Brasil

Lava Jato devolve mais de R$ 200 milhões para a Petrobras


Os desdobramentos da operação avançaram sobre o governo carioca. Sérgio Cabral (foto) e Anthony Garotinho, ex-governadores do Rio de Janeiro, acabaram presos


  Por Agência Brasil 18 de Novembro de 2016 às 19:29

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


O Ministério Público Federal (MPF) anunciou nesta sexta-feira (18/11) a devolução de mais de R$ 200 milhões aos cofres da Petrobras, recuperados pela Operação Lava Jato

“Trata-se da maior devolução de recursos já feita pela justiça penal no nosso país”, disse a procuradora-chefe do MPF, Paula Cristina Conti Thá, ao lado de representantes da Polícia Federal, da Receita Federal e da Justiça Federal no Paraná. 

No total, já foram devolvidos mais de R$ 500 milhões.

“Na primeira ocasião foram devolvidos R$ 157 milhões e, na segunda, mais R$ 139 milhões. Essas duas primeiras restituições envolveram recursos provenientes da devolução de apenas dois investigados, ex-funcionários da estatal”, disse Paula Cristina.

REPRESENTANTES DO MPF E DA RECEITA FEDERAL ENTREGAM TERMO DE DEVOLUÇÃO DE R$ 202,4 MILHÕES PARA A PETROBRAS

Ela também explicou que os valores estão sendo devolvidos à estatal porque o entendimento da Justiça é de que a empresa é vítima direta dos crimes praticados por alguns de seus ex-executivos e ex-funcionários.

O presidente da Petrobras, Pedro Parente, destacou que, além do prejuízo econômico, os atos ilícitos praticados na estatal afetaram moralmente a força de trabalho da empresa – milhares de funcionários que nunca participaram de irregularidades. 

“Uma minúscula minoria de funcionários e executivos envergonhou a imensa maioria de colaboradores e aposentados que construíram a grandeza da companhia”, disse.

Segundo Parente, a empresa atua para prevenir que a situação se repita e se empenha em contribuir com investigadores para recuperar todo o potencial de ressarcimento, calculado em R$ 5,5 bilhões. “Estamos com uma atitude proativa no combate a desvios, fraudes e corrupção”, disse Parente.

GAROTINHO EM CASA

A ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luciana Lóssio, concedeu, nesta sexta-feira, prisão domiciliar ao ex-deputado federal e ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho, preso esta semana pela Polícia Federal (PF) sob a acusação de compra de votos.

Garotinho deverá ser transferido imediatamente para um hospital e não poderá ficar mais preso no Complexo Penitenciário de Bangu, no Rio de Janeiro, para onde foi transferido no último dia 17.

GAROTINHO ESPERNEIA AO DEIXAR HOSPITAL E SER CONDUZIDO PARA BANGU NA ÚLTIMA QUINTA-FEIRA

Após receber os cuidados médicos, o ex-parlamentar poderá seguir para casa, segundo a decisão da ministra.

De acordo com a PF, a prisão faz parte de investigações relativas ao uso do programa Cheque Cidadão, benefício de R$ 100 concedido pela prefeitura de Campos dos Goytacazes para compra de produtos alimentícios pela população. Garotinho é secretário de Governo da cidade. A mulher dele, Rosinha Garotinho, é prefeita.

A defesa de Garotinho sustenta que a prisão é arbitrária, ilegal e baseada em fatos que não ocorreram. 

CABRAL EM CANA

Já o caminho do também ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, foi outro. Preso na quinta-feira, 17/11, ele passou a tarde na sede regional da Polícia Federal no Rio e acabou transferido para o Complexo Prisional de Gericinó.

Cabral foi preso como parte da Operação Calicute, desdobramento da Operação Lava Jato. 

O ex-governador teria recebido propina de construtoras em seus dois mandatos, entre 2007 e 2014, afirmaram a Polícia Federal, a Receita Federal e o Ministério Público Federal. 

Segundo as investigações, o ex-governador chefiava um esquema de corrupção que cobrou propina de construtoras, lavou dinheiro e fraudou licitações em grandes obras no estado realizadas com recursos federais.

De acordo com Ministério Público Federal, Sérgio Cabral chegou a receber R$ 350 mil de “mesada” da Andrade Gutierrez e R$ 200 mil da Carioca Engenharia que, no segundo mandato, aumentou o pagamento para R$ 500 mil.

IMAGEM: Estadão Conteúdo