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Incêndio atinge prédio na região da 25 de Março. Comerciantes contabilizam prejuízo


Prédio que abrigava depósito de tecidos e loja A Gaivota corre risco de desabar. Trecho próximo ao local está interditado e espera avaliação da Defesa Civil


  Por Wladimir Miranda 12 de Dezembro de 2018 às 16:32

  | Repórter vmiranda@dcomercio.com.br


Menos de onze meses após o incêndio e desabamento do Edifício Wilton Pereira de Almeida, no Largo do Paissandu, com cinco mortes e dezenas de desabrigados, o centro de São Paulo voltou a viver momentos de tensão na manhã desta quarta-feira (12/12).

Desta vez, as chamas destruíram a fachada do prédio de três andares em que funcionavam o depósito de tecidos e a loja da A Gaivota, além de uma lanchonete, na esquina das ruas Jorge Azem e Cavalheiro Basílio Jafet, na região da Rua 25 de Março. O fogo atingiu também outro prédio próximo.

O incidente acontece justamente na época de maior movimentação nessa região de comércio popular, por onde passam diariamente mais de 400 mil pessoas.  

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A estrutura do edifício, construído em 1924, ficou abalada. Com o fogo, a temperatura no interior do prédio chegou a 750 graus. A fachada do prédio ficou com rachaduras e o risco de desabamento é grande.

O Tenente Coronel Marcelo Cesar Carnevale, que comandou a operação de combate ao fogo, com 60 homens do Corpo de Bombeiros, disse que o prédio não possui o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) para funcionar.

“O prédio não estava regularizado para funcionar”, disse o Coronel, que informou também que o edifício foi interditado imediatamente. Segundo o Corpo de Bombeiros, não houve vítimas.

TRECHO LIBERADO

No final da tarde, a reportagem do Diário do Comércio voltou ao local e conversou com Tenente Tavares. Ele confirmou que o prédio corre o risco de desabamento. 

"As paredes apresentam muitas rachaduras, fissuras. Existe um trabalho de rescaldo. Há riscos de desabamento. O prédio será analisado pela Defesa Civil. Há sinais de que pode desabar, sim", afirmou.

Na parte da manhã, a Rua Cavalheiro Basílio Jafet até a Jorge Azem foi interditada.

À tarde, apenas o quarteirão que vai da Jorge Azem até a rua da Cantareira estava bloqueada. Neste quarteirão, existem cinco lojas comerciais, que permaneciam fechadas.

LOJAS PRÓXIMAS AO INCÊNDIO FORAM ISOLADAS PELOS BOMBEIROS
POR CAUSA DO RISCO DE DESABAMENTO DO PRÉDIO ATINGIDO

O funcionamento destes estabelecimentos comerciais depende da avaliação que será feita pela Defesa Civil, que acontecerá após o fim dos trabalhos de rescaldo, que estão sendo feitos pelos homens do Corpo de Bombeiros.

O prejuízo para os comerciantes é incalculável neste período que antecede as festas de final de ano, a melhor época para as vendas do varejo.

Nesta quarta-feira, o movimento de consumidores na Rua 25 de março era enorme. Mas quem teve de contabilizar os efeitos da interdição foram os donos das lojas que ficam nas ruas Cavalheiro Basílio Jafet e Jorge Azem.

DIA PERDIDO

Jean Freire, gerente da Camicado, na Basílio Jafet, mostrou o seu desalento com a interdição imposta pelo Corpo de Bombeiros. “O dia hoje está perdido. A perda é grande”, disse.

De 800 a mil pessoas costumam comprar diariamente na Camicado. O gasto médio na loja, especializada em pratos, copos, bandejas, caixas e panelas, é de R$ 300.

A Camicado tem 16 funcionários que, nesta quarta-feira foram orientados a organizar os produtos na loja, na expectativa de que tudo volte ao normal na quinta-feira.

Policiais e peritos ainda trabalham para descobrir o que motivou o incêndio. Segundo um comerciante das imediações, que não quis se identificar, a troca de lâmpadas do prédio foi o que provocou o incêndio.

O farto material de fácil combustão – papel, papelão e artigos para festas -, armazenado no depósito de A Gaivota, contribuiu para que as chamas se alastrassem rapidamente.

 

FOTOS: Wladimir Miranda/Diário do Comércio