Brasil

Idosos voltam ao mercado de trabalho


Entre 2014 e 2015, a participação de pessoas com mais de 60 anos ou mais no contingente de empregados e desempregados subiu de 22,3% para 22,7%


  Por Estadão Conteúdo 08 de Setembro de 2015 às 11:11

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


A queda no poder de compra, o aumento do desemprego, a falta de mão de obra qualificada e amplo conhecimento técnico têm feito muitos aposentados retornarem ao mercado de trabalho. 

Há quase três anos, Julio Cesar Alves Ferreira viu o sonho de ser empresário se desfazer diante da falência de seu negócio de distribuição. Hoje, com 63 anos, e sem aposentadoria, olha para o saldo de suas reservas, acumuladas durante décadas de trabalho, e enxerga um número cada vez mais próximo de zero. "Estou procurando emprego em qualquer área. Estou precisando. O pouco que tinha fui usando, e agora a reserva está acabando", conta.

Morador do bairro da Penha, na zona norte do Rio, Ferreira, que vive sozinho, apertou o cinto nas contas da casa. Cortou viagens, passeios e idas ao cinema. Só o cigarro sobreviveu, porque ainda não consegue se livrar do vício. Começou a procurar emprego em maio, distribuiu currículos e fez duas entrevistas, mas ainda não teve retorno. "Está difícil, ainda mais para uma pessoa da minha idade."

Ferreira faz parte de um grupo que tem se destacado nas estatísticas que, recentemente, mostram a piora do mercado de trabalho do país.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE, mostra que, no segundo trimestre, 1,747 milhão de pessoas engrossaram a força de trabalho (formada por pessoas empregadas ou em busca de trabalho), na comparação com igual período de 2014. Destas, 502 mil têm 60 anos ou mais.

Ao todo, 6,645 milhões de idosos em todo o Brasil estavam em atividade entre abril e junho deste ano, 171 mil deles desempregados. Ambos são registros recordes. "A tendência é (o idoso) aumentar a participação enquanto a economia estiver ruim. Isso vai continuar adicionando pessoas ao mercado de trabalho. Os idosos têm margem para elevar ainda mais a sua participação", diz Rodrigo Leandro de Moura, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).

*Foto: Thinkstock