Brasil

Lava Jato prende agora Palocci, ex-ministro de Lula e Dilma


Ele é suspeito de intermediar contratos com a Odebrecht, em Angola e na área do pré-sal. Operação se aproxima de negócios intermediados por Lula naquele país africano


  Por Redação DC 26 de Setembro de 2016 às 10:03

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


A Polícia Federal prendeu na manhã desta segunda-feira (26/09), em São Paulo, o ex-ministro Antonio Palocci, na 35a etapa da operação Lava Jato, batizada de Omertá, palavra italiana que evoca a Máfia, o mais conhecido grupo europeu de crime organizado.

Palocci foi ministro da Fazenda nos dois mandatos presidenciais de Lula e ministro da Casa Civil no início do primeiro mandato de Dilma. Os procuradores da Lava Jato o acusam de ter desviado R$ 128 milhões para o Partido dos Trabalhadores.

Ele foi recolhido em prisão temporária (cinco dias), em meio a 27 mandados de busca e apreensão e 15 de condução coercitiva.

A operação acontece em São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal.

O advogado de Palocci, José Roberto Batochio, qualificou a prisão de "arbitrária", voltou a acusar a Lava Jato de "pirotecnia" e disse não saber quais são as acusações contra seu cliente.

O ex-ministro é suspeito de ligações estreitas com a Odebrecht, da qual teria recebido dinheiro – para ele próprio e para o PT – em contratos dela com o governo.

A Polícia Federal, que solicitou e obteve do juiz Sérgio Moro a autorização para a prisão do ex-ministro, justifica que há envolvimento dele na edição da Medida Provisória 460, de 2009, que tratava de crédito-prêmio do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), além do aumento da linha de crédito da Odebrecht no Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para Angola.

Palocci é ainda suspeito de interferir na licitação da Petrobras para a aquisição de 21 navios-sonda para exploração da camada pré-sal.

A PF esclareceu em nota que o nome "Omertá", dado à operação desta segunda, é uma referência ao codinome que a construtora usava para fazer referência a Palocci ('italiano'), bem como ao voto de silêncio que imperava no Grupo Odebrecht que, ao ser quebrado por integrantes do "setor de operações estruturadas" (corrupção de autoridades oficiais) permitiu o aprofundamento das investigações. 

Além disso, remete à postura atual do comando da empresa, que se mostra relutante em assumir e descrever os crimes praticados.

Entre os presos estão dois dos principais auxiliares diretos de Palocci, o ex-secretário da Casa Civil, Juscelino Antônio Dourado, e o principal assessor da campanha do ex-ministro, em 2006, à Câmara dos Deputados, Branislav Kontic.

O Ministério Público Federal (MPF) diz ter evidências de que o Palocci e Branislav receberam propina para atuar em favor da empreiteira.

"Conforme planilha apreendida durante a operação, identificou-se que entre 2008 e o final de 2013, foram pagos mais de R$ 128 milhões ao PT e seus agentes, incluindo Palocci", diz comunicado.

Em outubro de 2013, um saldo remanescente de propina, de R$ 70 milhões, teria sido destinado ao ex-ministro para que ele os gerisse no interesse do PT, diz o MPF.

Segundo o portal G1, Palocci foi citado na delação premiada do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa.

Segundo Costa, em 2010 o doleiro Alberto Youssef foi procurado pelo ex-ministro, que pediu a ele R$ 2 milhões da cota de propinas do PP para a campanha presidencial da ex-presidente Dilma. 

Na quinta-feira anterior (23/9), a Lava Jato chegou a prender por cinco horas outro ex-ministro da Fazenda do período petista, o economista Guido Mantega.

Ele foi acusado de pedir R$ 5 milhões para o pagamento de dívidas eleitorais do PT, a duas empreiteiras que haviam assinado contrato de US$ 922 milhões para a construção de duas plataformas para o pré-sal.

No caso de Palocci, o site O Antagonista diz que a Lava Jato descobriu que o ex-ministro era o elo de ligação entre a Sete Brasil e a Petrobras para a construção de navios-sonda.

O surgimento nas investigações dos negócios da Odebrecht em Angola também comprometeriam o ex-presidente Lula, que atuou como intermediário em obras da empreiteira naquele país.

O jornal O Globo diz que a Lava Jato reuniu informações sobre a participação da Odebrecht na compra do imóvel para o Instituto Lula no bairro de Vila Mariana.

A operação foi feita pela DAG Construtora, de propriedade de um parceiro de Marcelo Odebrecht, ex-presidente da empreiteira que leva o seu nome.

Em 2013, a pedido da Odebrecht, foi a DAG que cedeu um avião com o qual Lula esteve a negócios em Cuba e na República Dominicana.


*Com Agência Brasil





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