Brasil

Joice Hasselmann quer novo modelo de licitação para o transporte da capital paulista


Candidata à prefeitura de São Paulo, a deputada federal disse em debate com empresários promovido pela ACSP que Boulos pavimenta o caminho para a esquerda nas eleições presidenciais


  Por Renato Carbonari Ibelli 15 de Outubro de 2020 às 15:36

  | Editor ibelli.dc@gmail.com


Ex-líder do governo Bolsonaro na Câmara, a deputada federal Joice Hasselmann (PSL) diz que o crescimento de Guilherme Boulos (Psol) nas pesquisas para prefeitura de São Paulo pode indicar uma esquerda forte nas eleições presidenciais em 2022.

Segundo ela, o Sudeste e o Nordeste são as regiões que decidem as eleições para presidente. “2022 obrigatoriamente passa por São Paulo. No Nordeste sabemos quem tem força. Bolsonaro cresceu um pouco lá, mas quando acabar o auxílio emergencial, volta a cair. Boulos está pavimentando a esquerda no Sudeste”, disse a deputada, que concorre à prefeitura da capital paulista.

Boulos aparece em terceiro nas pesquisas de intenção de votos, atrás de Bruno Covas (PSDB) e Celso Russomanno (Republicanos). O nome de Joice, que foi a deputada mais votada da história, aparece entre os menos citados nas pesquisas para prefeitura de São Paulo.

A candidata participou de debate com empresários promovido pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) nesta quinta-feira, 15/10.

Além do candidato do Psol, os líderes das pesquisas também foram alvos dos ataques da deputada. Joice disse se arrepender de ter colocado Russomanno com vice-líder do governo na Câmara. “Ele não fez absolutamente nada. Russomanno é contra o empreendedor. Vai bater no comércio para conseguir vídeo e lacrar na internet.”   

Sobre o atual prefeito, disse que ele não conseguirá administrar a cidade com R$ 9 bilhões a menos no orçamento, valor perdido com a pandemia. “É preciso de um choque de gestão para administrar com o orçamento menor, o que exige coragem. Será preciso enfrentar a máfia dos transportes, que consome dinheiro público”, disse Joice.

A candidata falou que faz parte do seu plano para a prefeitura reformular o processo de licitação para o transporte público da capital. Segundo ela, há vícios no processo atual. “Para participar do processo é preciso que a empresa concorrente seja dona da garagem. Quem tem condição de ter garagem em São Paulo? Acabou a licitação aí. As empresas não mudam.”

Joice disse ainda que pretende fechar a São Paulo Transportes (SPTrans). “É cabide de emprego como tantos outros. Não vou criar outro órgão, se precisar fiscalizar o transporte, faço pessoalmente”, disse a candidata.

LAVA JATO PAULISTANA

A deputada disse que tem conversado com Sérgio Moro, ex-ministro da Justiça, para criar uma forma de acabar com a corrupção na cidade. Segundo ela, Moro sugeriu dar mandato para o Controlador Geral do Município, “para o prefeito não tirá-lo do cargo”.

Joice disse que um dos principais problemas para os empresários de São Paulo é a corrupção. “Tem a máfia do pixuleco. Se o empresário é pequeno, o fiscal pede R$ 100. Se é grande, pede milhões em propina”, afirmou.

Ela disse que pretende levar o modelo da Lava Jato para dentro da prefeitura. “Se tiver meia dúzia de prisões, acaba a corrupção. O comerciante não tem hoje para quem denunciar.”

A candidata pelo PSL disse aos empresários que pretende desburocratizar a cidade ao tornar digital o processo de requisição de licenças para funcionamento.  

Falou ainda na necessidade de socorro às empresas no pós-pandemia. Disse que pretende transformar quem perdeu o emprego em empreendedor. Uma maior atenção seria dada às mulheres.

“Vou usar um modelo de financiamento parecido com o Pronampe para que mulheres consigam recursos para empreender. Elas receberão capacitação e um empréstimo”, disse a candidata.

REGULARIZAÇÃO

Joice disse que se for prefeita da cidade terá de fechar os olhos para algumas irregularidades do passado, como áreas de invasão. “Não adianta desalojar, temos que regularizar. Levar infraestrutura para então cobrar um IPTU social”, afirmou.

Regularizando áreas da periferia da cidade, a candidata disse que será possível a instalação de grandes redes de comércio, o que estimularia a geração de emprego local.  “Podemos criar centros comerciais em Heliópolis, Paraisópolis.”

No caso do Centro da cidade, sua proposta é criar um circuito de compras e levar moradores para a região. Joice disse que pretende criar moradias populares para policiais militares e guardas civis metropolitanos. “Assim eles não precisam morar nas favelas, já que ganha pouco”, disse a candidata.

Assim como a maioria dos candidatos à prefeitura de São Paulo, Joice disse que o ISS precisa ser reduzido para evitar que empresas fujam da cidade e se instalem em municípios vizinhos.

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IMAGEM: Daniela Ortiz/ACSP





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