Brasil

Melhora na política é crucial para evitar novo rebaixamento


O "caos político e o aumento da incerteza sobre a consolidação fiscal" levaram a S&P a tomar a decisão de rebaixar o Brasil antes do esperado


  Por Estadão Conteúdo 12 de Setembro de 2015 às 18:00

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


Se o cenário político em Brasília não melhorar rapidamente, as duas outras principais agências de classificação de risco, Moody's e Fitch Ratings, devem seguir o exemplo da Standard & Poor's e rebaixar o Brasil logo, de acordo com a consultoria econômica americana Pantheon Macroeconomics. Novos rebaixamentos aprofundariam ainda mais a crise na economia brasileira e ainda provocariam mais correções nos preços dos ativos do País, sobretudo o real, avalia o economista sênior da casa para a América Latina, Andres Abadia.

"Se a situação política não melhorar rapidamente, Moody's e Fitch provavelmente vão seguir a ação da S&P em breve, aprofundando os problemas do País e causando mais transtornos para a economia real e os mercados", diz o economista em um relatório a clientes divulgado ontem.

Muitos investidores institucionais da Europa, Ásia e Estados Unidos têm como política de investimento aplicar em países classificados como grau de investimento em ao menos duas agências de risco. Mesmo com o rebaixamento da S&P para o grau especulativo, o Brasil ainda mantém o nível na Moody's e na Fitch, esta última com nota dois patamares acima. Um rebaixamento da Moody's, porém, faria com que mais uma agência colocasse o Brasil na categoria "junk" (lixo, pelo jargão do mercado financeiro).

Abadia destaca que o "caos político e o aumento da incerteza sobre a consolidação fiscal" levaram a S&P a tomar a decisão de rebaixar o Brasil antes do esperado pelos economistas e investidores. O Brasil, disse, se transformou recentemente no principal exemplo de um país emergente com problemas: recessão mais profunda que o esperado, crise fiscal, caos político, forte depreciação da moeda, inflação acima da meta e confiança de investidores em queda.

O rebaixamento da Standard & Poor's e a possibilidade de cortes pela Moody's e Fitch vão aumentar a pressão sobre o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, mas com a popularidade da presidente Dilma Rousseff em mínimas históricas, Abadia vê baixa probabilidade de algum avanço mais significativo no ajuste fiscal.

AÇÃO

Após a perda do grau de investimento, o economista da Pantheon vê duas possibilidades. A decisão da S&P pode ser o que faltava para fazer o Planalto e o Congresso agirem e prosseguirem com o ajuste.

Ao mesmo tempo, pode ser vista, pelo Congresso, principalmente, como um sinalização para não fazer mais esforços fiscais, porque a batalha foi perdida e medidas impopulares de aumento de tributos seriam inúteis. "Ficaríamos surpresos se isso acontecesse, mas não podemos descartar essa possibilidade", disse.

Em meio ao aumento da incerteza, a consultoria vê uma crescente volatilidade no mercado financeiro brasileiro, sobretudo no câmbio.