pelo Poder Executivo. Entre elas, a da Previdência Social.

Essa é a impressão de Alfredo Coutino, diretor para a América Latina da Moody's Analytics. "O risco de paralisia política sobe e pode adiar as reformas importantes, como a da Previdência", disse.

Na avaliação de Coutino, ativos financeiros, como dólar e juros futuros, devem reagir mal no curto prazo com os desdobramentos políticos a partir das investigações relacionadas a delações premiadas de executivos da Odebrecht

"E isso pode afetar a já fraca economia", comentou, lembrando que espera 0,5% de crescimento no País em 2017. "Este cenário de incertezas deve trazer mais dúvidas sobre decisões de investimentos no Brasil de empresários locais e internacionais."

Apesar dos riscos, Coutino acredita que a reforma da Previdência Social será aprovada pelo Congresso neste ano, embora seja um tema que é impopular em qualquer país. 

Ele considera que, no médio prazo, é possível que os mercados financeiros reagirão bem com a atuação do Poder Judiciário de combater de frente casos de corrupção a partir da ação da Operação Lava Jato.

FUNDOS DE PENSÃO

A Moody's também disse que depois de vários anos de desempenho de investimentos fraco, os fundos de pensão brasileiros têm dificuldade em restabelecer superávits.
 
Apesar dos resultados de investimentos terem de forma geral superado as metas atuariais no ano passado, as condições de solvência dos fundos de pensão no Brasil continuam fracas, com passivos agora excedendo os ativos em R$ 54 bilhões para a indústria, depois de registrar um superávit de R$ 40 bilhões em 2011, nota a agência.

A deterioração na solvência foi maior nos planos de benefício definido com patrocinadores estatais. Esses planos representam mais de 75% do déficit total da indústria, de acordo com estimativas da Moody's. 

"A exposição à renda variável gerou as maiores perdas para os planos de benefício definido", disse Diego Kashiwakura, vice-presidente da Moody's. "Ao mesmo tempo, o desempenho do portfólio de renda fixa não foi suficiente para compensar integralmente o baixo desempenho das ações."

A Moody's diz que, apesar da moderação das pressões inflacionárias, as opções limitadas de investimento devem continuar a dificultar que os planos de benefício definido superem suas metas atuariais e restabeleçam superávits. 

Uma alternativa pode ser a alocação da maior parte do portfólio do fundo de pensão em títulos do governo, especialmente os indexados à inflação, diz a agência. 

"No entanto, o deslocamento da curva de juros reduziu os retornos reais esperados, tornando mais difícil para os fundos de pensão cumprirem as obrigações através desses títulos", diz a agência.

"Em resposta a estes desafios, os fundos de pensão provavelmente irão adotar procedimentos de gestão de ativos e passivos mais rígidos", acredita a Moody's. 

A agência explica que os gestores dos fundos de pensão provavelmente terão que aumentar o foco na gestão dos riscos de taxa de juros e liquidez decorrentes do descasamento entre ativos e passivos.

IMAGEM: Agência Brasil





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