Brasil

Ibope: Bolsonaro ganha no primeiro turno, mas perde no segundo


Ex-capitão do Exército levaria a pior contra Marina, Alckmin e Ciro Gomes. E empataria tecnicamente com o petista Fernando Haddad


  Por João Batista Natali 06 de Setembro de 2018 às 15:00

  | Editor contribuinte natali@uol.com.br


A pesquisa que o Ibope divulgou na noite de quarta-feira (5/9) trouxe, resumidamente, o seguinte cenário: Jair Bolsonaro (PSL) encabeçaria a votação no primeiro turno, mas seria derrotado no turno final.

O ex-capitão do Exército passa de 20% para 22%. Essa pequena ascensão, ainda dentro da margem de erro, é curiosa. Significa que ele pode ter herdado uma fração do eleitorado antes disposta a votar em Lula.

Trata-se, aliás, de um fenômeno constatado no Nordeste, onde – com a ausência do ex-presidente na urna eletrônica – o voto que mistura confusamente a esperança e o protesto passou a ser capitalizado pelo militar da reserva.

A impressão nas campanhas dos demais candidatos é de que o ex-capitão do Exército está com seu nome consolidado. Deverá ser um dos finalistas do segundo turno.

Mas é aí que está o problema. O Ibope revela que Bolsonaro seria derrotado, com a nova votação, caso enfrente Ciro Gomes (PDT), por 44% a 33%, Geraldo Alckmin (PSDB), por 41% a 32%, e também por Marina Silva (Rede), por 43% a 33%.

Ele estaria apenas um ponto na frente de Haddad (37% a 36%), o que é, tecnicamente, um empate, considerando a margem de erro.

Diante de uma perspectiva desanimadora para o turno final de 28 de outubro, a equipe de Bolsonaro passou a dizer, nesta quinta-feira (6/9), que o objetivo, a partir de agora, seria chegar a 50% dos votos, já no primeiro turno de 7 de outubro.

Essa ambição é dificultada por algo muito simples. O ex-capitão encabeça a taxa de rejeição, com 44% dos eleitores que dizem que de maneira nenhuma votariam nele. E, nesse quesito, aparece bem à frente da segunda colocada, Marina, rejeitada por 26% dos entrevistados.

MAIS DÚVIDAS QUE CERTEZAS

O fato é que o Ibope atrapalhou algumas certezas dos candidatos ao Planalto. E tornou as previsões ainda mais confusas.

Foi o primeiro levantamento daquele instituto em que Lula – com candidatura cassada pelo TSE na sexta anterior – não aparecia mais como concorrente.

A esperança do PT era a de que Fernando Haddad daria um salto nas intenções de voto e poderia até encabeçar as preferências.

Não foi o que aconteceu. O ex-prefeito de São Paulo aparece em quinto lugar, com 6% das intenções, por mais que o potencial de seu crescimento seja incomparavelmente maior.

Mas, para tanto, é preciso resolver o conflito estratégico criado dentro do PT. Ou o partido põe Haddad na rua com o estatuto de candidato presidencial, ou então mantém por mais tempo a ficção de que Lula poderá concorrer.

Uma ficção novamente bombardeada, nesta quinta, com a decisão do ministro Edson Fachin, do STF, de não reconhecer nele condições de elegibilidade.

Mau sinal para Lula, já que o mesmo Fachin endossou, na sexta-feira passada (31/8), a ficção do direito internacional, segundo a qual a recomendação do Comitê de Direitos Humanos da ONU, para que Lula se candidatasse, tinha para com o direito brasileiro algum valor vinculante.

A surpresa do Ibope foi a estagnação de Marina Silva. Ela se manteve nos mesmos 12% da pesquisa anterior. Ao menos desta vez, ela não atraiu antigos eleitores de Lula.

Geraldo Alckmin aparece com 9%. Ou dois pontos a mais que na última pesquisa do Ibope.

Os tucanos obviamente acreditam que um único dígito é muito pouco. Mas a pesquisa foi feita nas primeiras 48 horas de propaganda eleitoral no rádio e TV, onde o ex-governador de São Paulo tem bem mais tempo que seus concorrentes para passar seu recado.

SIMPLES COADJUVANTES

A pontuação dos demais candidatos não dá a eles o estatuto de atores principais da sucessão presidencial. Todos exercem papel secundário nesse drama político.

Com 3% das intenções, aparecem Álvaro Dias (Podemos) e João Amoêdo (Novo), que saltou do 1% anterior.

Henrique Meirelles (MDB) aparece com 2%, enquanto João Goulart Filho (PPL), Guilherme Boulos (Psol) e Vera (PSTU) estão com 1% das intenções.

Cabo Daciolo (Patriota) e José Maria Eymael (DC) não pontuaram.

O Ibope ouviu 2 mil eleitores entre 1º e 3 de setembro. A margem de erro é de dois pontos, para menos ou para mais.

 

FOTO:Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil