Brasil

Kassab: 'O Brasil vive um clima de baixa autoestima'


Em palestra híbrida na ACSP, presidente do PSD apontou a urgência de um pacto nacional e uma terceira via nas eleições de 2022 para melhorar o ambiente político, econômico e social do país


  Por Karina Lignelli 16 de Agosto de 2021 às 19:31

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


A condução deficiente da pandemia, da política econômica e das reformas. O desânimo de investidores, brasileiros ou estrangeiros, em apostar num país tomado por instabilidade e insegurança para fazer negócios. 

Somado a tudo isso, a tragédia da pandemia que, além das mortes, levou, de novo, milhares de brasileiros a uma situação crítica de fome, desemprego e falta de perspectivas. Fora os ataques diários à democracia.

Neste clima de 'baixa autoestima', só um pacto nacional de união entre membros da política e da sociedade, além de uma terceira via nas eleições 2022, podem melhorar o ambiente político, econômico e social do país. 

A urgência de colocar esse pacto em prática, e achar uma alternativa para comandar o país, foi destacada por Gilberto Kassab, atual presidente do PSD, em palestra realizada na reunião híbrida do Conselho Político e Social (COPS) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), que aconteceu nesta segunda-feira (16/08)

Kassab, ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação do governo Michel Temer, prefeito de São Paulo por duas gestões, e que hoje também preside o Conselho Curador da Fundação Espaço Democrático, disse que, em 30 anos de vida pública, nunca presenciou um momento tão delicado e difícil como o que o país vive.

Em sua avaliação, "a 'acomodação' das pessoas em relação à política trouxe a esse clima de instabilidade de hoje, às vésperas de uma eleição que vai definir um novo presidente, governadores e parlamentares."

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O político lembrou também que, todos os dias, a população é surpreendida com manifestações de organizações radicais, de grupos políticos organizados e, lamentavelmente, até de um presidente da República, que questiona a legislação e as instituições, contribuindo para aumentar essa insegurança. 

"Nosso papel, e de todos aqueles que querem fortalecer a democracia e consolidá-la, é mostrar para o Brasil que extremos, cada vez mais, não contam com a ampla maioria da população." 

A continuidade da polarização entre direita e esquerda, e as duas propostas 'carregadas de radicalismo', uma liderada pelo PT, outra pelo atual presidente Jair Bolsonaro que, segundo Kassab, se enfrentam e maneira 'não democrática', só ajudam a aumentar as ameaças de ruptura, levando a sociedade a conviver com esse temor. 

O presidente do PSD reforçou que, na democracia, quem perde eleição ajuda o vencedor, fiscalizando, denunciando erros, e não assumindo o papel de 'quanto pior, melhor', pois essa não é a postura de quem a defende. "Ao invés de serem generosos, não sossegam enquanto não massacrarem os adversários." 

Daí a importância de apresentar ao Brasil, nas próximas eleições, uma alternativa que não contemple duas posturas antagônicas, que vivem uma guerra que tem contribuído pra gerar diminuição de índices de desenvolvimento, de geração de emprego, "e levam o Brasil ao limite do insuportável em políticas sociais."

Para piorar, a economia não é bem conduzida, os resultados, desanimadores, e as perspectivas mais ainda, segundo Kassab, que disse que nossa falta de unidade não se vê em nenhum país do mundo.

Ele lembrou ainda que, enquanto em outros países adversários se unem para enfrentar pandemia, aqui se digladiam diariamente, esquecendo que 60 milhões de pessoas perderam alguém próximo para a covid. 

"É inconcebível o desprezo e a postura do governo e da oposição. Enquanto uns tiram proveito da tragédia, outros adotam políticas negacionistas contra distanciamento, uso de máscaras e a importância das vacinas."

Com tudo o isso, o Brasil vive um clima de 'baixa autoestima', que desanima investidores a apostarem no país. "E a conduta dos que governam em nada contribui para que esse ambiente melhore", lamentou o político.  

PELO FIM DA INSTABILIDADE

Gilberto Kassab, que também é membro vitalício do Conselho Consultivo da ACSP, citou outros problemas que afetam e podem desestabilizar o país, como políticas fiscais para aumentar o Imposto de Renda. 

Também lembrou dos milhares de empreendedores, em sua maioria pequenos, que fecharam as portas ou continuam inseguros com políticas que não facilitam o ambiente de negócios, nem diminuem a burocracia. 

"A ACSP é o berço do comércio, uma das entidades mais representativas dos micro e pequenos, e tem lutado por milhares de empreendedores que estão sofrendo por falta de apoio ou políticas totalmente equivocadas."

Outro problema destacado por Kassab é o questionamento, pelo presidente Bolsonaro, do sistema de urnas eletrônicas, admirado no mundo inteiro, mas posto em xeque por má-fé ou pura e simples desinformação. 

"É evidente que é preciso transparência nas operações de auditagem de votos, que já era realizada mas a sociedade não sabia", disse. "O Congresso deu uma resposta a essa discussão, mas parece que o presidente ignora que a repercussão de suas ameaças, de não haver eleições, fazem o Brasil correr sérios riscos." 

Ao se declarar pessoalmente favorável à candidatura de políticos de perfil conciliador em 2022, como Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, para a presidência, e do ex-governador Geraldo Alckmin para o governo de São Paulo novamente, Kassab convocou políticos, pessoas públicas e a sociedade civil para o pacto nacional. 

Ele lembra que, enquanto há grupos organizados contra a realização de eleições, causando instabilidade e tensão, esse outro grupo, que deve contar com especialistas em ética e que tenham experiência política, deve se articular, ganhar espaço e levar mensagens de alerta à mídia para oferecer uma opção que não seja radical.  

"Temos condições de avançar e recuperar o tempo perdido, riquezas e oportunidades de trazer modernidade e eficiência, mas vivemos um impasse provocado por quem deveria exercer esse papel", disse. "Estamos no caminho errado, mas faremos um pacto pela união do país que nos conduzirá nos próximos anos."

Para Alfredo Cotait Neto, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), Gilberto Kassab sintetizou o momento atual que vivemos, mas também trouxe esperança. 

"Realmente vivemos uma situação inusitada: não lembro de uma relação tão conflituosa no país, e tenho receio do confronto", afirmou. "Mas precisamos de uma mensagem para equilibrá-la, e a ACSP e a Facesp vão abraçar porque esse é o único caminho que temos para recolocar o país no rumo certo."  

FOTO: Dani Ortiz






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