Brasil

Luiza Trajano: a favor do Brasil e contra aumento de impostos


Em discursos contundentes no Rio e em São Paulo, a presidente do Magazine Luiza propõe união da sociedade para esvaziar a crise causada pelos interesses políticos


  Por Inês Godinho 19 de Setembro de 2015 às 09:00

  | Jornalista especialista em sustentabilidade e gestão, a editora atuou no Estadão, na Editora Abril e na Folha de S. Paulo


Com a fala "o Brasil é nosso, não dos políticos", a empresária Luiza Trajano, presidente da rede varejista Magazine Luiza, exortou as participantes do 2o.  Congresso da Mulher Empresária a se unir e "lutar para construir o Brasil que merecemos". O congresso é uma realização da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) e da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Segundo Luiza, o país está fragmentado e chegou a hora de "esquecer partidarismos e diferenças ideológicas para exigir o fim dos entraves que atrasam nosso desenvolvimento. Precisamos desburocratizar o Brasil e deixar de ser expectadores para ser protagonistas".  

A empresária reconheceu que estamos vivendo um problema político muito sério, que está agravando a crise econômica. "Precisamos parar de olhar os problemas com passividade. Tem gente que adora crise porque tem em quem colocar a culpa da própria incapacidade." 

Falando a uma plateia de mulheres, destacou o momento vivido pelas causas femininas em todo o mundo. "Nunca se falou tanto em se dar condições de poder às mulheres", disse. "Governos e empresas começaram a enxergar o quanto as mulheres decidem o consumo. No ambiente de recessão que vivemos, todos querem se beneficiar dessa capacidade. Por exemplo, estive cinco vezes com o primeiro-ministro do Japão para tratar desse assunto."

"NÃO SOMOS VIRA-LATAS"

Horas antes, durante homenagem feita pela Associação Comercial do Rio de Janeiro, a empresária havia se manifestado a favor do ministro Joaquim Levy e defendeu a necessidade de ajuste. "Mas somos contra o aumento de impostos proposto pelo governo." 

Segundo ela, a saída da crise depende de um choque de gestão, de fazer mais com menos, tanto no setor público quanto entre as empresas. "Toda crise tem um fim. Tenho que olhar o ajuste como o fim. Não é a primeira crise que vivemos e não vai ser a última, mas misturou política e economia."

Luíza Trajano defendeu que seu discurso "é o mesmo de muitos empresários e pessoas de bom senso: só com uma grande força de união vamos conseguir sair dessa recessão". Para ela, "a saída depende de união entre políticos, empresários e sociedade em torno de um propósito maior, o interesse do Brasil.Não somos vira-latas."

Em seu discurso no Rio, a empresária exaltou o mercado varejista no Brasil, mas disse ser necessário retomar a confiança. "O índice de confiança do consumidor está o mais baixo que já vivi até hoje, por conta de todas as notícias e problemas que vivemos." 

Para ela, não se pode aceitar a ideia de que "o país não tem mais consumo. Só 8% têm televisão de tela plana, e ainda temos 23 milhões de casas para construir para que as pessoas possam ter dignidade."

Com Agência Estado