Brasil

Jornalista Gilberto Dimenstein morre aos 63 anos em São Paulo


Fundador do site Catraca Livre, passou por veículos como Folha e Veja, ganhou prêmios Esso e Jabuti e foi considerado exemplo de inovação comunitária pelo Projeto Aprendiz, replicado pelo mundo via Unicef e Unesco


  Por Redação DC 29 de Maio de 2020 às 11:31

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


O jornalista Gilberto Dimenstein morreu nesta sexta-feira (29) em São Paulo, aos 63 anos. Com passagem por vários veículos, o fundador do site Catraca Livre lutava contra um câncer de pâncreas, com metástase no fígado. 

Formado na Faculdade Cásper Líbero, foi colunista da Folha de São Paulo, onde também foi diretor na sucursal de Brasília, e correspondente em Nova Iorque e na rádio CBN. Atuou no Jornal do Brasil, Correio Braziliense, Última Hora, Visão e Veja, além de ter sido acadêmico visitante do programa de Direitos Humanos na Universidade de Columbia.

Recebeu o Prêmio Nacional de Direitos Humanos junto com Dom Paulo Evaristo Arns, o Prêmio Criança e Paz, do Unicef, Menção Honrosa do Prêmio Maria Moors Cabot, da Faculdade de Jornalismo de Columbia, em Nova York. Também ganhou os prêmios Esso (categoria principal) e Jabuti, em 1993, de melhor livro de não-ficção, com a obra "Cidadão de Papel".

Foi um dos criadores da ANDI - Comunicação e Direitos, uma organização não-governamental que tem como objetivo utilizar a mídia em favor de ações sociais.

Em 2009, um documento preparado na Escola de Administração de Harvard, apontou-o como um dos exemplos de inovação comunitária, por seu projeto de bairro-escola, desenvolvido inicialmente em São Paulo, através do Projeto Aprendiz. O projeto foi replicado através do mundo via Unicef e Unesco.

Gilberto Dimenstein também foi o criador do site Catraca Livre, considerado o melhor blog de cidadania em língua portuguesa pela TV alemã Deutsche Welle. 

No fim do ano passado, em depoimento ao jornal Folha de S.Paulo, onde trabalhou, Dimenstein falou sobre o diagnóstico.

"A clareza maior da morte é uma dádiva. Não é o fim, mas um começo", afirmou.

Nas redes sociais, amigos lamentaram a morte do colega. "Uma perda imensa para o jornalismo brasileiro. Um homem íntegro, inspiração para minha geração, que lutou até o fim contra uma doença cruel", escreveu a jornalista Vera Magalhães, editora do BR Político, do portal do Estadão. 

FOTO: Divulgação / Catraca Livre